Categoria: Relacionamento

Conversar não custa nada

Das inúmeras coisas que precisávamos pensar e definir sobre Os Náufragos, uma era de vital importância: como as pessoas entrarão em contato conosco. Precisávamos ficar próximos, o máximo possível disponíveis, respondendo a tudo e todos. 

Tirando, claro, os meios de contato comuns, como e-mail e redes sociais, seria muito melhor ter algo no site de fácil e rápido acesso. Eis que os nossos Meninos do Acre Digital, Eduardo e Ícaro, apareceram com o site pronto e esse ícone de chat aí embaixo no canto direito de nome simpático: JivoChat.

Nós, Jota e Chico, não fazíamos idéia do que era, até que eles nos orientaram a instalar o programinha e aprendemos rapidamente como usar. Sim, náufragos leitores, quando esse ícone pipoca aí na tela de vocês com um de nossos rostos, creia, somos nós mesmos que estamos ali a responder qualquer mensagem sua. Isso gerou conversas engraçadas com pessoas perguntando “estou falando com uma pessoa ou uma máquina?”.

A presença do JivoChat foi se mostrando a cada dia não apenas útil, mas essencial.

Se no início respondíamos dúvidas de toda ordem sobre o site, o projeto, os cursos ofertados, questões de ordem técnica, aos poucos os leitores também começaram a enxergar no chat uma forma de conversar conosco. 

 

Já temos até náufragos que retornam ao site mais para falar pelo chat do que ler nosso material.

E estamos adorando isso.

Tem quem faça consultas breves pelo chat, tem quem o use para pedir indicações de leitura, filmes, seriados e, mais importante de tudo: quem percebeu que pode assistir as aulas dos cursos e tirar dúvidas na hora conosco ou ter seus exercícios avaliados. 

Aprendemos também a acompanhar e entender o timing daqueles que nos procuram. O mundo atual é feito de oportunidades e a velocidade com que tudo funciona é vertiginosa e tudo parece descompassado. Coincidir o desejo de desabafar e contar suas dificuldades com alguém disposto a escutar e conversar é muito difícil, mas o JivoChat resolveu isso. Muitas conversas começam tímidas, com coisas do tipo “só estou lendo aqui…” e acabam com um desabafo, mesmo à distância. Conseguimos alcançar nosso leitores no momento em que estão vivenciando seus dilemas. Os dilemas estão em seu ápice e nós estamos ali, bem naquele momento. Hoje nosso trabalho pode realmente ajudar aqueles que estão se afogando na hora mais necessária.  

Não podemos esquecer daqueles que se sentem em casa e conversam como velhos amigos. Isso é excelente!

Quem sabe uma dia

Sujeito entra, já cumprimenta, solta um apelido, faz uma brincadeira, tira uma dúvida e sai dando risada. Como dissemos, somos nós mesmos respondendo: sinta-se a vontade! Esse bom humor também nos ajuda, deixamos de ser “os professores” e nos tornamos bons amigos sentados na cabine do navio, conversando e tomando uma bebida juntos.  

Claro que não conseguimos ficar disponíveis o tempo todo, mas mesmo sem combinar nada quase sempre temos um nós online por ali. E quando não há, recebemos as mensagens por e-mail e respondemos assim que lemos.

Ou seja, ninguém fica sem resposta ou atenção.

Então, caros náufragos, sintam-se à vontade para nos chamar aí pelo JivoChat. A casa é de vocês e não faria sentido algum abrirmos as portas sem ter quem os receba, não é mesmo?

Fidelidade e Dieta Afetiva

Deborah Secco traiu um, dois, três, todos os namorados que já teve. Mas todos mesmo? Sim, é verdade. Fui ver a lista dos ex da celebridade, encontrei vários famosos. Todos homens bem afeiçoados que devem ser o sonho de consumo de muita moça por aí. Tem dos mais variados gostos, mas com uma coisa em comum: todos cornos.

Porém, diz ela, que a única exceção é seu atual marido. Aposto que, assim como eu, todos que leram esse trecho sorriram. Tenho certeza que você pensou: ela traiu todos mas diz que agora não trai mais, coitado do rapaz… Por que pensamos assim? Não pode ser verdade que a atriz tomou jeito? Poder, pode – mas não parece provável.

