Categoria: Relacionamento

Qual a música ideal para o Dia dos Namorados?

Já reparou que na maioria das canções românticas que têm letras falando de amor “para sempre” a parte musical é de uma tristeza como se tudo já tivesse acabado?
 
Por exemplo, a música romântica nº 1 nas paradas de todos os tempos, segundo a Billboards. É Endless Love, dueto de Lionel Richie com Diana Ross. Se o nome não foi suficiente para sua memória musical recordá-la, aposto que basta escutar 3 segundos para você lembrar que não só conhece como a escutou mais do que gostaria:
 

 
A maravilha de amar está aí na letra: amor infinito, para sempre, dois corações batendo como um só etc. Mas se você escutar a música sem prestar atenção à letra parece que alguém morreu e quem ficou está na sofrência. Não é?
 
Por isso acho que músicas assim não servem de maneira alguma para um dia como o dos namorados. Porque namoro é a fase paradisíaca de todo relacionamento amoroso. É quando o sentimento impera mais do que qualquer outra coisa. Tudo é lindo, pleno, alegre, parece endless. Para quem está nessa fase o dia dos namorados é todo dia. Daí muitos acharem que no dia “oficial” precisam inventar moda, comemorar mais e melhor etc.
 
Ok, é do jogo, mas CUIDADO!
 
Sei que a imagem comum de dia dos namorados é jantar à luz de velas, casal bem arrumado, taças de vinho e músicas como Endless Love para embalar. Mas, vamos falar a verdade? De duas, uma. Num aprumo desses ou você vai pedir em casamento ou esse teatro todo só serve à uma finalidade: Sexual Healing. 
 
Então, se é para comemorar apenas por esporte, sem assumir compromisso maior, sirva Marvin Gaye como acompanhamento, vai. Fica menos brega e mais coerente, pelo menos:
 

 
Mas músicas para transar não são músicas de dia dos namorados.
 
Música para esse dia tem de ser como o próprio namoro: leve, alegre, que te deixa sorrindo sozinho, com cara de bobo. Como Hooked On A Feeling, que hoje em dia todo mundo conhece por causa do filme Guardiões da Galáxia, que a tem na sua famosa trilha sonora, mas na versão da banda Blue Swede, que é mais animada, mas tem um canto tribal (Ooga Chaka) enfiado no início e fim que não tem nada a ver com nada ali. Sou mais a original, gravada por B. J. Thomas:
 

 
A letra não poderia casar mais com o sentimento da música, fazendo uma metáfora do sentimento da paixão com estar embriagado ou drogado, no bom sentido, que é precisamente o que significa estar apaixonado no início de um namoro. 
 
Aproveitando a trilha de Guardiões da Galáxia, que é boa justamente por estar recheada de músicas assim, feitas para apaixonados e, por isso mesmo, apaixonantes, ela tem outra perfeita para o dia dos namorados, também casando letra e música com perfeição. É Come and Get Your Love, da banda Redbone:
 

Fala a verdade: está aí com um sorriso no rosto, não está? 
Então, fica a dica para este dia dos namorados: mais Hooked On A Feeling e menos Endless Love. Garanto que tornará este dia mais memorável e menos cliché.
 
Ah, mas você está sem namorado(a) e aí só teria motivos para endless pain. Compreendo, mas me responda uma coisa? Que tipo de pessoa te atrai: uma que venha com Endless Love ou uma cantando Come And Get Your Love? 
 
Se você respondeu a primeira, já tem uma boa pista para saber por que está sozinho(a). Já se você preferiu a segunda, bem, então seja essa pessoa!
 
Quer aprender como? Confira essas 6 dicas que o Jota deu para você começar um relacionamento e se quiser mais temos até curso sobre isso aqui n’Os Náufragos!
 
 
 

A pessoa certa para se relacionar não existe

Começar coisas é complicado.

Seja começar a ir para a academia, a praticar algum esporte, ou a criar um hábito de leitura, normalmente é difícil dar o passo inicial.

Um relacionamento então? Nem se fala!

Quando dizemos que vamos começar, por exemplo, a aprender a tocar violão, estamos falando da nossa relação com alguma coisa. Já em um relacionamento, quem está do outro lado é uma outra pessoa, que nem sempre está presente ou agindo como desejamos.

O negócio é tão complicado que aqui nos Náufragos nós até criamos um curso só para tratar disso, o Como começar um relacionamento.

 

Acontece que a maneira como começamos um relacionamento e as dinâmicas que criamos nesse período inicial acabam influenciando toda a nossa jornada a dois.

Muita gente acaba, inclusive, achando que tem o “dedo podre” devido aos repetidos relacionamentos que deram errado.

A verdade é que não existe pessoa certa. Existem pessoas que fazem as coisas darem certo! Relacionamentos são construções.

Duvida? Clique aqui e dê uma olhada neste nosso post no Facebook.

De repente a gente te ajuda a não naufragar no seu próximo relacionamento!

Maturidade #3 – fazer o que deve ser feito

Amigos de longa data, eles se encontravam quase toda semana para aquela cervejinha na sexta pós expediente. A amizade começou no colégio. Ricardo conheceu Pedro, o Pedreira como era chamado, lá na primeira série. Na segunda foi o João que começou a andar com eles e na oitava já eram em seis. O último a entrar no grupo foi o Bolacha, ele fazia faculdade com o Mateus e virou melhor amigo de todo mundo depois de uma noite em que o Vidal chegou até a ser preso.

Como vocês sabem, amizade de homem é tudo igual. Um chega xingando, outro fala da mãe, um terceiro ri e o quarto muda de assunto. Recentemente eles acabavam sempre falando de filhos, esposas e empregos: os primeiros davam trabalho mas valia a pena, as segundas davam trabalho e às vezes valia a pena, os terceiros davam trabalho e nunca valia a pena. O interessante, nesses momentos, é que eles assumiam quase um postura de clube ou grupo organizado. Tanto que há muitos anos o Oriental mudou o nome do grupo do whatsapp pra “Máfia” com uma foto do Poderoso Chefão e nunca mais tiraram.

