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Masterchef e o amor que transforma a vida

Cozinhar é definitivamente uma arte. Para nossa sorte, recentemente vemos uma avalanche de novos artistas. Juro, se pudesse gastaria bem mais com minha alimentação. Como não posso, me resta imitar um cachorro na vitrine de uma churrascaria. Porém, nessa busca por saciar minha curiosidade gourmet, minha noiva me apresentou o Masterchef. Foi amor ao primeiro prato!

Como você deve saber, o programa é um reality show em que todo episódio um cozinheiro é eliminado. Ao final resta apenas um. Porém, depois de acompanhar umas três edições, parei de me preocupar com quem venceria. Tinha algo mais interessante e que sempre passava em branco: o depoimento dos perdedores.

Se deixarmos de lado as frases motivacionais da Ana Paula Padrão, veremos que há uma pergunta muito interessante que ela sempre faz na entrevista final:

O que você vai fazer a partir de agora?

Abaixo segue a reposta de seis competidores do último programa. Como bom psicólogo, volto em seguida para analisarmos tudo isso.

Percebe que todas respostas têm algo em comum? Apesar de serem sete pessoas diferentes, a conclusão que tiveram traz a mesma marca da vontade de seguir em frente, da mudança de vida de ter conquistado algo que não querem mais perder. Todos ali foram impactados pela experiência e nada será como antes. Isso se dá por uma questão até óbvia:

Fazer o que ama transforma a vida.

O que precisamos entender é que amar é muito diferente de gostar. Gostamos de milhares de coisas, mas amamos poucas. Porque o amor é uma escolha. Amar exige dedicação, esforço, persistência e principalmente vontade para manter essa decisão. O que os motivou não foi apenas um interesse morno pela cozinha, algo que faziam quando não tinha mais nada a fazer. Foi amor!

Note, todos esses competidores têm suas histórias entrelaçadas por panelas, receitas, esforço e comida. A experiência do programas apenas deu lhes deu a chance de colocar isso em prática. Botaram o amor à prova.

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Vendo essas histórias é impossível não pensarmos em nós. Quando ouvimos relatos de experiência que mudaram a vida, em nosso peito também vem esse desejo (não vai negar agora que sente o mesmo, né?). É nessas horas que ouvimos aquela voz interior nos questionar:

O que eu amo e pode mudar minha vida?

Você consegue responder essa pergunta? É complicado, porque dizemos muitas vezes amar mas não nos dedicamos a esse amor. Então, que amor é esse afinal?

Aqui nos Náufragos falamos muito sobre sentido da vida e vocação, porque resolver isso é a tarefa mais importante que você tem. E todo o seu caminho começa em saber o que você ama. 

Nada do que eu disse aqui é muita novidade. Erramos de rota diversas vezes, esquecemos nossa identidade, nos perdemos em distrações.

Tenho certeza que você já teve a nítida impressão de que gasta seu tempo com a coisa errada.

Muito desse sentimento que você continua carregando no peito vem do medo de errar. Medo que todos os competidores tiveram, medo que paralisa e faz com que seu sonho não passe de uma ilusão.

Mas aqui também a experiência dos nossos chefs nos ajuda. Nas respostas que deram, há mais uma frase que se repete:

Eu nunca imaginei que fosse tão longe

Quando vencemos o medo, encaramos o desafio e buscamos fazer o que queremos, sempre – sempre mesmo – vamos mais longe do que imaginamos. (E veja que essa é a declaração dos perdedores, hein!) Entenda de uma vez por todas: nosso mundo mental é muito limitado, nossa imaginação é curta, somos mais capazes do que achamos ser.

Então, como diria o Valter, vai atrás, corre e realiza. Ficar com a bunda no sofá não resolve porcaria nenhuma! Não espere criarem um programa com aquilo que você ama. Bote seu amor à prova e verá que ele ainda te levará bem longe.

Qual a música ideal para o Dia dos Namorados?

Já reparou que na maioria das canções românticas que têm letras falando de amor “para sempre” a parte musical é de uma tristeza como se tudo já tivesse acabado?
 
Por exemplo, a música romântica nº 1 nas paradas de todos os tempos, segundo a Billboards. É Endless Love, dueto de Lionel Richie com Diana Ross. Se o nome não foi suficiente para sua memória musical recordá-la, aposto que basta escutar 3 segundos para você lembrar que não só conhece como a escutou mais do que gostaria:
 

 
A maravilha de amar está aí na letra: amor infinito, para sempre, dois corações batendo como um só etc. Mas se você escutar a música sem prestar atenção à letra parece que alguém morreu e quem ficou está na sofrência. Não é?
 
Por isso acho que músicas assim não servem de maneira alguma para um dia como o dos namorados. Porque namoro é a fase paradisíaca de todo relacionamento amoroso. É quando o sentimento impera mais do que qualquer outra coisa. Tudo é lindo, pleno, alegre, parece endless. Para quem está nessa fase o dia dos namorados é todo dia. Daí muitos acharem que no dia “oficial” precisam inventar moda, comemorar mais e melhor etc.
 
Ok, é do jogo, mas CUIDADO!
 
Sei que a imagem comum de dia dos namorados é jantar à luz de velas, casal bem arrumado, taças de vinho e músicas como Endless Love para embalar. Mas, vamos falar a verdade? De duas, uma. Num aprumo desses ou você vai pedir em casamento ou esse teatro todo só serve à uma finalidade: Sexual Healing. 
 
Então, se é para comemorar apenas por esporte, sem assumir compromisso maior, sirva Marvin Gaye como acompanhamento, vai. Fica menos brega e mais coerente, pelo menos:
 

 
Mas músicas para transar não são músicas de dia dos namorados.
 
Música para esse dia tem de ser como o próprio namoro: leve, alegre, que te deixa sorrindo sozinho, com cara de bobo. Como Hooked On A Feeling, que hoje em dia todo mundo conhece por causa do filme Guardiões da Galáxia, que a tem na sua famosa trilha sonora, mas na versão da banda Blue Swede, que é mais animada, mas tem um canto tribal (Ooga Chaka) enfiado no início e fim que não tem nada a ver com nada ali. Sou mais a original, gravada por B. J. Thomas:
 

 
A letra não poderia casar mais com o sentimento da música, fazendo uma metáfora do sentimento da paixão com estar embriagado ou drogado, no bom sentido, que é precisamente o que significa estar apaixonado no início de um namoro. 
 
