Autor: Jota Borgonhoni

About Jota Borgonhoni

João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

Masterchef e o amor que transforma a vida

Cozinhar é definitivamente uma arte. Para nossa sorte, recentemente vemos uma avalanche de novos artistas. Juro, se pudesse gastaria bem mais com minha alimentação. Como não posso, me resta imitar um cachorro na vitrine de uma churrascaria. Porém, nessa busca por saciar minha curiosidade gourmet, minha noiva me apresentou o Masterchef. Foi amor ao primeiro prato!

Como você deve saber, o programa é um reality show em que todo episódio um cozinheiro é eliminado. Ao final resta apenas um. Porém, depois de acompanhar umas três edições, parei de me preocupar com quem venceria. Tinha algo mais interessante e que sempre passava em branco: o depoimento dos perdedores.

Se deixarmos de lado as frases motivacionais da Ana Paula Padrão, veremos que há uma pergunta muito interessante que ela sempre faz na entrevista final:

O que você vai fazer a partir de agora?

Abaixo segue a reposta de seis competidores do último programa. Como bom psicólogo, volto em seguida para analisarmos tudo isso.

Percebe que todas respostas têm algo em comum? Apesar de serem sete pessoas diferentes, a conclusão que tiveram traz a mesma marca da vontade de seguir em frente, da mudança de vida de ter conquistado algo que não querem mais perder. Todos ali foram impactados pela experiência e nada será como antes. Isso se dá por uma questão até óbvia:

Fazer o que ama transforma a vida.

O que precisamos entender é que amar é muito diferente de gostar. Gostamos de milhares de coisas, mas amamos poucas. Porque o amor é uma escolha. Amar exige dedicação, esforço, persistência e principalmente vontade para manter essa decisão. O que os motivou não foi apenas um interesse morno pela cozinha, algo que faziam quando não tinha mais nada a fazer. Foi amor!

Note, todos esses competidores têm suas histórias entrelaçadas por panelas, receitas, esforço e comida. A experiência do programas apenas deu lhes deu a chance de colocar isso em prática. Botaram o amor à prova.

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Vendo essas histórias é impossível não pensarmos em nós. Quando ouvimos relatos de experiência que mudaram a vida, em nosso peito também vem esse desejo (não vai negar agora que sente o mesmo, né?). É nessas horas que ouvimos aquela voz interior nos questionar:

O que eu amo e pode mudar minha vida?

Você consegue responder essa pergunta? É complicado, porque dizemos muitas vezes amar mas não nos dedicamos a esse amor. Então, que amor é esse afinal?

Aqui nos Náufragos falamos muito sobre sentido da vida e vocação, porque resolver isso é a tarefa mais importante que você tem. E todo o seu caminho começa em saber o que você ama. 

Nada do que eu disse aqui é muita novidade. Erramos de rota diversas vezes, esquecemos nossa identidade, nos perdemos em distrações.

Tenho certeza que você já teve a nítida impressão de que gasta seu tempo com a coisa errada.

Muito desse sentimento que você continua carregando no peito vem do medo de errar. Medo que todos os competidores tiveram, medo que paralisa e faz com que seu sonho não passe de uma ilusão.

Mas aqui também a experiência dos nossos chefs nos ajuda. Nas respostas que deram, há mais uma frase que se repete:

Eu nunca imaginei que fosse tão longe

Quando vencemos o medo, encaramos o desafio e buscamos fazer o que queremos, sempre – sempre mesmo – vamos mais longe do que imaginamos. (E veja que essa é a declaração dos perdedores, hein!) Entenda de uma vez por todas: nosso mundo mental é muito limitado, nossa imaginação é curta, somos mais capazes do que achamos ser.

Então, como diria o Valter, vai atrás, corre e realiza. Ficar com a bunda no sofá não resolve porcaria nenhuma! Não espere criarem um programa com aquilo que você ama. Bote seu amor à prova e verá que ele ainda te levará bem longe.

Maturidade #3 – fazer o que deve ser feito

Amigos de longa data, eles se encontravam quase toda semana para aquela cervejinha na sexta pós expediente. A amizade começou no colégio. Ricardo conheceu Pedro, o Pedreira como era chamado, lá na primeira série. Na segunda foi o João que começou a andar com eles e na oitava já eram em seis. O último a entrar no grupo foi o Bolacha, ele fazia faculdade com o Mateus e virou melhor amigo de todo mundo depois de uma noite em que o Vidal chegou até a ser preso.

Como vocês sabem, amizade de homem é tudo igual. Um chega xingando, outro fala da mãe, um terceiro ri e o quarto muda de assunto. Recentemente eles acabavam sempre falando de filhos, esposas e empregos: os primeiros davam trabalho mas valia a pena, as segundas davam trabalho e às vezes valia a pena, os terceiros davam trabalho e nunca valia a pena. O interessante, nesses momentos, é que eles assumiam quase um postura de clube ou grupo organizado. Tanto que há muitos anos o Oriental mudou o nome do grupo do whatsapp pra “Máfia” com uma foto do Poderoso Chefão e nunca mais tiraram.

Era uma máfia e cada um tinha o seu papel. Ricardo e Pedro eram os conselheiros, enchiam o povo de pitaco mas sempre concluíam com frases tipo “mas veja lá você, não quero me intrometer…” ou “não precisa seguir o que eu digo, é só uma sugestão…”. João e Oriental sempre promovendo alguma coisa, chamando pra um churrasco, lembrando dos aniversários – e obviamente contando as melhores histórias – eram “a cola” do grupo. Vidal era o sujeito misterioso e mais ferrado de todos: ninguém sabia bem o que ele fazia, já estava na segunda separação e sempre passava do ponto nas festas. Bolacha, por ser mais novo e o último a entrar no grupo, era o calouro, o estagiário, o zoado sem nunca zoar, o aprendiz e qualquer outro apelido que deixasse claro que ele nunca seria respeitado. A piada preferida era responder à qualquer comentário seu com “alguém viu o prazo de validade dessa Bolacha? Parece que tá vencendo…”.

De todos, nos restou o Mateus – até porque ele merece um comentário à parte. Se todos tinham o perfil clássico do filho da classe média alta, Mateus era um homem que se criou sozinho: pais sempre se separando, filho mais velho de três, acabou aproveitando a revolta adolescente e o trabalho no mercado para sair de casa e morar num pensionato. Depois conseguiu se tornar caixa e gerente, sempre ajudando os dois irmãos com um pouco de dinheiro e alguns conselhos. Com 22 anos já morava sozinho há tempos e dava conta do emprego e faculdade. Fez Administração por três anos mas mudou para Marketing pois recebeu uma proposta de emprego que exigia dessa graduação. Hoje com 37, casado e com quatro filhos – a última gravidez da esposa foi de gêmeos – dá conta de sua empresa com a maior naturalidade e por tudo isso, e mais um pouco, é chamado de Patrão pelos amigos.