Era uma máfia e cada um tinha o seu papel. Ricardo e Pedro eram os conselheiros, enchiam o povo de pitaco mas sempre concluíam com frases tipo “mas veja lá você, não quero me intrometer…” ou “não precisa seguir o que eu digo, é só uma sugestão…”. João e Oriental sempre promovendo alguma coisa, chamando pra um churrasco, lembrando dos aniversários – e obviamente contando as melhores histórias – eram “a cola” do grupo. Vidal era o sujeito misterioso e mais ferrado de todos: ninguém sabia bem o que ele fazia, já estava na segunda separação e sempre passava do ponto nas festas. Bolacha, por ser mais novo e o último a entrar no grupo, era o calouro, o estagiário, o zoado sem nunca zoar, o aprendiz e qualquer outro apelido que deixasse claro que ele nunca seria respeitado. A piada preferida era responder à qualquer comentário seu com “alguém viu o prazo de validade dessa Bolacha? Parece que tá vencendo…”.

De todos, nos restou o Mateus – até porque ele merece um comentário à parte. Se todos tinham o perfil clássico do filho da classe média alta, Mateus era um homem que se criou sozinho: pais sempre se separando, filho mais velho de três, acabou aproveitando a revolta adolescente e o trabalho no mercado para sair de casa e morar num pensionato. Depois conseguiu se tornar caixa e gerente, sempre ajudando os dois irmãos com um pouco de dinheiro e alguns conselhos. Com 22 anos já morava sozinho há tempos e dava conta do emprego e faculdade. Fez Administração por três anos mas mudou para Marketing pois recebeu uma proposta de emprego que exigia dessa graduação. Hoje com 37, casado e com quatro filhos – a última gravidez da esposa foi de gêmeos – dá conta de sua empresa com a maior naturalidade e por tudo isso, e mais um pouco, é chamado de Patrão pelos amigos.

Mas o apelido veio mesmo após o acontecimento mais grave que o grupo passou.

Era meados de 2005, todos estavam regulando a idade de 20 à 25 anos. Um dia foram no churrasco de fim de ano da faculdade do Oriental, ele estava se formado em Direito, e fora o João que sempre namorou, o resto estava meio solteiro e bastava dizer três palavras mágicas “cerveja, churrasco, mulher” que eles apareciam feito Mestre dos Magos. A festa começou cedo e lá pelas 2h todo mundo já não sabia mais o rumo de casa.

Foi quando ouviram um grito e começou o corre corre. Não demorou muito para encontrarem o Felipe desmaiado no banheiro, meio sem pulso e com o nariz sangrando.

Em horas como essas dividimos os homens dos meninos.

Bolacha juntou o Pedreira e o Ricardo, se enfiaram num táxi e voltaram pra casa assustados. Nem viram o ocorrido, mas como tinham fumado maconha e dividido uma bala, ficaram com medo de serem presos pois ainda estavam bem altos. Vidal viu tudo de longe, mas como estava bêbado demais dando uns pegas numa caloura num sofá velho no canto – depois que ela saiu correndo – ficou por lá e resolveu não se meter no assunto. João despachou a namorada mas ficou feito barata tonta e, sem saber o que fazer, não saiu da cola do Oriental. Os dois ficaram meio de platéia ou ajudando em pequenas coisas e no final estavam meio em choque.

Foi Mateus, que como um chefe, deu conta do recado:

chamou um sujeito grande e ajudou a tirou Felipe do banheiro, colocou ele numa mesa, deu bronca nuns bêbados, pediu para umas meninas trazerem água e o kit de primeiros socorros, mandou desligar a música, ligou para ambulância e ainda encontrou uma estudante de Medicina meio sóbria para tentar reanimar o rapaz. Em meia hora ele estava coordenando todo mundo e botou todos na linha. Quando já era dia, foi o último a ir embora. Esperou a família de Felipe chegar no hospital para poder acalmar Dona Regina e Seu Aloísio – ainda deixou o número de telefone para qualquer eventualidade. 

Tudo isso causou um impacto imenso no grupo.

Após aquele dia, quase ninguém disse nada pois ainda estavam absorvendo tudo. Porém, lá no fundo, todos entenderam que Mateus tinha algo que eles não tinham. Foi só depois de dois meses, num dia que o Patrão não pode ir beber com os amigos, que voltaram para o assunto. Foi Vidal – que apesar de ser um doido sempre tinha seus momentos de sabedoria – que acabou dizendo o que ninguém até hoje havia dito.

– Piazada, sou só eu ou vocês ainda pensam naquele churrasco? Eu tava caindo de bêbado mas parece que foi como ver um filme, eu ainda lembro de tudo…

Todos riram. Certeza que pra lembrar disso você teve de esquecer o nome da sua mãe!, disse Pedro.

– Sério, cacete! Ouvi aquele caos e no meio de tudo lembro que o Mateus apareceu e me perguntou de você, Ricardo, e de você, Pedro. “Cadê os piás, Vidal? Puta merda, eles sempre somem nessas horas!”. Eu tentei levantar mas ele me empurrou pro sofá dizendo que mais um locão não ia ajudar em nada. Eu fiquei lá, né? Não vamos contrariar o chefe de plantão. Mas foi impressionate, cara. Até hoje penso nisso: como é que um piá de merda conseguiu mobilizar todo mundo como se fizesse aquilo desde que nasceu? Sério, vocês não estavam lá, seus zé droguinha!, mas em dois toques todo mundo obedecia ele, todo mundo confiava nele.

Acho que a gente é um bando de frango…

– Já parou para pensar, interrompeu João, que ele sempre faz isso? Porra, tamo com uns vinte anos e o cara sempre foi tipo nosso padrinho. Sei lá. Lembra aquela vez que teu pai queria se separar, Oriental? O Patrão te ligou, conversou contigo, deu um monte de dica, explicou pra gente o que fazer e ainda conversou com teu pai. Cara, com teu pai! Quem faz isso com 16 anos, porra!? E aquele dia que eu tava mal pra caraio por conta da desgraça da Sofia? Ele me escutou e deus uns puta de uns conselhos massa, até hoje eu lembro dele me dizer “você ainda é muito novo pra sofrer tanto”. Meu, olha essa frase!, da onde ele tirou isso? E na boa, nesse churras aí, ele salvou a vida do Felipe! 