Aproveitando a trilha de Guardiões da Galáxia, que é boa justamente por estar recheada de músicas assim, feitas para apaixonados e, por isso mesmo, apaixonantes, ela tem outra perfeita para o dia dos namorados, também casando letra e música com perfeição. É Come and Get Your Love, da banda Redbone:
 

Fala a verdade: está aí com um sorriso no rosto, não está? 
Então, fica a dica para este dia dos namorados: mais Hooked On A Feeling e menos Endless Love. Garanto que tornará este dia mais memorável e menos cliché.
 
Ah, mas você está sem namorado(a) e aí só teria motivos para endless pain. Compreendo, mas me responda uma coisa? Que tipo de pessoa te atrai: uma que venha com Endless Love ou uma cantando Come And Get Your Love? 
 
Se você respondeu a primeira, já tem uma boa pista para saber por que está sozinho(a). Já se você preferiu a segunda, bem, então seja essa pessoa!
 
Quer aprender como? Confira essas 6 dicas que o Jota deu para você começar um relacionamento e se quiser mais temos até curso sobre isso aqui n’Os Náufragos!
 
 
 

O vazio existencial e as canções para náufragos

Que a música tem uma importância tremenda na vida não é novidade para ninguém, mas quando somos náufragos existenciais, aí a música é ainda mais importante: é vital. A ponto de sermos obrigados a concordar com esse aviso iluminado na parede da imagem em destaque aí em cima. 

Sim, você é o que você escuta.

Mas por que a música tem tamanho valor para nós, náufragos?

1) A música preenche o vazio

Em um dos grupos de leitura que faço mediação aqui em Curitiba estamos lendo um livro do jornalista Ari Shavit, chamado Minha Terra Prometida – O Triunfo e a Tragédia de Israel. Logo no começo, quando ele conta sobre os primeiros judeus a migrarem para lá no início do século XX, há uma passagem sobre a importância da música para aqueles pioneiros que é exatamente a mesma para os náufragos.

Para compreendê-la, porém, é preciso saber que aqueles judeus pioneiros eram seculares, ou seja, não acreditavam em Deus, o que para um judeu significa deixar para trás praticamente tudo e começar a vida do zero. É aí que a música ganha um significado muito maior. Preste bem a atenção no que disse um deles:

A hora da música é o único momento em que o nosso refeitório se parece com um lugar de culto. Há uma razão para isso. Deixar deus para trás causou um terrível abalo em todos nós. Destruiu a base da nossa vida como judeus. Isso se tornou a contradição trágica de nossa nova vida. Tínhamos de partir do zero e construir uma civilização desde os alicerces. Porém não tínhamos nenhum alicerce sobre o qual construir. Não tínhamos nenhum fundamento. Acima de nós havia céus azuis e um sol radiante, mas nenhum deus. Essa é a verdade que não podíamos e não podemos ignorar nem por um momento. Isto é o vazio. E música para nós é uma tentativa de preencher o vazio. Quando os sons dos violinos preenchem nosso refeitório, familiarizamo-nos de novo com outra dimensão da vida. Despertam os mais profundos e esquecidos sentimentos enterrados em todos nós. Nossos olhos se fecham, voltam-se para o íntimo e uma aura quase de santidade envolve todos nós.”

É difícil expressar o que é estar náufrago na existência, mas ouso dizer que é exatamente como esses judeus se sentiam. Ainda que acreditemos em Deus, que tenhamos os alicerces da família, da civilização em que vivemos, o sentimento de naufrágio é mais forte do que tudo isso. É a sensação de que não se tem nada de verdade e não se sabe nem por onde começar a ter. Isto é o vazio.

Daí porque a música ganha uma dimensão muito, mas muito maior na vida de um náufrago. Porque, arrisco dizer, só ela é capaz de preencher esse vazio por alguns momentos. É nossa bóia. E, nessas horas, você é o que você escuta mesmo.

2) Preenchendo o vazio.

Por isso não poderíamos deixar de dar destaque para a música por aqui. Em nosso podcast fizemos questão de criar um “espaço” especial que chamamos de Canções Para Náufragos. A idéia é não apenas trazer músicas que possam servir de bóias, mas também tomar consciência… Ah, quer saber, é bem melhor escutar nossos podcasts para entender! Deixo uma lista com os que já fizemos sobre música, com um breve comentário para contextualizar.

I. Manual de Instruções usando como exemplos músicas muito conhecidas de Pearl Jam, The Cardigans, Roberto Carlos e Metallica, falamos um pouco sobre o casamento entre letra e música e a forma final que isso cria.

II. Aprendendo a amar – analisamos dois “clássicos” do pop rock nacional que falam sobre isso, sobre o que é amar.

III. O Naufrágio na Passarela – comentando músicas de carnaval e um samba antológico de Cartola falamos sobre o êxtase da alegria que a música proporciona, assim como também nos canta a ressaca do dia seguinte:

IV. Sendo looser por toda a vida – o mais polêmico dos podcasts sobre música. Falamos de duas bandas muito queridas por nós, porém…:

V. As provas da maturidade – selecionamos músicas “clássicas” de Chico Buarque, Frank Sinatra e Bob Dylan para falarmos sobre os testes pelos quais passamos quando estamos amadurecendo na vida:

E nesta semana sairá mais um volume das nossas Canções Para Náufragos,a sexta, dia 18\05\2018. Passearemos pela música sertaneja para falarmos um pouco sobre esse vazio aí e sua relação com a paixão, que é outra coisa que parece preenchê-lo. Mas, será que preenche mesmo?

3. Bônus Track

Além desses podcasts, temos também uma playlist no nosso canal no spotify feita especialmente  sobre maturidade. É uma playlist que “conta” a história do processo pelo qual passamos para nos tornamos maduros de verdade. Muitas dessas músicas serão trabalhadas nos podcasts futuros, mas já podem lhe servir de mais bóias durante esse naufrágio!