Mas o apelido veio mesmo após o acontecimento mais grave que o grupo passou.

Era meados de 2005, todos estavam regulando a idade de 20 à 25 anos. Um dia foram no churrasco de fim de ano da faculdade do Oriental, ele estava se formado em Direito, e fora o João que sempre namorou, o resto estava meio solteiro e bastava dizer três palavras mágicas “cerveja, churrasco, mulher” que eles apareciam feito Mestre dos Magos. A festa começou cedo e lá pelas 2h todo mundo já não sabia mais o rumo de casa.

Foi quando ouviram um grito e começou o corre corre. Não demorou muito para encontrarem o Felipe desmaiado no banheiro, meio sem pulso e com o nariz sangrando.

Em horas como essas dividimos os homens dos meninos.

Bolacha juntou o Pedreira e o Ricardo, se enfiaram num táxi e voltaram pra casa assustados. Nem viram o ocorrido, mas como tinham fumado maconha e dividido uma bala, ficaram com medo de serem presos pois ainda estavam bem altos. Vidal viu tudo de longe, mas como estava bêbado demais dando uns pegas numa caloura num sofá velho no canto – depois que ela saiu correndo – ficou por lá e resolveu não se meter no assunto. João despachou a namorada mas ficou feito barata tonta e, sem saber o que fazer, não saiu da cola do Oriental. Os dois ficaram meio de platéia ou ajudando em pequenas coisas e no final estavam meio em choque.

Foi Mateus, que como um chefe, deu conta do recado:

chamou um sujeito grande e ajudou a tirou Felipe do banheiro, colocou ele numa mesa, deu bronca nuns bêbados, pediu para umas meninas trazerem água e o kit de primeiros socorros, mandou desligar a música, ligou para ambulância e ainda encontrou uma estudante de Medicina meio sóbria para tentar reanimar o rapaz. Em meia hora ele estava coordenando todo mundo e botou todos na linha. Quando já era dia, foi o último a ir embora. Esperou a família de Felipe chegar no hospital para poder acalmar Dona Regina e Seu Aloísio – ainda deixou o número de telefone para qualquer eventualidade. 

Tudo isso causou um impacto imenso no grupo.

Após aquele dia, quase ninguém disse nada pois ainda estavam absorvendo tudo. Porém, lá no fundo, todos entenderam que Mateus tinha algo que eles não tinham. Foi só depois de dois meses, num dia que o Patrão não pode ir beber com os amigos, que voltaram para o assunto. Foi Vidal – que apesar de ser um doido sempre tinha seus momentos de sabedoria – que acabou dizendo o que ninguém até hoje havia dito.

– Piazada, sou só eu ou vocês ainda pensam naquele churrasco? Eu tava caindo de bêbado mas parece que foi como ver um filme, eu ainda lembro de tudo…

Todos riram. Certeza que pra lembrar disso você teve de esquecer o nome da sua mãe!, disse Pedro.

– Sério, cacete! Ouvi aquele caos e no meio de tudo lembro que o Mateus apareceu e me perguntou de você, Ricardo, e de você, Pedro. “Cadê os piás, Vidal? Puta merda, eles sempre somem nessas horas!”. Eu tentei levantar mas ele me empurrou pro sofá dizendo que mais um locão não ia ajudar em nada. Eu fiquei lá, né? Não vamos contrariar o chefe de plantão. Mas foi impressionate, cara. Até hoje penso nisso: como é que um piá de merda conseguiu mobilizar todo mundo como se fizesse aquilo desde que nasceu? Sério, vocês não estavam lá, seus zé droguinha!, mas em dois toques todo mundo obedecia ele, todo mundo confiava nele.

Acho que a gente é um bando de frango…

– Já parou para pensar, interrompeu João, que ele sempre faz isso? Porra, tamo com uns vinte anos e o cara sempre foi tipo nosso padrinho. Sei lá. Lembra aquela vez que teu pai queria se separar, Oriental? O Patrão te ligou, conversou contigo, deu um monte de dica, explicou pra gente o que fazer e ainda conversou com teu pai. Cara, com teu pai! Quem faz isso com 16 anos, porra!? E aquele dia que eu tava mal pra caraio por conta da desgraça da Sofia? Ele me escutou e deus uns puta de uns conselhos massa, até hoje eu lembro dele me dizer “você ainda é muito novo pra sofrer tanto”. Meu, olha essa frase!, da onde ele tirou isso? E na boa, nesse churras aí, ele salvou a vida do Felipe! 

Naquela noite eles seguiram conversando sobre o Mateus. Pela primeira vez tiveram consciência que ele tinha algo de diferente de todos eles.

Ainda conversaram bastante, mas foi o Bolacha que melhor traçou o cenário.

– Sem zoeira, pessoal! Mas a gente é um bando de piá de prédio que o primeiro emprego só foi depois da faculdade. Antes era só estágiozinho de meio período que a gente reclamava mais do que podia. Enquanto a gente achava que tava morrendo pra entregar uns relatórios toscos e tomar café enquanto dava em cima da secretária do chefe, o Mateus tava ralando desde manhã e ainda fazia faculdade. E eu era calouro dele. Eu me ferrando, enquanto o cara passava sempre sem DP! E o mais foda, eu soube que ele chegava em casa e fazia a marmita do dia seguinte! O Ricardo, essa montanha de gordura que é, nem sabe fazer um ovo!

Sei lá, mas acho que ele sempre deu conta da vida dele, e a gente não sabe o que é isso…

Depois disso a conversa dispersou. Mas no dia seguinte quando o Oriental mudou o nome do grupo, todo mundo entendeu a referência da foto: eles eram a Máfia porque Mateus era o Poderoso Chefão. E tudo foi confirmado quando receberam a mensagem dele perguntando: Piazada, como foi ontem? Eu tava atolado de trabalho. Você não fizeram merda, né? 

 

 

Assim como eles, todos nós temos algumas referências de maturidade em nossas vidas mas que normalmente passam em branco até algum evento evidenciar aquilo que é óbvio.

Aquele que busca todo dia “dar conta do recado” – como diria minha mãe – está sempre mais propenso a amadurecer. E todo dia nós encontramos situações que nos oferecem a possibilidade de melhorar e se postar de forma mais madura. Pois, no final das contas:

Maturidade é conseguir fazer o que deve ser feito.

Caso você siga essa lógica, perceberá que tudo ao nosso redor pede resolução. Muitas vezes são questões bastante práticas – como uma louça esquecida na pia – mas talvez, na grande maioria das vezes, o que está em aberto são questões pessoais.

Dar conta do que deve ser feito é primeiro dar conta de você mesmo: seus medos, receios, sonhos e deveres.

Mateus só deu conta do desmaio de Felipe pois há tempos dava conta de si mesmo. Ele já era um homem que conseguia organizar e resolver problemas antes daquele churrasco. Quando encontrou mais uma questão em aberto para ser resolvida, ele simplesmente fez o que tinha de ser feito, pois é isso que ele vinha fazendo desde sempre.