Temos essa sensação de que o atual marido está prestes a ganhar um par de chifres se baseia em um conceito:

Fidelidade é honrar uma promessa. É se manter digno da confiança que o outro depositou e continua depositando em você.

Você emprestaria dinheiro para um sujeito que tem fama de mal pagador? Então, quando lemos a matéria, temos essa impressão: Deborah é uma pessoa sem palavra.

Talvez o que ela não saiba é que fidelidade é uma atitude que deve ser tomada de forma consciente. Vivemos em tempos que todos pregam a naturalidade: nada pode ser forçado, tudo tem de fluir naturalmente. Entretanto, basta alguns meses em um relacionamento, para você entender que ninguém fica naturalmente por toda a vida ao lado do ser amado. Relacionamentos são feitos de esforço e dedicação. 

Ser fiel, então, é uma escolha que você faz. Se você busca essa virtude, sabe que deve evitar certos locais, cortar algumas conversas, contornar situações, não retribuir aquele olhar.

Sem erro podemos dizer: fidelidade é um exercício. E assim como todos exercícios, você deve se dedicar e ter disciplina.

Certa vez conversei com um rapaz que tinha uma dificuldade imensa de ser fiel. Superando a atriz renomada, confessou que traiu todas namoradas e inclusive a atual. “Quando eu vejo, comecei a puxar papo, menti que sou solteiro e tudo que quero é ficar com aquela moça. É quase involuntário, eu não consigo me controlar”.

Disse que ele tinha de fazer uma Dieta Afetiva.

Propus que parasse de se portar como um macho alfa e que buscasse honrar o que havia prometido. Diante do olhar dele de cachorro sem rumo, tive de ser mais claro: já ouviu a expressão pensar gordo? Então, você precisa parar de pensar como um solteiro. Comece a praticar a fidelidade. Corte as possibilidades de trair pela raiz. Você sabe muito bem quando há segundas intenções, basta apenas não promovê-las.

Final da história: ele sempre ria ao lembrar da minha dieta mas não conseguiu controlar sua fome por novidades.

Assim como a Deborah Secco, ele tinha um ego obeso.

300 milhões de razões para falar sobre depressão

Mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde. É possível você seja uma delas, ainda que não saiba ou se recuse a admitir. Já é considerada a maior causa de problemas de saúde e de incapacidade, aliás.

Quem manja dos paranauês psicológicos aqui é o Jota, mas lá se vão uns 8 anos dando aulas particulares e tive de aprender a lidar um pouco com a depressão também, não me faltaram alunos padecendo dela. E aprendi muito com eles. Por exemplo, só fui entender mesmo o que era a depressão quando um deles me disse:

“Sabe aquele ditado do otimista e do pessimista diante de um copo com água pela metade? O otimista fica feliz por estar meio cheio, o pessimista fica triste por estar meio vazio, mas sabe o que um depressivo acha? Que a vida é uma merda.”

O que entendi? Que não adianta tentar animar um depressivo, muito menos convencê-lo que ele precisaria fazer isso ou aquilo. Se quiser realmente ajudá-lo, vai demorar a obter algum “sucesso”. Por isso, nem comece se não for para se comprometer de verdade com ele. Se for para abandonar no meio do caminho, melhor deixá-lo como está. Perseverança é tudo, por isso, haja paciência, muita paciência, mais um pouco de paciência e, por fim, ainda mais paciência.

Para ajudar um depressivo você precisa começar pelo óbvio: escutando o que ele tem a dizer. Esqueça soluções possíveis, ainda que funcionem e sejam o que ele realmente precisaria. Apenas escute, tente conversar, sem querer “curá-lo” nem nada. Todo depressivo tem uma rica vida interior, acredite, e defende essa interioridade com unhas e dentes. Ele não se abrirá facilmente, só fará isso com quem se sinta seguro. Por isso demora. É preciso passar por inúmeros testes de confiança para que se convença que você tem interesse real por ele, não porque sua depressão está atrapalhando você ou outros.