Depois de escutar tudo isso não esquece de nos dizer o que achou, ok? Quanto mais tivermos retorno, melhor Os Náufragos se tornarão. Agradecemos desde já. <3 🙂

 

3 motivos para você começar a estudar a imaginação hoje mesmo

Aqui nos Náufragos nós falamos bastante de imaginação.

O tema já foi explorado até em um podcast sobre o novo filme dos Vingadores!

Muita gente torce o nariz quando tocamos no assunto. Por que diabos eu preciso me preocupar com a minha imaginação? Do que esses caras estão falando?

Se esse é o seu caso, este artigo é para você.

Você pode não perceber na maior parte do tempo, mas é só prestar atenção na sua imaginação para constatar quão importante ela é na sua vida e como é fundamental aprender a desenvolvê-la. Eis 3 motivos para tanto:

 

1) A imaginação é essencial para o planejamento do seu futuro

Você faz planos pro seu fim-de-semana ou é do tipo que espera os outros programarem ou convidarem para algo?

Seja como for, perceba como é pela imaginação que você pode e deveria começar a planejar seu futuro, desde o mais próximo fim-de-semana até muito depois da aposentadoria.

 

2) Com a imaginação você define seus sonhos e vence seus medos

O que você mais deseja na vida? Quais são seus sonhos? E o que você mais teme? Quais são seus medos?

Seja qual for a resposta a essas perguntas, saiba que é só a imaginação que pode transformar desejos em sonhos e mover sua vontade para ir atrás de realizá-los.

Quando isso não acontece, a imaginação joga contra, transformando seus medos em algo intransponível, fazendo com que você só viva buscando segurança e mais nada.

 

3) A imaginação te ajuda a encontrar sentido na vida

Você não faz a menor ideia do que quer para sua vida?

Sente-se meio perdido, sem rumo, deixando a vida te levar? Mas gostaria de achar um caminho, dar um sentido maior à sua vida?

Pois, então, sabe por onde você tem de começar?

Sim, também pela imaginação.

É como voltar à infância e se fazer a pergunta que alguém deve ter feito para você quando criança: “o que você quer ser quando crescer?”

Pode não dar mais para querer ser jogador de futebol ou atriz de TV, mas dá para imaginar ser alguém melhor do que você está sendo agora.

 

E como eu posso começar a melhorar a minha imaginação?

O tema é tão importante que o nosso professor Francisco Escorsim criou um curso só para tratar do desenvolvimento da imaginação. Ainda não conhece? Clique aqui e dê uma olhada no nosso vídeo de apresentação!

CONHECER O CURSO

A pessoa certa para se relacionar não existe

Começar coisas é complicado.

Seja começar a ir para a academia, a praticar algum esporte, ou a criar um hábito de leitura, normalmente é difícil dar o passo inicial.

Um relacionamento então? Nem se fala!

Quando dizemos que vamos começar, por exemplo, a aprender a tocar violão, estamos falando da nossa relação com alguma coisa. Já em um relacionamento, quem está do outro lado é uma outra pessoa, que nem sempre está presente ou agindo como desejamos.

O negócio é tão complicado que aqui nos Náufragos nós até criamos um curso só para tratar disso, o Como começar um relacionamento.

 

Acontece que a maneira como começamos um relacionamento e as dinâmicas que criamos nesse período inicial acabam influenciando toda a nossa jornada a dois.

Muita gente acaba, inclusive, achando que tem o “dedo podre” devido aos repetidos relacionamentos que deram errado.

A verdade é que não existe pessoa certa. Existem pessoas que fazem as coisas darem certo! Relacionamentos são construções.

Duvida? Clique aqui e dê uma olhada neste nosso post no Facebook.

De repente a gente te ajuda a não naufragar no seu próximo relacionamento!

Você precisa de férias na volta das férias?

Cristiano cresceu escutando os pais falarem, na volta das férias, que agora sim é que precisavam de descanso. Sempre aproveitavam as férias para viajar, fazer programas de todo tipo, não paravam nunca, mesmo quando passavam um mês inteiro na praia, indo da casa para a areia e desta para casa. Adoravam o tempo de férias, parecia que a vida só valia a pena nesse tempo, quando estavam em férias, eram sempre mais felizes.

Mas o retorno era sempre difícil, ele via a tristeza na expressão dos pais, a vida murchando.

Ele pensava nos pais ali sozinho de pé diante do mar infinito. Eram as primeiras férias dele por conta. Durante a faculdade já tinha viajado com amigos, só com a namorada, mas nunca bancara com sua grana. Como de estagiário virou empregado, o salário mais que dobrou e pela primeira vez pagou a viagem, fez questão. Dois amigos foram juntos, ambos bancados pelos pais. Era o último dia das férias e ele se sentia estranho.

Tinham de sair antes das 12h do hotel, vagar pelo aeroporto até a hora do vôo. Quis acordar antes do sol nascer, quis vê-lo nascer da praia, de preferência dentro da água, como fizera no primeiro dia. Assim fez. Estava parado na beira da água, de pé, braços cruzados, pensando na vida, nos pais. De repente se viu saindo da água, de volta àquele primeiro dia. Trazia no rosto um sorriso de quem tinha esquecido do tempo, de tudo. Agora não conseguia sorrir. Estaria triste?

Na volta para o quarto o celular pipocava de notificações. Uma era da mãe: “Estamos em casa, mortos de cansaço. Precisamos de férias, Cris!”. Não conseguiu rir. Ele precisaria de férias também? Por quê? Para quê? Não foi suficiente? Não se sentia descansado? Por que esse gosto estranho na boca, como se tivesse sido pouco, como se não bastasse?

Parecia tudo uma grande farsa.

Sabia que estava feliz, que as férias foram na medida, que estava até ansioso pela volta ao trabalho, terminar aquele projeto que faltou tão pouco para fechar no ano passado. De onde vinha, então, esse outro de cara amarrada, braços cruzados na beira da praia, querendo estragar tudo, tornar a vida improdutiva?