A pessoa madura sabe que a vida é uma sequência de problemas esperando soluções – e não há nada de errado com isso.

O interessante nesse ponto é escutar o discursos dos imaturos, pois normalmente, tudo é dividido entre os Vencedores versus Fracassados. Veja os adolescentes, normalmente eles têm algum grande feito que desejam realizar, e caso consigam essa conquista, a vida está dada por satisfeita.

Sendo assim, enquanto essa questão ainda não é resolvida, eles se vêem como fracassados ou culpam alguém (normalmente a família ou a sociedade). Realmente acreditam que a vida é realizar alguns feitos e ponto final. É como ainda sonhar com o clássico “e foram felizes para sempre”. Ironia do destino: caso seja realizado o que queriam, também se decepcionam, pois o mundo não era tão cor-de-rosa quanto sempre sonharam.

Amadurecer é perceber que os problemas nunca irão acabar e, portanto, mais importante que esperar o dia em que não terá mais dificuldades, é preparar-se para resolvê-las o melhor e mais rápido possível.

Seguimos com esse tema em breve, ainda há muito o que dizer! 

 

 

Maturidade #2 – postura diante da vida

Segunda Guerra Mundial, trincheira do exército inglês.

A chuva já assolava a região há tempos, poças e alagamentos são um cenário comuns por aqui. Mesmo assim, hoje, o inimigo resolveu acordar cedo: desde o raiar do dia até agora, meio da tarde, os tiros e explosões podem ser escutadas há quilômetros de distância. Se olharmos bem para o buraco do lado inglês, veremos dois capacetes verdes: um é Joseph, o outro é Henry.

No meio da confusão, estilhaços e tempestade, esses dois soldados – de tempos em tempos – se viram para o outro lado e descarregam parte do seu arsenal.

Ao se esconder com as costas no barranco, Joseph grita e gesticula. Henry, por sua vez, após atirar, costuma voltar-se,  abaixar a cabeça e fechar os olhos. Segurando seu rifle com toda a força, parece estar concentrando suas energias para a próxima investida.

Para o olhar desatento os dois parecem fazer o seu dever, cada um à sua maneira. Porém, o que ninguém percebe é o grande abismo que os separa. Joseph, desde o recrutamento, é o arquétipo do soldado: sempre treinou com intensidade, tem interesse pelo equipamento, se aprimorou nos finais de semana em um curso sobre tática de guerra e além disso, nunca reclamou de gastar seus dias no exército. É o nosso dever defender o país, sempre disse ele. Já Henry…

Rapaz tímido e fechado, foi convocado e aos prantos, quase e arrastado, foi para o exército. Impressionável desde criança, a primeira vez que ouviu um grito de seu superior deu um pulo tanto grande que até hoje é chamar de “Jumper”. De noite, quando os soldados se reúnem, é comum escutar ele se lamentar sobre a Guerra, dizer que tudo isso é em vão, e que todos deveriam pensar mais no amor do que na guerra. Os companheiros nem dão mais bola: todo pelotão tem algum pacifista arrependido que sempre acaba sendo afastado por um colapso nervoso.

Pior, esse é exatamente o caso aqui.

Hoje, um pouco antes de raiar o dia, Joseph e Henry foram dois dos escalados para cuidarem da primeira trincheira. Como é de se esperar, o segundo quase entrou em desespero, enquanto o primeiro foi estudar mapas do local e fumar tranquilamente seu Lucky Strike sem filtro. Enquanto se dirigiam para seu posto, Henry estava tão nervoso que ensopou a camisa antes mesmo de chega na chuva.

Foi só depois da terceira tentativa de abater um nazista que Joseph se deu conta do que acontecia ao seu lado.

– Que que tá acontecendo? Ei, você tá bem? Que porra é essa?

– Tô sim.. Tá tudo bem…

Joseph se vira novamente, acerta a perna de um inimigo, se protege, dá ordens para o outro soldado e então de novo volta-se para o companheiro. 

– Você tá branco e tremendo, cacete! Isso não é normal! 

– Vai passar, vai passar, vai passar… – disse Henry fechando os olhos

O que ele ouviu na sequência foi apenas a voz de Joseph ao longe gritando por um enfermeiro. O corpo amoleceu, tudo ficou preto e ele sentiu ser carregado. O jovem só se deu por si quando estava na enfermaria e escutou a enfermeira chefe dizer: acordou, bela adormecida?

Para continuar falando sobre o tema da semana passada, preciso antes fazer uma simples pergunta:

Se estivesse naquela trincheira, qual soldado você escolheria para estar ao seu lado?

A maturidade, além de ser um caminho sem volta, não funciona como a maioria das nossas conquistas modernas: você se esforça, passa por algumas provas e então ganha um atestado ou diploma que comprova a sua vitória.

A maturidade é uma postura diante da vida.

Quando falamos em amadurecer, você já deve saber, não existe uma grade curricular básica para cumprir. Amadurecer é assumir uma postura responsável diante da vida e evitar a todo custo ceder ou desanimar.

Mas como faço isso?, você pode perguntar. Eu e o Chico, quase que diariamente, damos o mesmo conselho nesse quesito. E repito aqui:

Faça tudo bem feito.

Muitos nos escutam e viram a cara, pois parece um comportamento muito básico para resolver um problema tão grande, mas é bem aqui que mora o perigo! Fazer o máximo para que tudo seja bem feito é o primeiro passo para assumir uma postura responsável diante da vida, logo, é o início da maturidade.

Em outras palavras, soldado, missão dada é missão cumprida!

Hoje mesmo falava sobre isso com um paciente e lembrei dos milhares de filmes de luta ou de guerra que já assisti. Em especial me veio à memória o Karatê Kid! Lembram da cena em que o Senhor Miyagi ensina o jovem a lavar o carro? Nós assistimos àquela cena e pensamos: Nossa, que interessante, ele está ensinando técnicas de luta de uma forma diferente! Ele está preparando o menino para a luta e o rapaz nem percebe! Tenho certeza também que ao assistir o filme você queria que Daniel treinasse direitinho para vencer a grande batalha final.

O mesmo ocorre com você!

Quando digo que você deve fazer tudo bem feito é porque a vida também exige preparação, concentração e treino para várias batalhas que ainda virão. E como você vai ser portar diante disso: como uma criança birrenta que chora a cada bronca do treinador ou como um lutador que assume seu papel e treina como se não houvesse amanhã?

Claro, infelizmente nossa vida não é um filme hollywoodiano dos anos 80 em que o roteiro é tão previsível que você já sabe o que vai acontecer no final. Mas independente disso, você precisa assumir o seu lugar no mundo – no aqui e agora – e fazer o que você deve fazer.