Naquela noite eles seguiram conversando sobre o Mateus. Pela primeira vez tiveram consciência que ele tinha algo de diferente de todos eles.

Ainda conversaram bastante, mas foi o Bolacha que melhor traçou o cenário.

– Sem zoeira, pessoal! Mas a gente é um bando de piá de prédio que o primeiro emprego só foi depois da faculdade. Antes era só estágiozinho de meio período que a gente reclamava mais do que podia. Enquanto a gente achava que tava morrendo pra entregar uns relatórios toscos e tomar café enquanto dava em cima da secretária do chefe, o Mateus tava ralando desde manhã e ainda fazia faculdade. E eu era calouro dele. Eu me ferrando, enquanto o cara passava sempre sem DP! E o mais foda, eu soube que ele chegava em casa e fazia a marmita do dia seguinte! O Ricardo, essa montanha de gordura que é, nem sabe fazer um ovo!

Sei lá, mas acho que ele sempre deu conta da vida dele, e a gente não sabe o que é isso…

Depois disso a conversa dispersou. Mas no dia seguinte quando o Oriental mudou o nome do grupo, todo mundo entendeu a referência da foto: eles eram a Máfia porque Mateus era o Poderoso Chefão. E tudo foi confirmado quando receberam a mensagem dele perguntando: Piazada, como foi ontem? Eu tava atolado de trabalho. Você não fizeram merda, né? 

 

 

Assim como eles, todos nós temos algumas referências de maturidade em nossas vidas mas que normalmente passam em branco até algum evento evidenciar aquilo que é óbvio.

Aquele que busca todo dia “dar conta do recado” – como diria minha mãe – está sempre mais propenso a amadurecer. E todo dia nós encontramos situações que nos oferecem a possibilidade de melhorar e se postar de forma mais madura. Pois, no final das contas:

Maturidade é conseguir fazer o que deve ser feito.

Caso você siga essa lógica, perceberá que tudo ao nosso redor pede resolução. Muitas vezes são questões bastante práticas – como uma louça esquecida na pia – mas talvez, na grande maioria das vezes, o que está em aberto são questões pessoais.

Dar conta do que deve ser feito é primeiro dar conta de você mesmo: seus medos, receios, sonhos e deveres.

Mateus só deu conta do desmaio de Felipe pois há tempos dava conta de si mesmo. Ele já era um homem que conseguia organizar e resolver problemas antes daquele churrasco. Quando encontrou mais uma questão em aberto para ser resolvida, ele simplesmente fez o que tinha de ser feito, pois é isso que ele vinha fazendo desde sempre.

A pessoa madura sabe que a vida é uma sequência de problemas esperando soluções – e não há nada de errado com isso.

O interessante nesse ponto é escutar o discursos dos imaturos, pois normalmente, tudo é dividido entre os Vencedores versus Fracassados. Veja os adolescentes, normalmente eles têm algum grande feito que desejam realizar, e caso consigam essa conquista, a vida está dada por satisfeita.

Sendo assim, enquanto essa questão ainda não é resolvida, eles se vêem como fracassados ou culpam alguém (normalmente a família ou a sociedade). Realmente acreditam que a vida é realizar alguns feitos e ponto final. É como ainda sonhar com o clássico “e foram felizes para sempre”. Ironia do destino: caso seja realizado o que queriam, também se decepcionam, pois o mundo não era tão cor-de-rosa quanto sempre sonharam.

Amadurecer é perceber que os problemas nunca irão acabar e, portanto, mais importante que esperar o dia em que não terá mais dificuldades, é preparar-se para resolvê-las o melhor e mais rápido possível.

Seguimos com esse tema em breve, ainda há muito o que dizer! 

 

 

Maturidade #1 – caminho sem volta

Maria tem 27 anos.

Há dez mora na cidade. Começou dividindo o apartamento com duas primas, mas logo a convivência ficou estremecida pois enquanto se dedicava a estudar para passar em Direito na Federal, as primas só queriam saber de maconha, cerveja e festa o dia inteiro. Para sua sorte, não sofreu muito com o vestibular, passou bem na segunda tentativa e logo que conseguiu um estágio foi morar sozinha. 

O apartamento era um “quarto e sala” no centro. Toda vez que um ônibus passava as janelas velhas tremiam. Com o tempo se acostumou com o barulho, afinal de contas, mais barulhenta que a rua eram os vizinhos. Parecia combinado: era ela sentar para estudar e o casal ao lado começava a gritaria. Os argumentos ela sabia de cor. 

Se fossem só eles dois, tudo bem; mas o que cortava o coração dela era o pequeno Anthony – sim, esse era o nome! – que sempre fazia do seu choro a trilha sonora da discussão do dia. Como estudar ouvindo choro, gritos e ainda sentindo aquele aperto no coração pela criança? Maria até tentou conversar com os dois, mas era pior. Um dia havia acabado de falar com a vizinha e ouviu em alto e bom som: “até os vizinhos não te suportam mais, seu escroto!” Então, escutou socos e chutes na parede aos berros “escutem mesmo, seus merdas! Pensam que são quem, seus filhos da puta!?”.

Com o tempo, Maria conseguiu arranjar um novo lugar para morar e também trabalhar. Estudante exemplar, conseguiu uma bolsa de estudo na Espanha por seis meses. Sofreu um pouco por lá, mas conseguiu dar conta e aproveitar a oportunidade. 

Hoje ela está formada há seis meses e trabalha como auxiliar de um advogado trabalhista, um ex-professor que sempre acreditou em sua aluna. 

Mas não só de estudo e trabalho vivia a moça. Certo dia resolveu sair com uma de suas primas. Apesar de escolhas de vida completamente diferentes, Maria gostava de conversar com a Rê às vezes para espairecer e dar risadas. 

Foi numa noite dessas que conheceu Pablo.

Pablo nasceu em berço de ouro. Desde menino era considerado o garoto prodígio da família pois conversava com todos e parecia um adulto em corpo de criança. Por conta disso sempre foi esperto. Na adolescência era para ter repetido de ano várias vezes, mas sempre conseguia passar no conselho de classe. 