Quando chegou em casa, a alegria do reencontro não durou até o jantar. Pediram uma pizza, estavam cansados demais para pensar em outra coisa. Contaram das férias e quando as novidades terminaram e como se precisassem sempre, sempre, sempre repetir o mesmo script, veio a reclamação: “Ai, amanhã não será fácil, até pegar o ritmo…”. Mas ele não se sentia assim, na verdade nem via a hora de voltar. Mas achou melhor não falar nada, apenas consentia, sem muito comentar. Mas sabia que não dava mais, ou se tornaria assim também.

Naquele ano alugou um apê, passou a morar sozinho. A mãe não gostou, mas não atrapalhou. O pai admirou, parecia criança, dizendo “imagina quanta festa você não fará, hein, Cris? Quem dera na minha época eu tivesse condição para morar sozinho!”. A mãe não gostou, já namoravam na idade em que Cris estava, mas achou melhor não pensar muito nisso e se concentrou em assegurar que Cris tivesse comida na geladeira, toalha, pasta de dente, essas coisas. Tinha, ela não precisou comprar nada. Nunca mais.

Depois de 15 anos ele voltou à mesma praia, ficou no mesmo hotel. Era o último dia e ele se lembrou no meio da madrugada. Deixou um bilhete para a esposa e saiu sem fazer barulho. Viu o sol nascer de dentro da água e ficou ali boiando, pensando na vida, nos pais, agora aposentados e nem viajavam mais, pareciam desistentes. Ele jamais se queixou do fim das férias, do retorno para casa, de voltar ao trabalho. Durante um tempo achou que era para se auto-afirmar, mas esse tempo também passou e nunca sentiu que precisava de férias depois das férias, nunca.

Quando voltou a esposa já tinha arrumado tudo, as crianças estavam prontas. O mais velho perguntou onde ele tinha ido. Respondeu que fora dar um último mergulho, aproveitar até o último instante as férias. “Pena que acaba, né, pai?” Então algo brilhou dentro dele, e ele enfim entendeu: “Já pensou se não acabasse, filho? Que chatice seria não ter para o que voltar?” O menino olhou estranho, incerto se entendeu. Cristiano percebeu e sorriu, dizendo: “Não se preocupe, filho, quando crescer você entenderá.” 

– E se eu não crescer, pai?

– Não se preocupe, eu farei você crescer. Desse trabalho não tiro férias. Já amarrou o tênis?

Conheça nossa promoção de fim de ano. Está acabando!

 

 

Maturidade #3 – fazer o que deve ser feito

Amigos de longa data, eles se encontravam quase toda semana para aquela cervejinha na sexta pós expediente. A amizade começou no colégio. Ricardo conheceu Pedro, o Pedreira como era chamado, lá na primeira série. Na segunda foi o João que começou a andar com eles e na oitava já eram em seis. O último a entrar no grupo foi o Bolacha, ele fazia faculdade com o Mateus e virou melhor amigo de todo mundo depois de uma noite em que o Vidal chegou até a ser preso.

Como vocês sabem, amizade de homem é tudo igual. Um chega xingando, outro fala da mãe, um terceiro ri e o quarto muda de assunto. Recentemente eles acabavam sempre falando de filhos, esposas e empregos: os primeiros davam trabalho mas valia a pena, as segundas davam trabalho e às vezes valia a pena, os terceiros davam trabalho e nunca valia a pena. O interessante, nesses momentos, é que eles assumiam quase um postura de clube ou grupo organizado. Tanto que há muitos anos o Oriental mudou o nome do grupo do whatsapp pra “Máfia” com uma foto do Poderoso Chefão e nunca mais tiraram.

Era uma máfia e cada um tinha o seu papel. Ricardo e Pedro eram os conselheiros, enchiam o povo de pitaco mas sempre concluíam com frases tipo “mas veja lá você, não quero me intrometer…” ou “não precisa seguir o que eu digo, é só uma sugestão…”. João e Oriental sempre promovendo alguma coisa, chamando pra um churrasco, lembrando dos aniversários – e obviamente contando as melhores histórias – eram “a cola” do grupo. Vidal era o sujeito misterioso e mais ferrado de todos: ninguém sabia bem o que ele fazia, já estava na segunda separação e sempre passava do ponto nas festas. Bolacha, por ser mais novo e o último a entrar no grupo, era o calouro, o estagiário, o zoado sem nunca zoar, o aprendiz e qualquer outro apelido que deixasse claro que ele nunca seria respeitado. A piada preferida era responder à qualquer comentário seu com “alguém viu o prazo de validade dessa Bolacha? Parece que tá vencendo…”.

De todos, nos restou o Mateus – até porque ele merece um comentário à parte. Se todos tinham o perfil clássico do filho da classe média alta, Mateus era um homem que se criou sozinho: pais sempre se separando, filho mais velho de três, acabou aproveitando a revolta adolescente e o trabalho no mercado para sair de casa e morar num pensionato. Depois conseguiu se tornar caixa e gerente, sempre ajudando os dois irmãos com um pouco de dinheiro e alguns conselhos. Com 22 anos já morava sozinho há tempos e dava conta do emprego e faculdade. Fez Administração por três anos mas mudou para Marketing pois recebeu uma proposta de emprego que exigia dessa graduação. Hoje com 37, casado e com quatro filhos – a última gravidez da esposa foi de gêmeos – dá conta de sua empresa com a maior naturalidade e por tudo isso, e mais um pouco, é chamado de Patrão pelos amigos.

Mas o apelido veio mesmo após o acontecimento mais grave que o grupo passou.

Era meados de 2005, todos estavam regulando a idade de 20 à 25 anos. Um dia foram no churrasco de fim de ano da faculdade do Oriental, ele estava se formado em Direito, e fora o João que sempre namorou, o resto estava meio solteiro e bastava dizer três palavras mágicas “cerveja, churrasco, mulher” que eles apareciam feito Mestre dos Magos. A festa começou cedo e lá pelas 2h todo mundo já não sabia mais o rumo de casa.

Foi quando ouviram um grito e começou o corre corre. Não demorou muito para encontrarem o Felipe desmaiado no banheiro, meio sem pulso e com o nariz sangrando.

Em horas como essas dividimos os homens dos meninos.

