Autor: Francisco Escorsim

Sobre Francisco Escorsim

Francisco Escorsim naufragou como bacharel em Direito, tornando-se professor de educação da imaginação e formação do imaginário. É escritor e colunista de vários sites e do jornal Gazeta do Povo.

Qual a música ideal para o Dia dos Namorados?

Já reparou que na maioria das canções românticas que têm letras falando de amor “para sempre” a parte musical é de uma tristeza como se tudo já tivesse acabado?
 
Por exemplo, a música romântica nº 1 nas paradas de todos os tempos, segundo a Billboards. É Endless Love, dueto de Lionel Richie com Diana Ross. Se o nome não foi suficiente para sua memória musical recordá-la, aposto que basta escutar 3 segundos para você lembrar que não só conhece como a escutou mais do que gostaria:

O vazio existencial e as canções para náufragos

Que a música tem uma importância tremenda na vida não é novidade para ninguém, mas quando somos náufragos existenciais, aí a música é ainda mais importante: é vital. A ponto de sermos obrigados a concordar com esse aviso iluminado na parede da imagem em destaque aí em cima. 

Sim, você é o que você escuta.

Mas por que a música tem tamanho valor para nós, náufragos?

Você precisa de férias na volta das férias?

Cristiano cresceu escutando os pais falarem, na volta das férias, que agora sim é que precisavam de descanso. Sempre aproveitavam as férias para viajar, fazer programas de todo tipo, não paravam nunca, mesmo quando passavam um mês inteiro na praia, indo da casa para a areia e desta para casa. Adoravam o tempo de férias, parecia que a vida só valia a pena nesse tempo, quando estavam em férias, eram sempre mais felizes.

Mas o retorno era sempre difícil, ele via a tristeza na expressão dos pais, a vida murchando. Continue lendo

Como sustentar um casamento: seja uma âncora

Deixa eu contar um pouco da história do meu casamento. 

Quando conheci minha futura esposa eu já tinha naufragado na vida. Tinha entrado na faculdade de Direito em 1994, aos 17 anos (faria 18 naquele ano), e estava ali levado pela maré sócio-cultural que faz os jovens dessa idade prestarem vestibular etc. Continue lendo

A crise dos 30 anos e a receita de Keith Richards: Amor, Família e Rock’n Roll

“A vida é engraçada, sabe? Sempre achei fosse viver até os 30 anos. Mais do que isso seria horrível viver. Até que fiz 31 e pensei: até que não é tão ruim.” 

Quem disse isso foi Keith Richards, do alto dos seus mais de 70 anos. Seria a cura para a crise dos 30 anos simplesmente deixar passar, fazer 31 e pronto? Bastaria suportar a sensação de que tudo parece meio que definido e o futuro será mais do mesmo que daí essa sensação passaria como veio e a vida voltaria a se abrir em possibilidades? Continue lendo

Um disco para náufragos

Se tem uma coisa que a imensa maioria de nós, náufragos existenciais, temos em comum é o apego à música como uma tabuinha de consolação – quando não de salvação mesmo.

Quando vejo a quase devoção com que alguém fala ou aprecia alguma música ou banda ou artista, já reconheço um “irmão de braçadas”, mantendo-se à tona com a ajuda da música, muita música.

E não falo aqui de histeria adolescente com bandinhas. Falo de algo bem mais sério e profundo, da música sendo capaz de expressar a tristeza ou o desespero do “estar náufrago”, ao mesmo tempo conseguindo alimentar a fé e a esperança de que há uma razão, um sentido maior para esse sofrimento. Continue lendo

Dois remédios para dar sentido à vida

Li uma reportagem bem interessante de Emma Young, da revista Mosaic Science e publicada em português pelo El Pais, sobre o uso de drogas por adolescentes. Harvey Milkman, professor de psicologia da Universidade de Reykjavik, na Islândia, fazia residência num hospital de Nova Iorque na década de 70 quando começou a se interessar pela razão que leva as pessoas a consumirem drogas. Acredita ter encontrado a resposta. Continue lendo

Você não tem tempo para nada?

Você não tem tempo para nada, eu sei. O que você gostaria de fazer não cabe no seu dia. É o emprego que consome as energias ou os estudos que te impedem de fazer mais ou a família que toma seu tempo livre. Afazeres demais, compromissos diários, hábitos difíceis de mudar, cansaço, irritação, stress. E a vida parece que passa como um trem que nunca pára para você entrar. Continue lendo

Receita para encontrar trabalho

No caminho para o estúdio onde gravamos alguns vídeos aqui para o site, lá em São Paulo, chamou minha atenção uma mulher que montou uma padaria na calçada. Parecia jovem, estava sentada e à sua frente uma mesa montada com toalha simples, tendo vários tipos de pães e outras comidas que não consegui identificar, mais três garrafas térmicas (provavelmente café, leite e água quente).

Naquele momento não havia consumidores, ela estava compenetrada com seu celular. Na hora lembrei de uma reportagem recente do UOL sobre desemprego, contando a história de vários desempregados lidando com a situação de forma muito parecida. Dois deles me chamaram mais a atenção. Continue lendo

Por que me sinto paralisado na vida?

Todo mundo que dirige carro sabe como é quando se está aprendendo. Lembro que meu pai se irritava comigo porque para cada coisa que ele dizia para fazer eu precisava pensar enquanto fazia. Ele ficava puto porque para ele aquilo era intuitivo fazia uns 20 anos, não era preciso pensar, nem sabia mais pensar nisso, não saberia explicar por que seria assim ou assado. Como não pensamos nas pernas quando caminhamos. Continue lendo