Foi nessa época também que aprendeu a tocar violão, pois seu tio Rogério sempre dizia que ele precisava aprender a ouvir a verdadeira música: começou ouvindo Beatles e uma coisa levou à outra. Do violão passou a tocar guitarra e com 18 anos montou sua primeira banda. No começo era meio Reggae, mas depois embarcou na onda do “som de praia”, como ele gostava de definir, e acabou fazendo algum sucesso com a piazada tocando em festas e churrascos.

Como era esperado, com todo esse desenvolvimento artístico, a vida de estudos continuou do mesmo jeito: foi levada nas coxas. Passou em administração, transferiu pra letras, tentou um ano de psicologia e desistiu da vida acadêmica na primeira semana de ciências sociais. “Minha vida é a música, o que importa é expressar tudo que vem do coração”, dizia ele ao ser perguntado sobre sua vida profissional. 

Ele acreditava em sua arte, mas não é difícil imaginar o que sua família pensava disso, né? Pai engenheiro e mãe ex-enfermeira, viam o filho como um rapaz meio perdido. E esse era o grande motivo das brigas diárias que recentemente aconteciam na casa da família – eram diárias pois o rapaz ainda morava no ático no fundo da casa e quase todo dia almoça com eles. 

Ele tinha 22 anos naquela fatídica noite em que conheceu Maria. Talvez por um ser o complemento do outro ou por pura obra do acaso, os dois estão juntos há um ano e meio. 

Mas nem tudo são flores.

Depois da pequena fase do encantamento do início do namoro, não demorou muito para começarem os problemas. 

Maria, como esperado, era o pé no chão do casal: pensava na vida prática, na carreira, gastava muito do seu tempo tentando se atualizar na área e quando acabava a correria do trabalho, gostava de ficar em casa ou no máximo sair com amigos para conversar em algum barzinho. Pablo era o sonhador: na luta por se tornar mais conhecido, passava a maior parte do tempo compondo músicas com os amigos, virava madrugadas e sempre que havia alguma nova banda tocando ou festival acontecendo, estava lá divulgando seu som. 

Certa noite, ele resolveu mostrar uma música nova para a namorada. Ela escutou desinteressada e ele explodiu: por que você não dá a mínima para o que eu faço? Maria, sem conseguir se conter, acabou por despejar tudo que pensava. Ela não entendia porque ele ainda insistia nessa história de música: “você é um cara tão inteligente, mas se perde nessas ilusões! Essa história de música não dá futuro e você ainda nem conseguiu sair da casa dos pais!.

Como vamos fazer com o nosso futuro?” 

Pablo disse que não sabia que estava namorando com uma senhora de 50 anos e que ficava puto quando ela não acreditava nele. Maria respondeu que do que jeito que as coisas andavam, ela nunca iria ter um filho dele. “Afinal de contas”, finalizou ela, “eu teria de cuidar de duas crianças: você e o bebê!”. 

O silêncio enfim se fez. Por um bom tempo os dois ficaram olhando para o nada sem saber o que fazer. Foi Maria então quem, com esforço, se levantou e disse: “eu preciso ir pra casa e teus pais já devem estar dormindo”. Saiu sem falar mais nada. Ao chegar no carro desabou e foi chorando para casa, e chorando chegou, e chorando dormiu sem perceber.

No dia seguinte, almoçando com duas amigas da sua turma da faculdade, ela contou tudo e ao final ainda se perguntava: “como é que ele não entende o que eu quis dizer? Ele parece um adolescente e eu vou ter de cuidar até quando? Será que vai ser assim pra sempre?”  

A pergunta de Maria é a pergunta de muitos e a sua fonte é uma só: maturidade. 

Maturidade é um caminho sem volta. 

Uma vez que você consegue amadurecer um pouco, esse pouco nunca mais te deixa. Um conhecimento adquirido é uma verdade que não pode ser negada, ainda mais quando o conhecimento foi conquistado por meio do sofrimento de sua própria vida. 

Quem morou sozinho e pagou suas próprias contas sabe que sempre irá levar em consideração o preço das coisas. Quem sofreu com perda de um ente querido e teve de trabalhar desde cedo nunca mais vai esquecer essa fase da vida, simplesmente porque tudo isso fez você ser quem você é. 

A maturidade então é o benefício que todos temos ao passar nas provas da vida.

Se no colégio nosso objetivo é passar de ano, na vida é passar de fase. E como eu já disse, é um caminho sem volta. 

Muitos sofrem por essa questão – principalmente em relacionamentos. Um dos dois está um passo à frente do outro, olha a vida de forma diferente pois já viveu situações que o obrigaram a se desenvolver. Já o outro lado ainda está verde, precisa de muito para amadurecer. 

Assim como as frutas, é a maturidade que faz você cair do pé familiar, sair da dependência dos pais para então realizar o seu sentido da vida. 

Saiba, não há sentido da vida ou vocação sem maturidade. E vou repetir quantas vezes for necessário:

Não há sentido da vida ou vocação sem maturidade. 

Sem ela você não tem três bases estruturais para realizar seu ser no mundo:

1. noção adequada da realidade,

2. conhecimento de si e de seus limites e

3. coragem para encarar a vida.

Por isso, todas às vezes que me procuram com algum problema vocacional, a primeira pergunta que faço é: você mora sozinho? Paga suas contas? 

Parece uma questão bem besta para aqueles que acreditam estar em busca de uma atividade espiritual elevada e dispostos a se sacrificar por isso. Vejo em 90% dos casos uma expressão que me diz: “por que diabos você quer saber disso se estamos falando de algo superior? Por que se apegar à trabalhinhos pequenos se eu quero algo maior e elevado?” 

Só essa expressão já bastaria para saber o nível de maturidade do sujeito. Mas quando me confirmam dizendo que ainda moram com os pais e não trabalham, sei que ainda estão verdes para pensar em sentido da vida. 

Pois sempre sigo um princípio bem claro:

Antes de ser uma pessoa que realiza sua vocação, você precisa ser uma pessoa. Esse é o caminho natural das coisas. 