Bolacha juntou o Pedreira e o Ricardo, se enfiaram num táxi e voltaram pra casa assustados. Nem viram o ocorrido, mas como tinham fumado maconha e dividido uma bala, ficaram com medo de serem presos pois ainda estavam bem altos. Vidal viu tudo de longe, mas como estava bêbado demais dando uns pegas numa caloura num sofá velho no canto – depois que ela saiu correndo – ficou por lá e resolveu não se meter no assunto. João despachou a namorada mas ficou feito barata tonta e, sem saber o que fazer, não saiu da cola do Oriental. Os dois ficaram meio de platéia ou ajudando em pequenas coisas e no final estavam meio em choque.

Foi Mateus, que como um chefe, deu conta do recado:

chamou um sujeito grande e ajudou a tirou Felipe do banheiro, colocou ele numa mesa, deu bronca nuns bêbados, pediu para umas meninas trazerem água e o kit de primeiros socorros, mandou desligar a música, ligou para ambulância e ainda encontrou uma estudante de Medicina meio sóbria para tentar reanimar o rapaz. Em meia hora ele estava coordenando todo mundo e botou todos na linha. Quando já era dia, foi o último a ir embora. Esperou a família de Felipe chegar no hospital para poder acalmar Dona Regina e Seu Aloísio – ainda deixou o número de telefone para qualquer eventualidade. 

Tudo isso causou um impacto imenso no grupo.

Após aquele dia, quase ninguém disse nada pois ainda estavam absorvendo tudo. Porém, lá no fundo, todos entenderam que Mateus tinha algo que eles não tinham. Foi só depois de dois meses, num dia que o Patrão não pode ir beber com os amigos, que voltaram para o assunto. Foi Vidal – que apesar de ser um doido sempre tinha seus momentos de sabedoria – que acabou dizendo o que ninguém até hoje havia dito.

– Piazada, sou só eu ou vocês ainda pensam naquele churrasco? Eu tava caindo de bêbado mas parece que foi como ver um filme, eu ainda lembro de tudo…

Todos riram. Certeza que pra lembrar disso você teve de esquecer o nome da sua mãe!, disse Pedro.

– Sério, cacete! Ouvi aquele caos e no meio de tudo lembro que o Mateus apareceu e me perguntou de você, Ricardo, e de você, Pedro. “Cadê os piás, Vidal? Puta merda, eles sempre somem nessas horas!”. Eu tentei levantar mas ele me empurrou pro sofá dizendo que mais um locão não ia ajudar em nada. Eu fiquei lá, né? Não vamos contrariar o chefe de plantão. Mas foi impressionate, cara. Até hoje penso nisso: como é que um piá de merda conseguiu mobilizar todo mundo como se fizesse aquilo desde que nasceu? Sério, vocês não estavam lá, seus zé droguinha!, mas em dois toques todo mundo obedecia ele, todo mundo confiava nele.

Acho que a gente é um bando de frango…

– Já parou para pensar, interrompeu João, que ele sempre faz isso? Porra, tamo com uns vinte anos e o cara sempre foi tipo nosso padrinho. Sei lá. Lembra aquela vez que teu pai queria se separar, Oriental? O Patrão te ligou, conversou contigo, deu um monte de dica, explicou pra gente o que fazer e ainda conversou com teu pai. Cara, com teu pai! Quem faz isso com 16 anos, porra!? E aquele dia que eu tava mal pra caraio por conta da desgraça da Sofia? Ele me escutou e deus uns puta de uns conselhos massa, até hoje eu lembro dele me dizer “você ainda é muito novo pra sofrer tanto”. Meu, olha essa frase!, da onde ele tirou isso? E na boa, nesse churras aí, ele salvou a vida do Felipe! 

Naquela noite eles seguiram conversando sobre o Mateus. Pela primeira vez tiveram consciência que ele tinha algo de diferente de todos eles.

Ainda conversaram bastante, mas foi o Bolacha que melhor traçou o cenário.

– Sem zoeira, pessoal! Mas a gente é um bando de piá de prédio que o primeiro emprego só foi depois da faculdade. Antes era só estágiozinho de meio período que a gente reclamava mais do que podia. Enquanto a gente achava que tava morrendo pra entregar uns relatórios toscos e tomar café enquanto dava em cima da secretária do chefe, o Mateus tava ralando desde manhã e ainda fazia faculdade. E eu era calouro dele. Eu me ferrando, enquanto o cara passava sempre sem DP! E o mais foda, eu soube que ele chegava em casa e fazia a marmita do dia seguinte! O Ricardo, essa montanha de gordura que é, nem sabe fazer um ovo!

Sei lá, mas acho que ele sempre deu conta da vida dele, e a gente não sabe o que é isso…

Depois disso a conversa dispersou. Mas no dia seguinte quando o Oriental mudou o nome do grupo, todo mundo entendeu a referência da foto: eles eram a Máfia porque Mateus era o Poderoso Chefão. E tudo foi confirmado quando receberam a mensagem dele perguntando: Piazada, como foi ontem? Eu tava atolado de trabalho. Você não fizeram merda, né? 

 

 

Assim como eles, todos nós temos algumas referências de maturidade em nossas vidas mas que normalmente passam em branco até algum evento evidenciar aquilo que é óbvio.

Aquele que busca todo dia “dar conta do recado” – como diria minha mãe – está sempre mais propenso a amadurecer. E todo dia nós encontramos situações que nos oferecem a possibilidade de melhorar e se postar de forma mais madura. Pois, no final das contas:

Maturidade é conseguir fazer o que deve ser feito.

Caso você siga essa lógica, perceberá que tudo ao nosso redor pede resolução. Muitas vezes são questões bastante práticas – como uma louça esquecida na pia – mas talvez, na grande maioria das vezes, o que está em aberto são questões pessoais.

Dar conta do que deve ser feito é primeiro dar conta de você mesmo: seus medos, receios, sonhos e deveres.

Mateus só deu conta do desmaio de Felipe pois há tempos dava conta de si mesmo. Ele já era um homem que conseguia organizar e resolver problemas antes daquele churrasco. Quando encontrou mais uma questão em aberto para ser resolvida, ele simplesmente fez o que tinha de ser feito, pois é isso que ele vinha fazendo desde sempre.

A pessoa madura sabe que a vida é uma sequência de problemas esperando soluções – e não há nada de errado com isso.