E o mais interessante disso tudo é compararmos tudo isso que eu disse com o discurso moderno de felicidade. Você, querendo ou não, já deve ter entrado em contato com qualquer um desses empreendedores de palco que te motivam à conquistar seu milhão ou então certas vertentes religiosas que se dizem cristãs mas acreditam que toda graça divina só vem em forma de cédulas.

Eles sempre colocam como objetivo de seus esforços a conquista financeira, ou seja, você só é um vencedor e ganhou a vida caso tenha ficado rico. Aqui os discursos de chocam:

Maturidade não tem relação nenhuma com sucesso, poder ou dinheiro.

Como reforcei algumas vezes aqui: maturidade é um postura diante da vida. Em nenhum momento eu disse conquista financeira ou felicidade conjugal. Sabe por quê? Porque esses objetivos podem ser conquistados por pessoas maduras ou imaturas. Vai me dizer que nunca conheceu um rico famoso completamente imaturo, né? Ou então uma pessoa extremamente pobre mas com uma sabedoria e maturidade imensa?

A maturidade te ajuda a lidar com as dificuldade e desafios da sua vida mas não garante nada!

Para concluir, voltemos ao exemplo dos nossos dois soldados. Agora acredito que ficou até mais fácil responder àquela primeira pergunta. Afinal de contas, ninguém quer um Henry dividindo o front na batalha da vida, não é mesmo? E mesmo sabendo que as chances de Joseph morrer são bem maiores que as dos colega medroso, ainda assim ficamos com ele. Sabe porquê?

É melhor morrer cumprindo seu dever com coragem que viver acuado como um convarde. Pois o caminho da maturidade é em todas as circunstâncias a melhor opção.

Semana que vem falamos mais sobre esse tema!

Até breve, soldados!

    

    

  

Maturidade #1 – caminho sem volta

Maria tem 27 anos.

Há dez mora na cidade. Começou dividindo o apartamento com duas primas, mas logo a convivência ficou estremecida pois enquanto se dedicava a estudar para passar em Direito na Federal, as primas só queriam saber de maconha, cerveja e festa o dia inteiro. Para sua sorte, não sofreu muito com o vestibular, passou bem na segunda tentativa e logo que conseguiu um estágio foi morar sozinha. 

O apartamento era um “quarto e sala” no centro. Toda vez que um ônibus passava as janelas velhas tremiam. Com o tempo se acostumou com o barulho, afinal de contas, mais barulhenta que a rua eram os vizinhos. Parecia combinado: era ela sentar para estudar e o casal ao lado começava a gritaria. Os argumentos ela sabia de cor. 

Se fossem só eles dois, tudo bem; mas o que cortava o coração dela era o pequeno Anthony – sim, esse era o nome! – que sempre fazia do seu choro a trilha sonora da discussão do dia. Como estudar ouvindo choro, gritos e ainda sentindo aquele aperto no coração pela criança? Maria até tentou conversar com os dois, mas era pior. Um dia havia acabado de falar com a vizinha e ouviu em alto e bom som: “até os vizinhos não te suportam mais, seu escroto!” Então, escutou socos e chutes na parede aos berros “escutem mesmo, seus merdas! Pensam que são quem, seus filhos da puta!?”.

Com o tempo, Maria conseguiu arranjar um novo lugar para morar e também trabalhar. Estudante exemplar, conseguiu uma bolsa de estudo na Espanha por seis meses. Sofreu um pouco por lá, mas conseguiu dar conta e aproveitar a oportunidade. 

Hoje ela está formada há seis meses e trabalha como auxiliar de um advogado trabalhista, um ex-professor que sempre acreditou em sua aluna. 

Mas não só de estudo e trabalho vivia a moça. Certo dia resolveu sair com uma de suas primas. Apesar de escolhas de vida completamente diferentes, Maria gostava de conversar com a Rê às vezes para espairecer e dar risadas. 

Foi numa noite dessas que conheceu Pablo.

Pablo nasceu em berço de ouro. Desde menino era considerado o garoto prodígio da família pois conversava com todos e parecia um adulto em corpo de criança. Por conta disso sempre foi esperto. Na adolescência era para ter repetido de ano várias vezes, mas sempre conseguia passar no conselho de classe. 

Foi nessa época também que aprendeu a tocar violão, pois seu tio Rogério sempre dizia que ele precisava aprender a ouvir a verdadeira música: começou ouvindo Beatles e uma coisa levou à outra. Do violão passou a tocar guitarra e com 18 anos montou sua primeira banda. No começo era meio Reggae, mas depois embarcou na onda do “som de praia”, como ele gostava de definir, e acabou fazendo algum sucesso com a piazada tocando em festas e churrascos.

Como era esperado, com todo esse desenvolvimento artístico, a vida de estudos continuou do mesmo jeito: foi levada nas coxas. Passou em administração, transferiu pra letras, tentou um ano de psicologia e desistiu da vida acadêmica na primeira semana de ciências sociais. “Minha vida é a música, o que importa é expressar tudo que vem do coração”, dizia ele ao ser perguntado sobre sua vida profissional. 

Ele acreditava em sua arte, mas não é difícil imaginar o que sua família pensava disso, né? Pai engenheiro e mãe ex-enfermeira, viam o filho como um rapaz meio perdido. E esse era o grande motivo das brigas diárias que recentemente aconteciam na casa da família – eram diárias pois o rapaz ainda morava no ático no fundo da casa e quase todo dia almoça com eles. 

Ele tinha 22 anos naquela fatídica noite em que conheceu Maria. Talvez por um ser o complemento do outro ou por pura obra do acaso, os dois estão juntos há um ano e meio. 

Mas nem tudo são flores.

Depois da pequena fase do encantamento do início do namoro, não demorou muito para começarem os problemas. 

Maria, como esperado, era o pé no chão do casal: pensava na vida prática, na carreira, gastava muito do seu tempo tentando se atualizar na área e quando acabava a correria do trabalho, gostava de ficar em casa ou no máximo sair com amigos para conversar em algum barzinho. Pablo era o sonhador: na luta por se tornar mais conhecido, passava a maior parte do tempo compondo músicas com os amigos, virava madrugadas e sempre que havia alguma nova banda tocando ou festival acontecendo, estava lá divulgando seu som. 

Certa noite, ele resolveu mostrar uma música nova para a namorada. Ela escutou desinteressada e ele explodiu: por que você não dá a mínima para o que eu faço? Maria, sem conseguir se conter, acabou por despejar tudo que pensava. Ela não entendia porque ele ainda insistia nessa história de música: “você é um cara tão inteligente, mas se perde nessas ilusões! Essa história de música não dá futuro e você ainda nem conseguiu sair da casa dos pais!.

Como vamos fazer com o nosso futuro?” 

Pablo disse que não sabia que estava namorando com uma senhora de 50 anos e que ficava puto quando ela não acreditava nele. Maria respondeu que do que jeito que as coisas andavam, ela nunca iria ter um filho dele. “Afinal de contas”, finalizou ela, “eu teria de cuidar de duas crianças: você e o bebê!”. 