O que escrevo aqui não é nenhuma visão de tiozão chato que deseja que todos se tornem adultos adequados – se bem que não seria uma má idéia, né? A questão é que ninguém deseja não amadurecer (ainda desenvolverei o conceito imadurecer ou inmadurecer). 

A vida é para frente, nunca para trás.     

Por isso mesmo, você, ao ler o meu exemplo acima, sabe que Maria está certa. Se alguém tem de se esforçar é o Pablo e não ela. Sabe por que você acha isso? Porque ela é madura e deseja realizar feitos que só pessoas maduras podem realizar. 

O problema não é a atividade que você – ou o Pablo – escolheu, a questão é a postura diante da vida que você toma. 

Mas esse é o primeiro capítulo sobre esse tema. 

Em breve falo mais sobre aspectos da maturidade, mas não se esqueça: maturidade é um caminho sem volta, e todos devemos nos esforçar para cada dia ser mais maduros. 

 

Poscast #2 – Black Friday e Stranger Things 2

Já está no ar o nosso segundo podcast.

Dessa vez, além de falarmos sobre a nossa Black Friday, também comentamos o seriado Stranger Things – principalmente a segunda temporada. 

Sabe qual a relação desse seriado com o tema da maturidade, sentido da vida e sacrifício?

Clique na imagem abaixo, escute nosso programa e descubra! 

https://soundcloud.com/osnaufragospodcast/podcast-2

Lembrando que toda sexta tem um podcast novo.

E caso queira tirar alguma dúvida, enviar alguma sugestão de tema ou pedir uma ajuda, escreva para: podcast@osnaufragos.com.br

Dê o play e divirta-se! 

Até sexta que vem, abraço. 

Como sustentar um casamento: seja uma âncora

Deixa eu contar um pouco da história do meu casamento. 

Quando conheci minha futura esposa eu já tinha naufragado na vida. Tinha entrado na faculdade de Direito em 1994, aos 17 anos (faria 18 naquele ano), e estava ali levado pela maré sócio-cultural que faz os jovens dessa idade prestarem vestibular etc.

Escolhi pragmaticamente: se faculdade é para depois exercer uma profissão, que por sua vez é para ganharmos dinheiro exercendo e daí sim viver a vida, era melhor escolher o curso que mais abria possibilidades profissionais e de grana. Como meu pai era advogado, meu cálculo foi simples e fácil: fazer Direito matava todos os coelhos de uma vez só. Com uma única decisão meu futuro estaria resolvido.

Conheça nosso curso “Como Começar um Relacionamento”

Nada mais estúpido, eu sei. Mas enfim. Mas se a vida estava assegurada, que mais um jovem de 17 anos poderia fazer? Ora, curtir a vida adoidado. Entrei na faculdade querendo a farra que diziam  existir por lá. E existia, era o que mais tinha. O clube social e de campo a que me associei, a PUC/PR, tinha um rol de botecos em frente. O escolhido da turma era o Kowalski. Cansei de beber Kaiser Bock às 7h da matina, jogando truco entre bocejos, só para matar aula e ter “uma história pra contar depois”, tipo agora. Saía toda noite também, mal parava em casa.

Foi divertido? Foi. Mas enjoou muito mais rápido do que eu suporia se pensasse um mínimo que fosse num plano de vida.

Em meio semestre já me sentia vazio, frustrado e perdido. “Serão 4 anos e meio assim?”, pensei. Por mais que eu quisesse ser Ferris Bueller, não levava jeito para isso. Temia fosse o Cameron, na verdade. E quem não assistiu Curtindo a Vida Adoidado não vai entender nenhuma dessas referências, então, resolva isso daí logo, vai. Hoje é feriado, aliás, pede um filme assim.

Voltando. Eu integrava uma banda nessa época. Um de meus melhores amigos estava nela e participava de um grupo de jovens cristãos que volta e meia fazia retiros dito espirituais, com acampamentos etc. Convidou-me. Já estava naquela de procurar algo sem saber direito o quê, então confiei e fui conferir. Aconteceu em abril de 1995, durante o tríduo pascal. Esse retiro determinou muita coisa da minha vida dali por diante.

Mas antes dele e com muito mais significado aconteceu de eu ficar com minha futura esposa. Já nos conhecíamos. Estávamos num mesmo grupo de amigos no saudoso Aeroanta, casa noturna icônica de Curitiba, rolou um clima e ficamos. Começamos a nos falar mais, claramente interessados um no outro. Nesse ínterim tivemos aquela Páscoa. Eu, no retiro; ela, viajou com as amigas. Dias depois começamos a namorar e estamos juntos desde então, 22 anos e contando.

Vocês não fazem idéia de como bati cabeça para me encontrar comigo mesmo desde então. Dramas vocacionais, profissionais, financeiros, tentativas de fazer isso e aquilo, enfim, uma lista enorme de tentativas de ser feliz que naufragaram. Só uma coisa se manteve, como um chão firme que sempre esteve me sustentando ainda que eu não me desse conta, nem valorizasse como deveria: meu namoro, depois noivado e enfim casamento. 

Repare na foto em destaque. Não é minha, não somos nós, eu e ela. Mas aquelas âncoras ali creio que são, simbolizam demais o que é o casamento, especialmente nos momentos mais difíceis da vida. No caso do meu, estou longe de ser uma âncora, já que fui eu quem mais tornou nossa vida difícil.

Graças a Deus minha esposa é uma âncora por ambos.

Tudo passava, tudo passa, menos ela, segurando as pontas, a família, minha vida. Falando em Deus, tem aquela passagem famosa de São Paulo sobre o amor: “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” Impossível não lembrar da minha esposa lendo isso. Por isso sei que jamais serei amado como sou amado por ela. Espero apenas ser digno desse amor e que um dia ela possa dizer o mesmo de mim, se Deus quiser.

Todo mundo tem seus dias mais felizes da vida. Eu tenho um em especial que me marcou por ser das raras vezes em que você tem confirmação de ter tomado a decisão mais acertada de todas. Eu estava no altar, um tanto ansioso. Quando a vi entrando pela nave da igreja, linda demais, abri um sorrisão e tive essa certeza. Uma paz e serenidade me invadiu como poucas vezes senti. Foi como ensina o provérbio bíblico: “Quem encontra uma esposa encontra algo excelente; recebeu uma bênção do Senhor.”