O interessante nesse ponto é escutar o discursos dos imaturos, pois normalmente, tudo é dividido entre os Vencedores versus Fracassados. Veja os adolescentes, normalmente eles têm algum grande feito que desejam realizar, e caso consigam essa conquista, a vida está dada por satisfeita.

Sendo assim, enquanto essa questão ainda não é resolvida, eles se vêem como fracassados ou culpam alguém (normalmente a família ou a sociedade). Realmente acreditam que a vida é realizar alguns feitos e ponto final. É como ainda sonhar com o clássico “e foram felizes para sempre”. Ironia do destino: caso seja realizado o que queriam, também se decepcionam, pois o mundo não era tão cor-de-rosa quanto sempre sonharam.

Amadurecer é perceber que os problemas nunca irão acabar e, portanto, mais importante que esperar o dia em que não terá mais dificuldades, é preparar-se para resolvê-las o melhor e mais rápido possível.

Seguimos com esse tema em breve, ainda há muito o que dizer! 

 

 

Maturidade #2 – postura diante da vida

Segunda Guerra Mundial, trincheira do exército inglês.

A chuva já assolava a região há tempos, poças e alagamentos são um cenário comuns por aqui. Mesmo assim, hoje, o inimigo resolveu acordar cedo: desde o raiar do dia até agora, meio da tarde, os tiros e explosões podem ser escutadas há quilômetros de distância. Se olharmos bem para o buraco do lado inglês, veremos dois capacetes verdes: um é Joseph, o outro é Henry.

No meio da confusão, estilhaços e tempestade, esses dois soldados – de tempos em tempos – se viram para o outro lado e descarregam parte do seu arsenal.

Ao se esconder com as costas no barranco, Joseph grita e gesticula. Henry, por sua vez, após atirar, costuma voltar-se,  abaixar a cabeça e fechar os olhos. Segurando seu rifle com toda a força, parece estar concentrando suas energias para a próxima investida.

Para o olhar desatento os dois parecem fazer o seu dever, cada um à sua maneira. Porém, o que ninguém percebe é o grande abismo que os separa. Joseph, desde o recrutamento, é o arquétipo do soldado: sempre treinou com intensidade, tem interesse pelo equipamento, se aprimorou nos finais de semana em um curso sobre tática de guerra e além disso, nunca reclamou de gastar seus dias no exército. É o nosso dever defender o país, sempre disse ele. Já Henry…

Rapaz tímido e fechado, foi convocado e aos prantos, quase e arrastado, foi para o exército. Impressionável desde criança, a primeira vez que ouviu um grito de seu superior deu um pulo tanto grande que até hoje é chamar de “Jumper”. De noite, quando os soldados se reúnem, é comum escutar ele se lamentar sobre a Guerra, dizer que tudo isso é em vão, e que todos deveriam pensar mais no amor do que na guerra. Os companheiros nem dão mais bola: todo pelotão tem algum pacifista arrependido que sempre acaba sendo afastado por um colapso nervoso.

Pior, esse é exatamente o caso aqui.

Hoje, um pouco antes de raiar o dia, Joseph e Henry foram dois dos escalados para cuidarem da primeira trincheira. Como é de se esperar, o segundo quase entrou em desespero, enquanto o primeiro foi estudar mapas do local e fumar tranquilamente seu Lucky Strike sem filtro. Enquanto se dirigiam para seu posto, Henry estava tão nervoso que ensopou a camisa antes mesmo de chega na chuva.

Foi só depois da terceira tentativa de abater um nazista que Joseph se deu conta do que acontecia ao seu lado.

– Que que tá acontecendo? Ei, você tá bem? Que porra é essa?

– Tô sim.. Tá tudo bem…

Joseph se vira novamente, acerta a perna de um inimigo, se protege, dá ordens para o outro soldado e então de novo volta-se para o companheiro. 

– Você tá branco e tremendo, cacete! Isso não é normal! 

– Vai passar, vai passar, vai passar… – disse Henry fechando os olhos

O que ele ouviu na sequência foi apenas a voz de Joseph ao longe gritando por um enfermeiro. O corpo amoleceu, tudo ficou preto e ele sentiu ser carregado. O jovem só se deu por si quando estava na enfermaria e escutou a enfermeira chefe dizer: acordou, bela adormecida?

Para continuar falando sobre o tema da semana passada, preciso antes fazer uma simples pergunta:

Se estivesse naquela trincheira, qual soldado você escolheria para estar ao seu lado?

A maturidade, além de ser um caminho sem volta, não funciona como a maioria das nossas conquistas modernas: você se esforça, passa por algumas provas e então ganha um atestado ou diploma que comprova a sua vitória.

A maturidade é uma postura diante da vida.

Quando falamos em amadurecer, você já deve saber, não existe uma grade curricular básica para cumprir. Amadurecer é assumir uma postura responsável diante da vida e evitar a todo custo ceder ou desanimar.

Mas como faço isso?, você pode perguntar. Eu e o Chico, quase que diariamente, damos o mesmo conselho nesse quesito. E repito aqui:

Faça tudo bem feito.

Muitos nos escutam e viram a cara, pois parece um comportamento muito básico para resolver um problema tão grande, mas é bem aqui que mora o perigo! Fazer o máximo para que tudo seja bem feito é o primeiro passo para assumir uma postura responsável diante da vida, logo, é o início da maturidade.

Em outras palavras, soldado, missão dada é missão cumprida!

Hoje mesmo falava sobre isso com um paciente e lembrei dos milhares de filmes de luta ou de guerra que já assisti. Em especial me veio à memória o Karatê Kid! Lembram da cena em que o Senhor Miyagi ensina o jovem a lavar o carro? Nós assistimos àquela cena e pensamos: Nossa, que interessante, ele está ensinando técnicas de luta de uma forma diferente! Ele está preparando o menino para a luta e o rapaz nem percebe! Tenho certeza também que ao assistir o filme você queria que Daniel treinasse direitinho para vencer a grande batalha final.

O mesmo ocorre com você!