O silêncio enfim se fez. Por um bom tempo os dois ficaram olhando para o nada sem saber o que fazer. Foi Maria então quem, com esforço, se levantou e disse: “eu preciso ir pra casa e teus pais já devem estar dormindo”. Saiu sem falar mais nada. Ao chegar no carro desabou e foi chorando para casa, e chorando chegou, e chorando dormiu sem perceber.

No dia seguinte, almoçando com duas amigas da sua turma da faculdade, ela contou tudo e ao final ainda se perguntava: “como é que ele não entende o que eu quis dizer? Ele parece um adolescente e eu vou ter de cuidar até quando? Será que vai ser assim pra sempre?”  

A pergunta de Maria é a pergunta de muitos e a sua fonte é uma só: maturidade. 

Maturidade é um caminho sem volta. 

Uma vez que você consegue amadurecer um pouco, esse pouco nunca mais te deixa. Um conhecimento adquirido é uma verdade que não pode ser negada, ainda mais quando o conhecimento foi conquistado por meio do sofrimento de sua própria vida. 

Quem morou sozinho e pagou suas próprias contas sabe que sempre irá levar em consideração o preço das coisas. Quem sofreu com perda de um ente querido e teve de trabalhar desde cedo nunca mais vai esquecer essa fase da vida, simplesmente porque tudo isso fez você ser quem você é. 

A maturidade então é o benefício que todos temos ao passar nas provas da vida.

Se no colégio nosso objetivo é passar de ano, na vida é passar de fase. E como eu já disse, é um caminho sem volta. 

Muitos sofrem por essa questão – principalmente em relacionamentos. Um dos dois está um passo à frente do outro, olha a vida de forma diferente pois já viveu situações que o obrigaram a se desenvolver. Já o outro lado ainda está verde, precisa de muito para amadurecer. 

Assim como as frutas, é a maturidade que faz você cair do pé familiar, sair da dependência dos pais para então realizar o seu sentido da vida. 

Saiba, não há sentido da vida ou vocação sem maturidade. E vou repetir quantas vezes for necessário:

Não há sentido da vida ou vocação sem maturidade. 

Sem ela você não tem três bases estruturais para realizar seu ser no mundo:

1. noção adequada da realidade,

2. conhecimento de si e de seus limites e

3. coragem para encarar a vida.

Por isso, todas às vezes que me procuram com algum problema vocacional, a primeira pergunta que faço é: você mora sozinho? Paga suas contas? 

Parece uma questão bem besta para aqueles que acreditam estar em busca de uma atividade espiritual elevada e dispostos a se sacrificar por isso. Vejo em 90% dos casos uma expressão que me diz: “por que diabos você quer saber disso se estamos falando de algo superior? Por que se apegar à trabalhinhos pequenos se eu quero algo maior e elevado?” 

Só essa expressão já bastaria para saber o nível de maturidade do sujeito. Mas quando me confirmam dizendo que ainda moram com os pais e não trabalham, sei que ainda estão verdes para pensar em sentido da vida. 

Pois sempre sigo um princípio bem claro:

Antes de ser uma pessoa que realiza sua vocação, você precisa ser uma pessoa. Esse é o caminho natural das coisas. 

O que escrevo aqui não é nenhuma visão de tiozão chato que deseja que todos se tornem adultos adequados – se bem que não seria uma má idéia, né? A questão é que ninguém deseja não amadurecer (ainda desenvolverei o conceito imadurecer ou inmadurecer). 

A vida é para frente, nunca para trás.     

Por isso mesmo, você, ao ler o meu exemplo acima, sabe que Maria está certa. Se alguém tem de se esforçar é o Pablo e não ela. Sabe por que você acha isso? Porque ela é madura e deseja realizar feitos que só pessoas maduras podem realizar. 

O problema não é a atividade que você – ou o Pablo – escolheu, a questão é a postura diante da vida que você toma. 

Mas esse é o primeiro capítulo sobre esse tema. 

Em breve falo mais sobre aspectos da maturidade, mas não se esqueça: maturidade é um caminho sem volta, e todos devemos nos esforçar para cada dia ser mais maduros. 

 

Poscast #2 – Black Friday e Stranger Things 2

Já está no ar o nosso segundo podcast.

Dessa vez, além de falarmos sobre a nossa Black Friday, também comentamos o seriado Stranger Things – principalmente a segunda temporada. 

Sabe qual a relação desse seriado com o tema da maturidade, sentido da vida e sacrifício?

Clique na imagem abaixo, escute nosso programa e descubra! 

https://soundcloud.com/osnaufragospodcast/podcast-2

Lembrando que toda sexta tem um podcast novo.

E caso queira tirar alguma dúvida, enviar alguma sugestão de tema ou pedir uma ajuda, escreva para: podcast@osnaufragos.com.br

Dê o play e divirta-se! 

Até sexta que vem, abraço. 

BLACK FRIDAY

Jean Paul Sartre costumava dizer que o importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.

Nada poderia ser mais verdadeiro. A vida pune e pune mesmo. A maturidade é o momento em que separamos a ideia de que teremos da vida só coisas boas, por sermos pessoas boas. Esse é o cartão de boas-vindas da vida adulta.

Nós, dos Náufragos, estamos aqui para isso: enfrentar a vida adulta, os seus percalços e, como Herman Melville certa vez disse: “Eu não sei tudo o que está chegando, mas, seja o que for, eu irei enfrentar sorrindo”.

Os nossos cursos não são sobre ganhar dinheiro ou conquistar o sucesso. Estamos mais interessados naquele pequeno bichinho, tão incompreendido e tantas vezes vasculhado; aquele que, arredio, se esconde da gente, a vida.

Falamos sobre lições aos pais, aos noivos, aos jovens casais e aqueles que desejam enfrentar os dilemas e as dificuldades dos tempos modernos. Às vezes, admitimos, achamos que falamos com todos.

Em celebração a mais um mês do nosso projeto, às centenas de clientes e amigos atendidos e à Black Week, nós estamos fazendo uma promoção em toda a nossa loja:

Na compra de um curso você levará outro automaticamente. Dois pelo preço de um.

Duas dores curadas com um único remédio. Não é tentador?

Fala a verdade, você ficou feliz, né?

Para ajudar você a se decidir, nós separamos alguns combos de acreditamos que são complementares uns aos outros. Que, escolhidos nessa ordem, potencializarão a sua experiência e os seus resultados.

São eles:

Combo Conquistando a Maturidade: Desenvolvendo a Imaginação + Como Lidar com os Pais na Vida Adulta

Se a sonhada independência parece cada dia mais longe e você já cansou de pensar alguma solução para entrar na vida adulta, esse combo é perfeito para você.

