Autor: Francisco Escorsim

Sobre Francisco Escorsim

Francisco Escorsim naufragou como bacharel em Direito, tornando-se professor de educação da imaginação e formação do imaginário. É escritor e colunista de vários sites e do jornal Gazeta do Povo.

Quem não é Narciso nas Redes Sociais?

Acho que todos conhecem a história de Narciso, não? Apaixonado por suas selfies, nada mais fez de sua vida senão contemplar-se no instagram, até nele mergulhar e morrer.

Dizem que isso é mito, e muito antigo, coisa de grego. Só se for a parte do mergulhar e morrer porque, no mais, Narciso segue vivo, firme e forte, com o perfil ativo no facebook e em todo canto da internet. Narciso, hoje, é legião. Continue lendo

Perdi a vida que eu tinha, e agora?

Tragédias acontecem, é da vida. Uma doença incurável que você descobre sem querer. A morte repentina de quem te sustenta. Um acidente que te deixa inválido.

Mas nem precisa ser tão grave assim para parecer que arrancaram a vida que estava aqui. Por exemplo, uma demissão quando você tinha um plano bem estruturado de futuro condicionado ao emprego. O fim de um relacionamento que era “para sempre”. A traição de um amigo que torna impossível continuar amigo.

Ainda que você não tenha passado por nada disso – ainda bem! – e nem conheça alguém que tenha sofrido uma tragédia na vida, certamente sente medo de passar por uma situação dessas, ainda que você seja daqueles que acha que nunca aconteceria com você. Continue lendo

Porque desistir não dá sentido à vida

A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. A cada 3 segundos alguém atenta contra a própria vida. No Brasil, em números de 2012, segundo o Conselho Federal de Medicina, acontecem no mínimo 30 suicídios por dia.

A imprensa não costuma noticiar suicídios por supostamente isso acabar incentivando outros. Essa não é a opinião da classe médica, que considera isso não apenas um mito como crê o contrário: falar sobre suicídio ajudaria.

Nesta semana foi inevitável não falar sobre um suicídio. Patrícia Santiago, jovem, casada há pouco tempo, publicou no seu perfil no facebook um texto explicando por que iria se matar e se despedindo do marido e familiares. E cumpriu o prometido. Continue lendo

De quando Paulo Coelho salvou minha vida

Se o mercado de auto-ajuda fosse um reino, Paulo Coelho seria rei. Li os primeiros livros dele lá nos anos 90. E curti, confesso. Não entendia nada de nada de literatura, mas precisava de ajuda para muita coisa. 

Aí você me pergunta: e ajudou em alguma coisa?

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Carta Aos Meus Filhos

Curitiba, 13 de agosto de 2017.

Piás,

Não faço idéia de quando e se lerão esta carta aberta. Seja como for, sempre serão meus piás, ainda que fiquem mais velhos do que eu.

Hoje é o dia dos pais de 2017. Talvez eu não demonstre, mas é um dia complicado para mim desde que o vô Bortolo se foi. Uma das coisas que me doem é que sei que o passar dos anos vai apagando a infância da memória e seu avô será lembrado pelas fotos, não por ele. A vida é assim, infelizmente. Continue lendo

300 milhões de razões para falar sobre depressão

Mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde. É possível você seja uma delas, ainda que não saiba ou se recuse a admitir. Já é considerada a maior causa de problemas de saúde e de incapacidade, aliás.

Quem manja dos paranauês psicológicos aqui é o Jota, mas lá se vão uns 8 anos dando aulas particulares e tive de aprender a lidar um pouco com a depressão também, não me faltaram alunos padecendo dela. E aprendi muito com eles. Por exemplo, só fui entender mesmo o que era a depressão quando um deles me disse:

“Sabe aquele ditado do otimista e do pessimista diante de um copo com água pela metade? O otimista fica feliz por estar meio cheio, o pessimista fica triste por estar meio vazio, mas sabe o que um depressivo acha? Que a vida é uma merda.” Continue lendo

Qual o remédio para a solidão?

Desde que iniciamos esse projeto para náufragos fiquei com a tarefa de escrever algo sobre solidão. A idéia era fazer algo no estilo “10 coisas que você precisa…” etc. Sinto muito, não consegui.

Por mais que sejamos bem sucedidos em evitar a solidão, nos distrair dela, no fim das contas ela sempre vence. Refiro-me à solidão inescapável, aquela que a morte de um ente querido nos deixa por herança. Continue lendo

Como descobrir a sua vocação?

A vocação costuma se tornar um drama quando chega a época de definição da vida profissional. Aquela época em que precisamos escolher se fazemos vestibular ou optamos por um curso técnico; se já começamos a trabalhar de uma vez ou, então, desejamos sair viajando pelo mundo para ganhar experiência de vida; será que é hora de casar ou comprar uma bicicleta? Dependendo da escolha do filho, como, por exemplo, querer ser músico, muitos pais dirão: “Filho, primeiro garanta seu sustento, depois você faz as coisas que você gosta”. E nessa frase está condensada todos os equívocos vocacionais que padecemos: olhamos para a vocação como se fosse uma escolha de rumo profissional ou descoberta de algo que gostamos de fazer. Continue lendo

Levando o vampiro pra passear

Uma segunda-feira sem amanhecer em Curitiba, semana passada. Névoa insistente, viscosa, sombria, não cedia. Foi-se a manhã, hora do almoço, tarde passou e ela não, escurecendo a noite também. Típica Curitiba, dirão. Dias assim, chumbados, quase brancos, sem céu, só chuvisco, chuva, tempestade, frio, enfim, ainda acontecem, eu sei, mas não tanto como antigamente, nem tão intensos como segunda passada. Mas aquela nuvem opressora – perdoem o linguajar militante, mas a imagem é boa, a bruma tinha a aparência e consistência disso tudo aí que ofende tanta gente – não era apenas mais um clichê curitibano, era a forma de todos eles. Continue lendo