Quando digo que você deve fazer tudo bem feito é porque a vida também exige preparação, concentração e treino para várias batalhas que ainda virão. E como você vai ser portar diante disso: como uma criança birrenta que chora a cada bronca do treinador ou como um lutador que assume seu papel e treina como se não houvesse amanhã?

Claro, infelizmente nossa vida não é um filme hollywoodiano dos anos 80 em que o roteiro é tão previsível que você já sabe o que vai acontecer no final. Mas independente disso, você precisa assumir o seu lugar no mundo – no aqui e agora – e fazer o que você deve fazer.

E o mais interessante disso tudo é compararmos tudo isso que eu disse com o discurso moderno de felicidade. Você, querendo ou não, já deve ter entrado em contato com qualquer um desses empreendedores de palco que te motivam à conquistar seu milhão ou então certas vertentes religiosas que se dizem cristãs mas acreditam que toda graça divina só vem em forma de cédulas.

Eles sempre colocam como objetivo de seus esforços a conquista financeira, ou seja, você só é um vencedor e ganhou a vida caso tenha ficado rico. Aqui os discursos de chocam:

Maturidade não tem relação nenhuma com sucesso, poder ou dinheiro.

Como reforcei algumas vezes aqui: maturidade é um postura diante da vida. Em nenhum momento eu disse conquista financeira ou felicidade conjugal. Sabe por quê? Porque esses objetivos podem ser conquistados por pessoas maduras ou imaturas. Vai me dizer que nunca conheceu um rico famoso completamente imaturo, né? Ou então uma pessoa extremamente pobre mas com uma sabedoria e maturidade imensa?

A maturidade te ajuda a lidar com as dificuldade e desafios da sua vida mas não garante nada!

Para concluir, voltemos ao exemplo dos nossos dois soldados. Agora acredito que ficou até mais fácil responder àquela primeira pergunta. Afinal de contas, ninguém quer um Henry dividindo o front na batalha da vida, não é mesmo? E mesmo sabendo que as chances de Joseph morrer são bem maiores que as dos colega medroso, ainda assim ficamos com ele. Sabe porquê?

É melhor morrer cumprindo seu dever com coragem que viver acuado como um convarde. Pois o caminho da maturidade é em todas as circunstâncias a melhor opção.

Semana que vem falamos mais sobre esse tema!

Até breve, soldados!

    

    

  

Maturidade #1 – caminho sem volta

Maria tem 27 anos.

Há dez mora na cidade. Começou dividindo o apartamento com duas primas, mas logo a convivência ficou estremecida pois enquanto se dedicava a estudar para passar em Direito na Federal, as primas só queriam saber de maconha, cerveja e festa o dia inteiro. Para sua sorte, não sofreu muito com o vestibular, passou bem na segunda tentativa e logo que conseguiu um estágio foi morar sozinha. 

O apartamento era um “quarto e sala” no centro. Toda vez que um ônibus passava as janelas velhas tremiam. Com o tempo se acostumou com o barulho, afinal de contas, mais barulhenta que a rua eram os vizinhos. Parecia combinado: era ela sentar para estudar e o casal ao lado começava a gritaria. Os argumentos ela sabia de cor. 

Se fossem só eles dois, tudo bem; mas o que cortava o coração dela era o pequeno Anthony – sim, esse era o nome! – que sempre fazia do seu choro a trilha sonora da discussão do dia. Como estudar ouvindo choro, gritos e ainda sentindo aquele aperto no coração pela criança? Maria até tentou conversar com os dois, mas era pior. Um dia havia acabado de falar com a vizinha e ouviu em alto e bom som: “até os vizinhos não te suportam mais, seu escroto!” Então, escutou socos e chutes na parede aos berros “escutem mesmo, seus merdas! Pensam que são quem, seus filhos da puta!?”.

Com o tempo, Maria conseguiu arranjar um novo lugar para morar e também trabalhar. Estudante exemplar, conseguiu uma bolsa de estudo na Espanha por seis meses. Sofreu um pouco por lá, mas conseguiu dar conta e aproveitar a oportunidade. 

Hoje ela está formada há seis meses e trabalha como auxiliar de um advogado trabalhista, um ex-professor que sempre acreditou em sua aluna. 

Mas não só de estudo e trabalho vivia a moça. Certo dia resolveu sair com uma de suas primas. Apesar de escolhas de vida completamente diferentes, Maria gostava de conversar com a Rê às vezes para espairecer e dar risadas. 

Foi numa noite dessas que conheceu Pablo.

Pablo nasceu em berço de ouro. Desde menino era considerado o garoto prodígio da família pois conversava com todos e parecia um adulto em corpo de criança. Por conta disso sempre foi esperto. Na adolescência era para ter repetido de ano várias vezes, mas sempre conseguia passar no conselho de classe. 

Foi nessa época também que aprendeu a tocar violão, pois seu tio Rogério sempre dizia que ele precisava aprender a ouvir a verdadeira música: começou ouvindo Beatles e uma coisa levou à outra. Do violão passou a tocar guitarra e com 18 anos montou sua primeira banda. No começo era meio Reggae, mas depois embarcou na onda do “som de praia”, como ele gostava de definir, e acabou fazendo algum sucesso com a piazada tocando em festas e churrascos.

Como era esperado, com todo esse desenvolvimento artístico, a vida de estudos continuou do mesmo jeito: foi levada nas coxas. Passou em administração, transferiu pra letras, tentou um ano de psicologia e desistiu da vida acadêmica na primeira semana de ciências sociais. “Minha vida é a música, o que importa é expressar tudo que vem do coração”, dizia ele ao ser perguntado sobre sua vida profissional. 

Ele acreditava em sua arte, mas não é difícil imaginar o que sua família pensava disso, né? Pai engenheiro e mãe ex-enfermeira, viam o filho como um rapaz meio perdido. E esse era o grande motivo das brigas diárias que recentemente aconteciam na casa da família – eram diárias pois o rapaz ainda morava no ático no fundo da casa e quase todo dia almoça com eles. 

Ele tinha 22 anos naquela fatídica noite em que conheceu Maria. Talvez por um ser o complemento do outro ou por pura obra do acaso, os dois estão juntos há um ano e meio. 

Mas nem tudo são flores.

Depois da pequena fase do encantamento do início do namoro, não demorou muito para começarem os problemas. 

