Assombrações de um zumbi

Todo mundo já levou um pé na bunda. Temos até uma vasta variedade de modelos: aquele na infância, quando o menino escreve num papel “quer namorar comigo?” e a menina dá risada com as amigas; também temos aquele da adolescência em que você olha ao longe a mocinha e, depois de gaguejar um pouco, consegue chegar perto e dizer “oi, tudo bem?”, tendo como resposta uma expressão facial de medo. Há quem foi dispensado antes de declarar seu amor: no dia em que foi dizer “eu te amo”, ela se antecipou e confessou que gostava de outro. Não podemos esquecer do clássico pé na bunda, já na vida adulta, que começa com uma negação e depois vem seguida da fuga bem na hora do pedido de casamento. E já que estamos falando de maturidade, porque não citar o tão bem difundido modelo “precisamos conversar, já tô com outra, acho melhor nos separarmos, passar bem”.

Enfim, todo mundo já levou um pé na bunda.

Cada um de nós carrega na memória uma sequência de términos – duvido que você não tenha lembrado de pelo menos dois ou três desde que começou a ler esse texto. Como esquecê-los, não é mesmo? Na verdade, acredito que esses momentos são até mais marcantes. Dizem que nascemos para felicidade. Então, quando ela chega, já esperávamos por isso. Entretanto, quando levamos uma rasteira, a banda toca diferente. Nossa mente decora cada palavra, cada gesto. Assim nunca mais passaremos por aquilo, pensamos em vão.

Porém, de tanto lembrar e tentar evitar, acabamos nos esquecendo. Não raro essas memórias viram certo tipo de assombração. Fulana está saindo com alguém novo, ele diz algo que remete à um dos seus relacionamentos anteriores e… pronto!, aquele espírito reaparece. Ciclano está namorando há poucos meses, manda mensagem e ela não responde… pronto!, ressurge aquela alma penada. Quantos relacionamentos não foram minados por essa volta dos que não foram?

Eu entendo essa tentativa de não ser mais feito de trouxa. Ela é legítima. Mas às vezes construímos muros – maiores que o do Trump – em torno de nós mesmos. Ninguém entra e ninguém sai. Não queremos nenhuma novidade, pois evitamos o sofrimento. Mas impedimos que o passado saia, pois não queremos correr o risco de repetir um drama já vivido. De tanto conviver com as histórias mortas, fechados em nós mesmos, esquecemos de viver. Ao final temos uma vida limitada, pela metade, cheia de vozes ecoando no peito: começou errado, isso não vai dar certo, melhor não arriscar, certeza que vai dar merda…

Resta-nos viver como um zumbi conversando com seus fantasmas.

 

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