Combo Formatando o Coração: Como Terminar um Namoro + Como Vencer as Frustrações Amorosas

Seu namoro não anda bem das pernas, não sabe que caminho tomar e sente uma imensa frustração quando pensa em vida afetiva? Esses dois cursos te ajudarão a zerar a vida amorosa e resolver todas as pendências afetivas.

Combo Primeiros Passos: Enfrentando a Crise de 20 + Buscando o Sentido da Vida

Você fez 20 anos, percebeu que muitas decisões sérias precisam ser tomadas e não sabe nem por onde começar. Para evitar um início desastroso esses cursos te ajudarão a dar os primeiros passos da vida adulta.

Combo Recomeçando a Viver: Traição: como Lidar, Perdoar e Recomeçar + Desenvolvendo a Imaginação

A confiança foi quebrada e o recomeço não é fácil. Nessas aulas te ajudaremos a recomeçar a vida amorosa e entender todas as novas possibilidades.

Combo Dando a Volta por Cima: A Como Vencer as Frustrações Amorosas + Como Começar um Relacionamento

vida não foi muito boa contigo, teu coração ainda deseja um novo par mais tudo parece complicado demais? Unimos dois cursos que te ajudarão a sair da solidão: primeiro vamos resolvemos o passado e depois te ajudar com o futuro.

Combo Novos Horizontes: Buscando o Sentido da Vida + Desenvolvendo a Imaginação

Para sair da estagnação e enxergar novos horizontes, nada melhor que juntar nossos dois cursos mais vendidos para dar mais sentido a sua vida e de quebra desenvolver sua imaginação.

Combo Saindo da Inércia: Enfrentando a Crise dos 30 + Buscando o Sentido da Vida

Quando você se deu conta já estava com 30 anos e suas escolhas não foram as melhores. Você olha para trás e percebe podia ter feito diferente e ao olhar para sua vida sente um imenso vazio. Para sair da inércia de uma vez, esses dois cursos irão te ajudar a refazer o caminho.

Combo Independência com Sentido: Como Lidar com os Pais na Vida Adulta + Buscando o Sentido da Vida

Morar com os pais pode gerar muito desgaste. Porém, sair de casa sem rumo nunca é a melhor opção. Aqui temos a solução para esses dois problemas: você resolve o problema familiar e ainda encontra o sentido da vida.

Combo Sem Tempo a Perder: Como Terminar um Namoro + Como Começar um Relacionamento

Teu relacionamento atual está péssimo e você quer se preparar agora mesmo para a próxima tentativa? Nesse combo você não perde tempo: termina o namoro sem traumas e já volta pro mercado sabendo o que fazer.

Combo Adultescência Nunca Mais: Como Lidar com os Pais na Vida Adulta + Enfrentando a Crise dos 30

á entre os 30 anos e as brigas com seus pais são as mesmas desde os 15 anos? Todos seus colegas do colégio já casaram e estão quase no segundo filho e você ainda não mora sozinho? Esses dois cursos serão o primeiro empurrão bem dado para você deixar de ser Adultescente.

Combo Começando com o Pé Direito: Como Lidar com os Pais na Vida Adulta + Enfrentando a Crise dos 20

Com 20 anos estamos iniciando nossa vida adulta. Nessa fase pode surgir os primeiros estranhamentos familiares. Esse combo é uma vacina para evitar problemas com seus pais e com você mesmo.

Combo Vocação Plena: Buscando o Sentido da Vida + Como Começar um Relacionamento

Dizem que as decisões mais importantes da vida são a escolha da profissão e a escolha do cônjuge. Buscando cobrir a maior parte de seus dúvidas, esse combo te ajudará a se direcionar para seu sentido da vida e para seu futuro relacionamento.

Combo Resolvendo o Passado: A Traição: como Lidar, Perdoar e Recomeçar + Como Vencer as Frustrações Amorosas

Após passar por uma traição, nós podemos carregar algumas marcas. Aqui iremos te ajudar com teu passado, tanto em relação à traição quanto às consequências que você carrega.

Para participar, basta comprar um curso no período de 21 à 24 de novembro que enviaremos um e-mail para você escolher o segundo curso. 

Para comprar um curso basta clicar em “Cursos” na barra superior desse mesmo site e escolher aquele que você deseja.

Nossa promoção é por tempo limitado! 

Aproveite! Qualquer dúvida, basta entrar em contato pelo e-mail contato@osnaufragos.com.br ou através do nosso chat no site!

Francisco e Jota, dos Náufragos.

Por que meus relacionamentos não duram muito tempo?

Um rapaz conhece uma moça.

Primeiro encontro, tudo corre bem, ele tenta algo mas ela nega. Ao final da noite ele manda mensagem dizendo que foi muito bom, ela agradece a companhia.

Segundo encontro é em um local mais intimista, acabam por trocar beijos tímidos em público e mais quentes dentro do carro na porta da casa dela.

Terceiro encontro, após algumas indiretas por mensagens se encontram em algum local público qualquer e ficam pouco. Na hora de ir embora alguém sugere “ir para outro lugar” e obviamente acabam dormindo juntos.

De madrugada ela vai para casa com sorriso no rosto, chega e manda mensagem para as amigas contando todos os detalhes. Ele, por sua vez, conta vantagem pro melhor amigo de forma lacônica: então, rolou!

Eis o roteiro do início da grande maioria dos relacionamentos de hoje em dia.

Depois de se conhecerem, ficarem, transarem, começam a criar mais intimidade, conhecem os amigos de um e do outro, depois as famílias e por aí vai. Quando se dão conta que estão namorando? Depois da segunda transa? Ou talvez quando se apresentam aos amigos? Pra muitos, só quando atualizam o status para “relacionamento sério” no facebook.

Assim a vida segue e não demora para que aquela moça que até anteontem era uma desconhecida agora dormir na casa dele, e aquele cara do aplicativo se tornar tão ou mais amigo dos amigos dela.

Então, dia mais, dia menos, você se vê de repente no meio de uma briga: você é um grosso; é você que não me entende; por que você fez aquilo?; quem é aquele cara, porra?; tá louco?; você nunca sabe o que tá falando, cala a boca!; não fala assim comigo, caralho!; nunca devia ter saído com você, sai da minha casa!; eu é que não quero ficar, escroto; idiota.

Blan! A porta se fecha.

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Sozinhos, cada qual remói a discussão rebatendo novamente todas as falas do outro, de novo e de novo e de novo… Aí vem a sensação de ter sido enganado, que foi envolvido em algum tipo de golpe. Até ontem era tudo tão legal e hoje você descobriu que não passaria de ilusão: “Mentiu pra mim e eu, trouxa, acreditei.”; “Ele era tão gentil, nunca suspeitei que era controlador.”; “Ela sempre foi calma e agora me vem com essas chatices sem sentido.” 

No fim, esgotados, dão-se por vencidos. É nesse momento que o disco vira e esse monólogo insano se volta contra você:

por que eu sempre faço tudo errado?