Maria, como esperado, era o pé no chão do casal: pensava na vida prática, na carreira, gastava muito do seu tempo tentando se atualizar na área e quando acabava a correria do trabalho, gostava de ficar em casa ou no máximo sair com amigos para conversar em algum barzinho. Pablo era o sonhador: na luta por se tornar mais conhecido, passava a maior parte do tempo compondo músicas com os amigos, virava madrugadas e sempre que havia alguma nova banda tocando ou festival acontecendo, estava lá divulgando seu som. 

Certa noite, ele resolveu mostrar uma música nova para a namorada. Ela escutou desinteressada e ele explodiu: por que você não dá a mínima para o que eu faço? Maria, sem conseguir se conter, acabou por despejar tudo que pensava. Ela não entendia porque ele ainda insistia nessa história de música: “você é um cara tão inteligente, mas se perde nessas ilusões! Essa história de música não dá futuro e você ainda nem conseguiu sair da casa dos pais!.

Como vamos fazer com o nosso futuro?” 

Pablo disse que não sabia que estava namorando com uma senhora de 50 anos e que ficava puto quando ela não acreditava nele. Maria respondeu que do que jeito que as coisas andavam, ela nunca iria ter um filho dele. “Afinal de contas”, finalizou ela, “eu teria de cuidar de duas crianças: você e o bebê!”. 

O silêncio enfim se fez. Por um bom tempo os dois ficaram olhando para o nada sem saber o que fazer. Foi Maria então quem, com esforço, se levantou e disse: “eu preciso ir pra casa e teus pais já devem estar dormindo”. Saiu sem falar mais nada. Ao chegar no carro desabou e foi chorando para casa, e chorando chegou, e chorando dormiu sem perceber.

No dia seguinte, almoçando com duas amigas da sua turma da faculdade, ela contou tudo e ao final ainda se perguntava: “como é que ele não entende o que eu quis dizer? Ele parece um adolescente e eu vou ter de cuidar até quando? Será que vai ser assim pra sempre?”  

A pergunta de Maria é a pergunta de muitos e a sua fonte é uma só: maturidade. 

Maturidade é um caminho sem volta. 

Uma vez que você consegue amadurecer um pouco, esse pouco nunca mais te deixa. Um conhecimento adquirido é uma verdade que não pode ser negada, ainda mais quando o conhecimento foi conquistado por meio do sofrimento de sua própria vida. 

Quem morou sozinho e pagou suas próprias contas sabe que sempre irá levar em consideração o preço das coisas. Quem sofreu com perda de um ente querido e teve de trabalhar desde cedo nunca mais vai esquecer essa fase da vida, simplesmente porque tudo isso fez você ser quem você é. 

A maturidade então é o benefício que todos temos ao passar nas provas da vida.

Se no colégio nosso objetivo é passar de ano, na vida é passar de fase. E como eu já disse, é um caminho sem volta. 

Muitos sofrem por essa questão – principalmente em relacionamentos. Um dos dois está um passo à frente do outro, olha a vida de forma diferente pois já viveu situações que o obrigaram a se desenvolver. Já o outro lado ainda está verde, precisa de muito para amadurecer. 

Assim como as frutas, é a maturidade que faz você cair do pé familiar, sair da dependência dos pais para então realizar o seu sentido da vida. 

Saiba, não há sentido da vida ou vocação sem maturidade. E vou repetir quantas vezes for necessário:

Não há sentido da vida ou vocação sem maturidade. 

Sem ela você não tem três bases estruturais para realizar seu ser no mundo:

1. noção adequada da realidade,

2. conhecimento de si e de seus limites e

3. coragem para encarar a vida.

Por isso, todas às vezes que me procuram com algum problema vocacional, a primeira pergunta que faço é: você mora sozinho? Paga suas contas? 

Parece uma questão bem besta para aqueles que acreditam estar em busca de uma atividade espiritual elevada e dispostos a se sacrificar por isso. Vejo em 90% dos casos uma expressão que me diz: “por que diabos você quer saber disso se estamos falando de algo superior? Por que se apegar à trabalhinhos pequenos se eu quero algo maior e elevado?” 

Só essa expressão já bastaria para saber o nível de maturidade do sujeito. Mas quando me confirmam dizendo que ainda moram com os pais e não trabalham, sei que ainda estão verdes para pensar em sentido da vida. 

Pois sempre sigo um princípio bem claro:

Antes de ser uma pessoa que realiza sua vocação, você precisa ser uma pessoa. Esse é o caminho natural das coisas. 

O que escrevo aqui não é nenhuma visão de tiozão chato que deseja que todos se tornem adultos adequados – se bem que não seria uma má idéia, né? A questão é que ninguém deseja não amadurecer (ainda desenvolverei o conceito imadurecer ou inmadurecer). 

A vida é para frente, nunca para trás.     

Por isso mesmo, você, ao ler o meu exemplo acima, sabe que Maria está certa. Se alguém tem de se esforçar é o Pablo e não ela. Sabe por que você acha isso? Porque ela é madura e deseja realizar feitos que só pessoas maduras podem realizar. 

O problema não é a atividade que você – ou o Pablo – escolheu, a questão é a postura diante da vida que você toma. 

Mas esse é o primeiro capítulo sobre esse tema. 

Em breve falo mais sobre aspectos da maturidade, mas não se esqueça: maturidade é um caminho sem volta, e todos devemos nos esforçar para cada dia ser mais maduros. 

 

Poscast #2 – Black Friday e Stranger Things 2

Já está no ar o nosso segundo podcast.

Dessa vez, além de falarmos sobre a nossa Black Friday, também comentamos o seriado Stranger Things – principalmente a segunda temporada. 

Sabe qual a relação desse seriado com o tema da maturidade, sentido da vida e sacrifício?

Clique na imagem abaixo, escute nosso programa e descubra! 

https://soundcloud.com/osnaufragospodcast/podcast-2

Lembrando que toda sexta tem um podcast novo.

E caso queira tirar alguma dúvida, enviar alguma sugestão de tema ou pedir uma ajuda, escreva para: podcast@osnaufragos.com.br

Dê o play e divirta-se! 

Até sexta que vem, abraço.