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A música que marcou nosso dia foi a arqui-conhecida “Can’t Take my Eyes Off You”, originalmente gravada pelo Frankie Valli. Existem centenas de covers, essa que vai abaixo ela gosta particularmente e eu também. Mas tanto faz a versão, é sempre um refrigério para minha alma escutá-la, creio que para a dela também. Aquela paz e serenidade retornam, de repente tudo volta a ficar leve, com sentido, ancorado.  

Durante a cerimônia eu cometi uma gafe daquelas. Na hora de dizer “Eu, Francisco, aceito…”, troquei meu nome pelo dela. Virei piada da família e amigos até hoje, e com razão. Mas me dei conta muito tempo depois de que, na verdade, não foi gafe, não; foi confissão. Eu, sem a Lorena, não sou o Francisco.

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A crise dos 30 anos e a receita de Keith Richards: Amor, Família e Rock’n Roll

“A vida é engraçada, sabe? Sempre achei fosse viver até os 30 anos. Mais do que isso seria horrível viver. Até que fiz 31 e pensei: até que não é tão ruim.” 

Quem disse isso foi Keith Richards, do alto dos seus mais de 70 anos. Seria a cura para a crise dos 30 anos simplesmente deixar passar, fazer 31 e pronto? Bastaria suportar a sensação de que tudo parece meio que definido e o futuro será mais do mesmo que daí essa sensação passaria como veio e a vida voltaria a se abrir em possibilidades?

Talvez, se você estiver como o Keith aos 30 anos. Claro que não precisa fazer parte de um Rolling Stones, que já eram conhecidos pelo mundo todo quando ele tinha 30 anos, mas ao menos sabendo o que quer fazer da vida, mesmo que não tenha conquistado nada ainda. 

Mas se você, como eu, sentia o peso da incerteza de não saber direito o que quer ou o que fazer, então essa espera se tornará combustível da crise, não sua solução. 

Conheça nosso curso “Enfrentando a Crise dos 30”

Lembro bem da minha crise dos 30, do quanto me sentia afogado na vida. Qual era minha vocação? Com que eu deveria trabalhar? Quem eu deveria ser? Pior, quem eu já era? Resultado: angústia de doer o peito somatizada numa esofagite grau sei lá qual, que me obrigou a fazer uma cirurgia e mesmo assim, um mês depois dela, voltei a sentir todos os sintomas, sem que nada aparecesse em exames. Sim, era da minha cabeça. Ali fiquei com medo de ficar louco (alguns dirão que eu fiquei). Foi quando decidi mudar de vida e para encurtar a história: eis-me aqui.

É difícil convencer alguém sofrendo nessa crise que boa parte do seu problema é de falta de imaginação.

É como dizer a um doente padecendo de fortes dores que ele precisa tomar vitaminas. Ele só quer que a dor acabe, mais nada. É compreensível. Mas é isso, é falta de imaginação sim. 

Conhecer biografias de quem deu certo na vida é uma boa maneira de começar a se dar conta dessa falta e ao mesmo tempo começar a resolvê-la. Primeiro, porque em toda biografia de alguém que deu certo na vida essa sofrência existencial é parte inevitável e essencial de quem se tornaram. Segundo, porque enfrentaram essa sofrência e mais mil e um obstáculos e adversidades e superaram a tudo. Ou seja, saber que essa crise é inevitável e conhecer exemplos de quem a sofreu e superou é começar a deixar de apanhar da vida para aprender a encará-la e vencer. 

Além disso, conhecer quem deu certo na vida é também inspirador a quem se sente tão derrotado. Sim, não se iluda, a crise dos 30 anos é uma crise de derrotados, de frustrados. Às vezes é só com a parte profissional ou amorosa, às vezes é com a vida inteira, mas é sempre um sentimento de que deu errado, “deu ruim”, de frustração vital profunda.

Aliás, a biografia do Keith Richards é uma das que indico com veemência, é muito inspiradora. Tem uma autobiografia e um documentário lançado em 2015, “Keith Richards: Under Influence”, contando sua vida à luz das suas influências musicais e de vida. Está disponível na Netflix.

Um aperitivo: Keith saiu de casa bastante jovem, aos 19 anos, para tentar viver de música. Não foi fácil. Logo depois seus pais se separaram e ele perdeu contato com o pai por 20 anos. Nunca o procurou porque acreditava que o pai tinha se decepcionado com ele: “Talvez porque eu me preocupava com o que ele pensava de mim. Era um sujeito certinho que trabalhava duro. A idéia de ter um filho preso por uso de drogas, eu podia ouvi-lo dizer: ‘ele nunca vai prestar pra nada‘.”

Depois desses 20 anos decidiu entrar em contato e marcou um encontro em sua casa. Chamou Ronnie Wood para estar junto, por proteção: “para você ver como eu estava com medo”. Mas quando o pai entrou, um velhinho de pernas curvadas, Keith enxergou apenas uma coisa: “mas era o papai, sabe? E foi tão fácil. Resolvemos tudo em minutos. Pelos próximos 20 anos ele se tornou meu melhor amigo. Foi em toda viagem, todo show, rodou o mundo comigo.”

Estranho imaginar um ícone da tríade “sexo, drogas e rock’n roll” como Keith Richards assim, saindo em turnê com o pai a tira-colo.

Mas é como ele mesmo disse: “99% das pessoas ainda acham que o Keith Richards está fumando um baseado, copo de Jack Daniel’s na mão, andando pela rua e xingando a loja de bebidas por estar fechada. É uma imagem a que estou preso como se fosse a um grilhão. Não é uma sombra, pois existe 24h por dia.”

Mas ele não é assim. Ou não só assim: “Minha família é tremendamente importante. Quando você vê o filho do filho a ficha cai. Ter filho é uma coisa, mas quando nascem os netos e netas, isso é… é um sentimento incrível. Não sei do quê. Realização? Sei lá. Continuidade?… Basicamente, de amor.”