Aí quem é de fumar, fuma um atrás do outro sem conseguir parar a máquina de pensar; quem é de chorar, chora até secar. Ambos passaram da paixão para se tornar os maiores analistas afetivos do mundo, naufragando na própria racionalidade que só dá voltas sem sair do lugar e transformou nosso sentimento em tristeza, derrota, fracasso.

Essas histórias, e suas variações, não são novidades. Você já deve ter vivido algo assim. Grande parte do problema está no roteiro emocional pré-estabelecido que nem percebemos seguir automaticamente.

Esse script diz que devemos sempre seguir nosso “coração” e deixar fluir. Carpe Diem, aproveite o momento. Seja livre, seja você. Só se vive uma vez, se permita ser feliz. _________________ (insira aqui um clichê). Porém, bastou um pequeno desentendimento – muitas vezes nada grave – e toda essa conversa de deixar fluir, de instinto, emoção, sentimento, desaparece e lá vamos nós chafurdar na razão para tentar entender o que estaria dando errado e como consertar. É nessa hora que recorremos a testes de compatibilidade, teorias, estatísticas, astrologia, estudos psicológicos duvidosos da internet. Qual a consequência disso?

Vivemos em uma bipolaridade afetiva.

Acreditamos que em questões amorosas quem manda é a emoção. Então, sem pestanejar, não pensamos ou avaliamos muito a relação em que entramos. Nos doamos por inteiro à paixão que sentimos, não ao outro que dizemos amar. Daí, quando passamos por uma situação conflituosa e precisamos analisar os fatos, nem sabemos por onde começar e vem o sentimento inverso da paizão: a raiva que quando passa vira tristeza. 

Não estou dizendo que está errado dar atenção aos seus sentimentos, pelo contrário. Viva cada um deles, aproveite. Mas não dê um passo maior que a perna. Pense no futuro, nos seus sonhos, nas suas necessidades e tente descobrir se o que você está vivendo segue nessa direção. 

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A velha rixa entre razão e emoção não existe. Todos os nossos sentimentos precisam passar pelo crivo da razão e toda conclusão precisa passar pela prova dos sentimentos.

Você não precisa escolher um lado, precisa ser inteiro. Se sua vontade é seguir de mãos dadas com quem você decidiu amar, é preciso que a emoção e a razão também se tornem um par. 

Sentir e pensar, pensar e sentir: essa é a solução. 

 

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Superando as marcas do passado: como reconstruir um coração em ruínas

O futuro de todo relacionamento tem apenas duas alternativas: seguir em frente e tornar-se cada vez mais sólido ou, infelizmente, acabar e cada um seguir seu rumo. A primeira opção é o objetivo que todos procuramos – quem não quer ser feliz, não é mesmo? Mas é sobre o segundo caminho que precisamos conversar. 

Términos não são fáceis. Você pode ter passado por vários e sempre que se encontra nessa situação passa pelo mesmo drama. Toda vez que descubro que um relacionamento terminou, sempre sinto certo pesar. Porque tenho certeza que não foi algo suave e agradável.

Posso parecer pessimista, mas sempre alguém sofre com o fim de um relacionamento.

Pode ser apenas uma das partes ou as duas, mas todo fim tem sua cota de dor. Cortar um vínculo que fazia parte de sua vida é como se de repente alguém tirasse uma das colunas de sua casa: o prédio começa a ter rachaduras, tudo fica incerto e parece poder ruir a qualquer momento. E assim como evitar um desmoronamento é custoso, o mesmo ocorre aqui: você logo corre para segurar a estrutura toda com vigas de madeiras improvisadas e tudo o mais que tiver à mão.

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Pior, às vezes até deixamos tudo desmoronar. Já que fulano não me quis, que se dane. Se ciclana me deixou eu também vou me deixar. Em pouco tempo o caos está completo: a casa perde a forma, tudo se torna um monte de entulho.

O coração machucado se quebra e a esperança se esvai como água em meio aos cacos de um vaso no chão.

Apesar disso, nem tudo está perdido. Tudo passa. Do meio dos escombros podemos ver alguns móveis que se mantêm de pé, uma parede que não caiu, a fachada ainda intacta. Então, como pedreiros dedicados resolvemos salvar essa casa em frangalhos: refazemos a planta, compramos novos materiais e aos poucos vamos acertando cada detalhe.

Substituímos a fase depressiva, triste e de auto piedade pela vontade de ser feliz de novo. Ligamos para amigos, saímos de casa, conhecemos gente nova, gastamos energia, voltamos a nos permitir conhecer alguém que valha a pena. Mas muita calma nessa hora: no desejo de recomeçar, podemos não notar questões de suma importância.

Todo o trabalho pode ser perdido se reconstruirmos nossa casa sobre uma estrutura condenada: não há fim sem sofrimento e todo sofrimento deixa marcas.

Não podemos ser inocentes e acreditar que uma ferida não deixará nenhuma cicatriz. Às vezes mentimos para nós mesmo dizendo que somos fortes e superamos tudo. Passado é passado. Mas em grande parte somos feitos do que passou, principalmente dos momentos mais sofridos: esses se agarram em nossa memória feito adesivo.

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Estudar o terreno é essencial antes de reconstruir nossa morada interior.

Olhar para tudo que passou, lembrar dos detalhes mais difíceis, passar nossas dores a limpo e organizar nosso interior são os primeiros passos a serem dados. Entre a tristeza e o desejo por novidade, parar e repensar todo o trajeto é sempre a melhor opção.

Quem não sofre com Síndrome da Abertura do Fantástico?

Fim do expediente de sexta. Você publica uma foto de copo de cerveja com a legenda “iniciando os trabalhos”. Curte outras sete em que se repete a palavra “sextou” e cai de cabeça no final de semana. Durante esse pequeno momento de libertação, você pensa “graça à Deus acabou tudo, vamo aproveita!”

Sexta passa rápido, sábado também. Quando você se dá conta é fim de tarde de domingo. Está sentado no sofá, finalmente descansando. Largado consigo mesmo, não presta atenção em nada. Mas domingos são assim mesmo, né? Você cochila (coisa boa!) e acorda já de noite. Então olha para tv e ouve a aquela música:

Eu sei, possivelmente você nem deu play no vídeo. Mas tenho certeza que a sequência de “Ah, Uh Uh Ah, Uh Uh Ah, Uh Uh Ah” soou nitidamente em sua cabeça.

Também não é difícil de saber qual o sentimento que essa música te remete: um leve tédio bastante familiar, como se a vida te lembrasse de que o sonho acabou e amanhã é segunda.

“Ah, mas eu não assisto mais a Globo!”. Não adianta, meu caro, você sofre igual. Domingo à noite parece ser o momento preferido para a tristeza aparecer. Casados sofrem por se verem esgotados e não ter conseguido descansar, solteiros por se sentirem sozinhos, empregados por saber que tudo vai recomeçar, desempregados por se lembrarem que não têm um trabalho.

