Autor: Jota Borgonhoni

Sobre Jota Borgonhoni

João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

Transcenda o seu umbigo

Buscamos a felicidade incessantemente. Ouvimos pelos quatro cantos do mundo a idéia de que o sentido da vida é a felicidade ou que o homem nasceu pra ser feliz. Outra crença bastante difundida é a de que devemos fazer o que nos deixa feliz. Claro que alguém pode questionar: “mas você quer que sejamos tristes?”. A questão aqui não é essa. Continue lendo

A chama e a correnteza

Todas as vezes que acendo um cigarro, refaço o mesmo ritual: coloco-o na boca, seguro-o apenas com os lábios, acendo o isqueiro com a mão direita e protejo a chama com a esquerda. Esteja onde estiver, sempre faço essa sequência de atos e, sempre, a mão esquerda chega dois segundos depois da chama ter sido acesa. Continue lendo

Você está puto com a vida?

Georges Simenon, o famoso escritor criador do inspetor Maigret, escreveu vários livros auto-biográficos, dentre eles um chamado Pedigree, em que tinha um objetivo: “Com Pedigree eu quis drenar todo o pus. E fui fundo nisso”. Ele estava cansado de escrever “bufando e espumando pela boca”. Queria curar as feridas em sua existência. Mas, segundo o autor de sua biografia: “por sorte, ele não conseguiu”. Sim, foi sorte. Continue lendo

Sinceridade conveniente

Quero curar meu coração partido sendo biscate e contigo já não dá mais”. Foi isso que ele ouviu quando perguntou o que estava acontecendo e pediu sinceridade. A sinceridade veio, mas, o que fazer com ela?

Ele  não soube o que fazer.

Levantou, andou  pela casa, com a mão suando, fumou dois cigarros em sequência e começou a eterna luta moderna no Whatsapp:

Online. Digitando… Online. Digitando… Online.

Para sua sorte – e da moça – parou na fase online e conseguiu segurar, por um fiapo de consciência, o trem prestes a descarrilhar. Afinal, ela foi sincera, como nunca tinha visto ser. Qual o mal nisso? Continue lendo

Sexo é tudo isso mesmo?

Sexo é bom. Não tem como negar. Poderia aqui divagar muito mais, mas você sabe do que estou falando. Lembro quando era piá, amigos diziam que o mundo se movia por isso: o ser humano era motivado pelo desejo de transar. Criavam teorias, prédios, guerras, estradas. Tudo por causa do sexo. Há quem ainda pense assim.

Agora, sejamos sinceros: é bom; mas será que é tudo isso?

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O sofredor light

Não é de hoje que o homem é incoerente. Basta meia hora ao lado de alguém para encontrar ao menos uns dois indícios de alguma contradição. Principalmente no relaxamento. Do outro lado, a dor faz o inverso. Concentra-nos em um ponto e intensifica-o. Ela nos faz segurar o sofrimento pelas mãos e com determinação buscar qualquer coisa que possa acalmá-lo. Continue lendo

Assombrações de um zumbi

Todo mundo já levou um pé na bunda. Temos até uma vasta variedade de modelos: aquele na infância, quando o menino escreve num papel “quer namorar comigo?” e a menina dá risada com as amigas; também temos aquele da adolescência em que você olha ao longe a mocinha e, depois de gaguejar um pouco, consegue chegar perto e dizer “oi, tudo bem?”, tendo como resposta uma expressão facial de medo. Há quem foi dispensado antes de declarar seu amor: no dia em que foi dizer “eu te amo”, ela se antecipou e confessou que gostava de outro. Não podemos esquecer do clássico pé na bunda, já na vida adulta, que começa com uma negação e depois vem seguida da fuga bem na hora do pedido de casamento. E já que estamos falando de maturidade, porque não citar o tão bem difundido modelo “precisamos conversar, já tô com outra, acho melhor nos separarmos, passar bem”. Continue lendo