E é lindo vê-lo rodeado pela mulher, filhos, netos e amigos. E Keith fuma e ri o tempo todo no documentário, é contagiante. Está ali um cara realizado e que sabe que é realizado, mas não envaidecido por essas conquistas. Certa altura o entrevistador lhe diz que ele se tornou como aquelas lendas do Blues que ele tanto admirava. É o único momento em que Keith fica tenso, pensativo, e responde: “Sim, eu sei. Eu sei.” 

Disse que continuará tocando até não conseguir mais. Não sabe fazer outra coisa e se sente abençoado por isso. Quando termina o documentário você sente vontade de ler a autobiografia, fazer maratona com os discos dos Stones e os da carreira-solo dele.

Porque é assim que acontece quando conhecemos vidas que deram certo: queremos mais delas, cada vez mais.

Alimente-se de vidas assim que quando essa crise dos 30 anos tiver ficado no retrovisor você reconhecerá que se não fosse por exemplos assim você jamais teria saído dela. Aguarde e confie. 😉

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Por que meus relacionamentos não duram muito tempo?

Um rapaz conhece uma moça.

Primeiro encontro, tudo corre bem, ele tenta algo mas ela nega. Ao final da noite ele manda mensagem dizendo que foi muito bom, ela agradece a companhia.

Segundo encontro é em um local mais intimista, acabam por trocar beijos tímidos em público e mais quentes dentro do carro na porta da casa dela.

Terceiro encontro, após algumas indiretas por mensagens se encontram em algum local público qualquer e ficam pouco. Na hora de ir embora alguém sugere “ir para outro lugar” e obviamente acabam dormindo juntos.

De madrugada ela vai para casa com sorriso no rosto, chega e manda mensagem para as amigas contando todos os detalhes. Ele, por sua vez, conta vantagem pro melhor amigo de forma lacônica: então, rolou!

Eis o roteiro do início da grande maioria dos relacionamentos de hoje em dia.

Depois de se conhecerem, ficarem, transarem, começam a criar mais intimidade, conhecem os amigos de um e do outro, depois as famílias e por aí vai. Quando se dão conta que estão namorando? Depois da segunda transa? Ou talvez quando se apresentam aos amigos? Pra muitos, só quando atualizam o status para “relacionamento sério” no facebook.

Assim a vida segue e não demora para que aquela moça que até anteontem era uma desconhecida agora dormir na casa dele, e aquele cara do aplicativo se tornar tão ou mais amigo dos amigos dela.

Então, dia mais, dia menos, você se vê de repente no meio de uma briga: você é um grosso; é você que não me entende; por que você fez aquilo?; quem é aquele cara, porra?; tá louco?; você nunca sabe o que tá falando, cala a boca!; não fala assim comigo, caralho!; nunca devia ter saído com você, sai da minha casa!; eu é que não quero ficar, escroto; idiota.

Blan! A porta se fecha.

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Sozinhos, cada qual remói a discussão rebatendo novamente todas as falas do outro, de novo e de novo e de novo… Aí vem a sensação de ter sido enganado, que foi envolvido em algum tipo de golpe. Até ontem era tudo tão legal e hoje você descobriu que não passaria de ilusão: “Mentiu pra mim e eu, trouxa, acreditei.”; “Ele era tão gentil, nunca suspeitei que era controlador.”; “Ela sempre foi calma e agora me vem com essas chatices sem sentido.” 

No fim, esgotados, dão-se por vencidos. É nesse momento que o disco vira e esse monólogo insano se volta contra você:

por que eu sempre faço tudo errado?

Aí quem é de fumar, fuma um atrás do outro sem conseguir parar a máquina de pensar; quem é de chorar, chora até secar. Ambos passaram da paixão para se tornar os maiores analistas afetivos do mundo, naufragando na própria racionalidade que só dá voltas sem sair do lugar e transformou nosso sentimento em tristeza, derrota, fracasso.

Essas histórias, e suas variações, não são novidades. Você já deve ter vivido algo assim. Grande parte do problema está no roteiro emocional pré-estabelecido que nem percebemos seguir automaticamente.

Esse script diz que devemos sempre seguir nosso “coração” e deixar fluir. Carpe Diem, aproveite o momento. Seja livre, seja você. Só se vive uma vez, se permita ser feliz. _________________ (insira aqui um clichê). Porém, bastou um pequeno desentendimento – muitas vezes nada grave – e toda essa conversa de deixar fluir, de instinto, emoção, sentimento, desaparece e lá vamos nós chafurdar na razão para tentar entender o que estaria dando errado e como consertar. É nessa hora que recorremos a testes de compatibilidade, teorias, estatísticas, astrologia, estudos psicológicos duvidosos da internet. Qual a consequência disso?

Vivemos em uma bipolaridade afetiva.

Acreditamos que em questões amorosas quem manda é a emoção. Então, sem pestanejar, não pensamos ou avaliamos muito a relação em que entramos. Nos doamos por inteiro à paixão que sentimos, não ao outro que dizemos amar. Daí, quando passamos por uma situação conflituosa e precisamos analisar os fatos, nem sabemos por onde começar e vem o sentimento inverso da paizão: a raiva que quando passa vira tristeza. 

Não estou dizendo que está errado dar atenção aos seus sentimentos, pelo contrário. Viva cada um deles, aproveite. Mas não dê um passo maior que a perna. Pense no futuro, nos seus sonhos, nas suas necessidades e tente descobrir se o que você está vivendo segue nessa direção. 

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A velha rixa entre razão e emoção não existe. Todos os nossos sentimentos precisam passar pelo crivo da razão e toda conclusão precisa passar pela prova dos sentimentos.

Você não precisa escolher um lado, precisa ser inteiro. Se sua vontade é seguir de mãos dadas com quem você decidiu amar, é preciso que a emoção e a razão também se tornem um par. 

Sentir e pensar, pensar e sentir: essa é a solução. 

 

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Superando as marcas do passado: como reconstruir um coração em ruínas

O futuro de todo relacionamento tem apenas duas alternativas: seguir em frente e tornar-se cada vez mais sólido ou, infelizmente, acabar e cada um seguir seu rumo. A primeira opção é o objetivo que todos procuramos – quem não quer ser feliz, não é mesmo? Mas é sobre o segundo caminho que precisamos conversar. 