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Domingo a noite é nosso deserto interior, um limbo entre a alegria do final de semana e a rotina que está por vir.

Sempre acreditei que esse momento deveria ser bom. Há quem tente utilizá-lo para propósitos mais nobres: amanhã eu começo a dieta, segunda eu resolve aquele problema, não passa dessa semana aquela pendência. Eu acho perfeito para um retrospectiva do que fizemos nos dias anteriores e ideal para sentarmos, olharmos tudo que temos pela frente e nos programarmos.

Talvez o problema seja bem esse: olhamos para trás e não encontramos muito para nos orgulhar; daí pensamos no futuro e, vixi!, mais do mesmo.

A Síndrome da Abertura do Fantástico nada mais é que a certeza de que algo está errado. Na grade de programas da tv aberta? Não, há algo de errado dentro de você.

Olhar 43 de quem sabe que está te deixando deprimido

Nosso grande inspirador, Viktor Frankl, fala um pouco sobre isso* também: “o vazio existencial se manifesta principalmente num estado de tédio. Por exemplo, na “depressão dominical”, aquela espécie de tristeza que acomete pessoas que se dão conta da falta de sentido de suas vidas quando passa o corre-corre da semana atarefada e o vazio dentro delas se torna manifesto”

Cara, que paulada! “Pô Jota, mas assim você me deixa mais triste ainda!”. Confesso, eu também sinto o mesmo lendo essa passagem. Mas deixemos de lado um pouco esse sentimento e vamos aproveitar para entender o que o Frankl quis dizer.

Quando estamos em um estado de tédio, comum aos domingos, se manifesta o que não percebemos durante as tarefas da semana.

Paramos de nos gastar com o que é externo. Então, vem à tona o que estava escondido no fundo do nosso peito. Não há nada que prenda nossa atenção, assim, há um caminho livre para esse vazio ser notado.

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É como ver o mar em maré cheia e depois em baixa. Na primeira, temos apenas a areia da praia, a àgua e as ondas. Mas quando vem a maré baixa, o mar se recolhe. Podemos ver as conchas que estavam escondidas, pedra antes submersas e até mesmo um recife desconhecido.

Domingo é nossa maré baixa. O que está submerso aí dentro e você nem sabia?

Aproveite esse momento e pense em você, nas suas escolhas. Caso contrário, a Síndrome da Abertura do Fantástico te mostrará algo escondido por debaixo de suas águas interiores – e tenho certeza, não será um linda mulher (ou um cara sarado) dançando com roupas futuristas.

* Livro “Em Busca de Sentido”, por sinal, o melhor livro para lidar com questões sobre o sentido da vida. 

 

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You know nothing: o que você não sabe sobre a última temporada de Game of Thrones

A sétima temporada de Game of Thrones acabou nesse domingo. Desde o penúltimo episódio, a série virou assunto controverso. Dizem que perderam a mão. Conhecida por sua trama bastante complexa e episódios surpreendentes, bastou um capítulo “previsível” para vermos uma fúria pior que do Dracarys. 

O que você não sabe é que nesse embate de críticas ferrenhas e defesas acirradas, uma das melhores cenas da série passou em branco: um diálogo entre Beric e Jon Snow. Não se lembra? Deixa que eu te ajudo.   

 

I. A Verdadeira Batalha

Esta cena, se não me falha a memória, é uma das poucas que deixa tudo às claras. Entendo quem goste daquela confusão moral que marca toda a trama. (Eu mesmo ainda acho que o Jamie irá nos surpreender e que a Arya está cada dia mais psicopata). Mas tudo cai por terra nesse diálogo.

No final das contas, o que importa é uma única batalha: Vida x Morte.

Não é óbvio? Mas é muito real. Tão real que nos faz rever todos os acontecimentos por esse prima. E talvez por isso, muitos tenham se frustrado: eles nos deram a régua para medir tudo o que vimos e ainda vamos ver. Porém, essa medida seria inútil se usarmos apenas para o seriado.

Pensando um pouco, também devemos defender a vida. Você pode não ter notado, mas nessa batalha cada um de nós faz sua parte. Quando acordamos cedo, trabalhamos, conversamos com amigos, brincamos com nossos filhos, estamos lutando sem perceber. You know nothing

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O que nos faz seguir em frente é o desejo de que a vida prevaleça sobre a morte.

Jon Snow está certo, não iremos vencer. Porém, aqui não importa o resultado, mas sim a postura diante do inimigo. Frankl já dizia que mesmo nos momentos mais difíceis, nas situação sem saída que temos em nossa vida, ainda assim, nós possuímos a liberdade interior de decidir como iremos enfrentar a realidade.

 

II. Qual o seu papel?

Se lermos esse diálogo com atenção, percebemos que ele nos ensina muito mais. Os dois são soldados. E o que soldados fazem? Lutam e defendem aqueles que não podem se defender. Novamente tudo é apresentado com uma clareza absurda.

Beric define qual é a vocação de um soldado e com certeza te fez pensar: qual é a minha vocação nessa batalha?

Sabemos que devemos lutar contra a morte, o motivo é evidente. Porém, cada um deve também definir qual o seu papel.

Definir nosso lugar no mundo é a maneira mais eficiente de evitar problemas, ajudar ao próximo e sermos felizes. Hoje, todos querem mudar o mundo, mas esquecem do mais óbvio: como você vai fazer isso? Cada um de nós é limitado, por isso, cada um tem um papel específico nessa história.

Enquanto você não descobre o que irá fazer com sua vida, todos seus atos podem carregar a marcar da dúvida, aquela sensação de estar no lugar errado.

 

III. Encontrando a paz de espírito

Até aqui esse simples diálogo nos ajudou em dois pontos essenciais. Porém, a mensagem de Beric parece os White Walkers: não para por aí. Ele também nos deixa uma lição sobre nossa inquietação cotidiana:

Quando definimos nossa vocação, nossas dúvidas caem por terra. Não precisamos mais entender tudo. Viver para realizá-la talvez seja o suficiente.

Se eu sei o que fazer, concentro minhas forças nessa atividade, gasto meus dias com isso e busco cada vez mais ser melhor no que faço. Uma mãe com filhos pequenos passa seu tempo cuidando deles. Sua vocação é essa. Ela não precisa entender tudo, basta saber que seu lugar é ali ao lado deles. Com um professor acontece o mesmo, ele quer ensinar seus alunos e isso basta.

A vocação é sempre o suficiente pois é uma missão digna de uma vida toda.

Pode parece pequeno ter poucas funções durante uma vida inteira. Mas ser simples é sempre mais complexo. Estamos acostumados a um mundo que nos exige sermos muito mais do que podemos ser e não conseguimos ser nada. Saiba, descobrir nosso papel nos acalma. Nos dá um trabalho sem fim, mas ganhamos a paz de espírito.

Ao final, você é uma coisa só. Beric e Jon Snow são soldados. E você, o que é?

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