Términos não são fáceis. Você pode ter passado por vários e sempre que se encontra nessa situação passa pelo mesmo drama. Toda vez que descubro que um relacionamento terminou, sempre sinto certo pesar. Porque tenho certeza que não foi algo suave e agradável.

Posso parecer pessimista, mas sempre alguém sofre com o fim de um relacionamento.

Pode ser apenas uma das partes ou as duas, mas todo fim tem sua cota de dor. Cortar um vínculo que fazia parte de sua vida é como se de repente alguém tirasse uma das colunas de sua casa: o prédio começa a ter rachaduras, tudo fica incerto e parece poder ruir a qualquer momento. E assim como evitar um desmoronamento é custoso, o mesmo ocorre aqui: você logo corre para segurar a estrutura toda com vigas de madeiras improvisadas e tudo o mais que tiver à mão.

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Pior, às vezes até deixamos tudo desmoronar. Já que fulano não me quis, que se dane. Se ciclana me deixou eu também vou me deixar. Em pouco tempo o caos está completo: a casa perde a forma, tudo se torna um monte de entulho.

O coração machucado se quebra e a esperança se esvai como água em meio aos cacos de um vaso no chão.

Apesar disso, nem tudo está perdido. Tudo passa. Do meio dos escombros podemos ver alguns móveis que se mantêm de pé, uma parede que não caiu, a fachada ainda intacta. Então, como pedreiros dedicados resolvemos salvar essa casa em frangalhos: refazemos a planta, compramos novos materiais e aos poucos vamos acertando cada detalhe.

Substituímos a fase depressiva, triste e de auto piedade pela vontade de ser feliz de novo. Ligamos para amigos, saímos de casa, conhecemos gente nova, gastamos energia, voltamos a nos permitir conhecer alguém que valha a pena. Mas muita calma nessa hora: no desejo de recomeçar, podemos não notar questões de suma importância.

Todo o trabalho pode ser perdido se reconstruirmos nossa casa sobre uma estrutura condenada: não há fim sem sofrimento e todo sofrimento deixa marcas.

Não podemos ser inocentes e acreditar que uma ferida não deixará nenhuma cicatriz. Às vezes mentimos para nós mesmo dizendo que somos fortes e superamos tudo. Passado é passado. Mas em grande parte somos feitos do que passou, principalmente dos momentos mais sofridos: esses se agarram em nossa memória feito adesivo.

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Estudar o terreno é essencial antes de reconstruir nossa morada interior.

Olhar para tudo que passou, lembrar dos detalhes mais difíceis, passar nossas dores a limpo e organizar nosso interior são os primeiros passos a serem dados. Entre a tristeza e o desejo por novidade, parar e repensar todo o trajeto é sempre a melhor opção.

Quem não é Narciso nas Redes Sociais?

Acho que todos conhecem a história de Narciso, não? Apaixonado por suas selfies, nada mais fez de sua vida senão contemplar-se no instagram, até nele mergulhar e morrer.

Dizem que isso é mito, e muito antigo, coisa de grego. Só se for a parte do mergulhar e morrer porque, no mais, Narciso segue vivo, firme e forte, com o perfil ativo no facebook e em todo canto da internet. Narciso, hoje, é legião.

Uma de suas características principais, segundo o filósofo Louis Lavelle, que escreveu um livro a respeito, do qual tomei de empréstimo o título acima, é procurar mais aquilo que o agrada do que aquilo que ele é.

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Cientistas sociais, psicólogos, especialistas de toda ordem, estudam, pesquisam, analisam, teorizam, discutem, há tempos, o narcisismo e as redes sociais, terreno fértil para sua propagação, e seus estudos costumam demonstrar que muitos tendem a se sentir mal, tristes, sozinhos, depressivos, invejosos, quando vêem os amigos nas redes sociais publicando fotos de festas, viagens, férias, e por aí vai.

Claro, naquele momento, é mais agradável ser eles do que eu.

Parece coisa de adolescente, e é – Narciso, aliás, tinha dezesseis anos. Mas hoje em dia a adolescência esticada é um fato, e os dezesseis de Narciso devem equivaler aos quarenta e dois anos na atualidade, por aí. É uma epidemia, portanto.

Seria o caso de perguntar em que ponto o amor-próprio se torna doença, volta-se contra si mesmo. Mas acredito que quando se tornou mania publicar selfies logo que consumado o ato sexual (#AfterSex), ou sua variante a mostrar como ficou seu cabelo depois (#AfterSexHair), ou para mostrar sua roupa e expressão facial quando se está num funeral (#funeral), enfim, quando chegamos a tanto algo me diz que aquele ponto já foi ultrapassado faz tempo e falar de limites seria até interessante, mas tão produtivo quanto analisar o pênalti perdido por Zico na Copa de 1986.

Na verdade, embora quando se fale de narcisismo logo venha à mente vaidade, seu significado tem mais a ver com entorpecimento, que vem da origem grega do seu nome, narkhé. E é essa, parece-me, a marca registrada do narcisismo do nosso tempo, que já se fez antigo e pelo visto perdurará bastante. Estamos entorpecidos, narcotizados moral e espiritualmente, tanto que dá sono só de ler essas palavrinhas, como se a mera menção despertasse um fiscal chato com a única finalidade de estragar prazeres.

É proibido proibir, e beijinho no ombro a quem discorda.

No fim, o destino de todo Narciso é não ser amado, nem por si mesmo, e é essa dor que entorpecemos com nossa fabricada espontaneidade e rígido controle de qualidade da imagem que passamos aos outros nas redes sociais.

Como somos parecidos por lá, já reparou? Além de Narcisos, também somos Eco, a ninfa condenada pela deusa Hera a somente repetir o que os outros diziam, por ser muito tagarela. Ela se apaixonou por Narciso, mas não podendo expressar seu amor, terminou sendo rejeitada, isolando-se do mundo nas montanhas, onde se transformou em rochedo, mas continuando até hoje a ecoar, a repetir palavras que parecem, mas não são suas.

Por que mesmo você entrou na onda das selfies?  

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