Em outras palavras, você precisa se tornar um amigo. Daqueles que não importa o que o outro faça, estará ali por ele.

A primeira causa da depressão, a mais importante de todas, é a solidão.

Mas, prestenção!, a solidão de que falo não é qualquer uma, é aquela que você sente por mais que tenha namorado(a)(x), amigos, familiares, colegas. Aquela que se impõe como uma prisão quando você percebe que todos à sua volta só estão ali por hábito, por estar, não tem real interesse por você, não lhe prestam atenção de verdade, não se importam de verdade com o que se passa com você.

A depressão, em verdade, começa por ser uma derrota para essa solidão, uma aceitação que faz com que doa menos não desejar mais nada. Mas aos poucos a depressão se torna a própria fortaleza da solidão, não deixando mais ninguém “entrar” porque a mera possibilidade de sofrer de novo parece pior do que ficar como está. É o famoso “tá ruim, mas tá bom”.

É por isso que depressivos costumam criar um mundo à parte (“a vida é uma merda” é isso, no fim das contas), adoram ficar no seu quarto, na sua cama, costumam ter uma relação quase religiosa com certas músicas tristes, filmes, seriados, livros, personagens que lhes são significativos demais, os verdadeiros amigos, a única coisa que lhes impede de ficar pior. Mas também as distrações e anestesias da solidão tem vida útil e quando acaba o efeito, que fazer?

É aí que está o segredo do sucesso de um seriado como “13 Reasons Why” num mundo com 300 milhões de depressivos e sabe-se lá quantos mais que convivem com um. O que esse seriado mostra, no fim das contas, é justamente esse mundo interior de uma menina depressiva que se sente profundamente só e chegou no seu limite (prestenção!, no limite dela, não no que você acha deveria ser o limite dela), aquele em que a fortaleza se transforma em pena de morte inescapável: o suicídio. 

Por que o seriado incomoda tanta gente, considerando uma “defesa” ou incentivo ao suicídio? Porque a perspectiva da narrativa é quase toda da menina, das suas razões para tanto, sem julgá-la. Seria isso incentivar ou justificar? Surgiu um pesquisa recente dizendo que sim. É provável mesmo, assim como também é perfeitamente possível tenha ocorrido o oposto, ou seja, quem tenha desistido disso por ver o seriado.

Como lidar com esse seriado, então? 

Ver ou não ver? Deixar ver ou proibir? Ora, da mesma forma que se deve lidar com todo e qualquer depressivo: dando-lhe ouvidos. Por isso, para mim, a pior reação possível é dizer que o seriado “não deveria existir”, “a netflix deveria tirar do ar”, “proíbam seus filhos adolescentes de ver” e por aí vai. Quem diz isso não percebe que ao agir assim está dando mais uma razão para o suicídio da menina, porque isso daí não revela nenhuma preocupação por depressivos e suicidas potenciais, apenas medo deles, do que eles podem fazer. (Sem contar que é uma estratégia estúpida, afinal, o proibido é sempre “mais gostoso”)

Aposto que aqueles que se identificaram com a menina verão nessa atitude de censura ou boicote justamente a confirmação das razões apontadas pela personagem: no fundo, ninguém quer “ver” a realidade, “saber como é”.

Nessas horas me lembro de Chesterton quando disse que as crianças têm de saber sobre dragões não para saber que existem, mas para saber que podem ser derrotados.

Por isso prefiro atitude diversa. Se dermos ouvidos à menina, o que ela está dizendo? Que estava só, profundamente só. Que ninguém lhe prestava atenção. Se alguém tivesse sido seu amigo de verdade, será que ela teria chegado a tanto?

Creio que não. Isso não significa concordar com suas razões, ou o julgamento que ela fez de quem não foi seu amigo ou até inimigo. Não se trata aqui de encontrar culpados, mas de reconhecer uma realidade humana, escutando quem a está vivendo, compreendendo, no fim das contas: ela não teve amigos, estava profundamente só, a depressão foi se instalando, consolidando, tornou-se uma fortaleza até se estreitar ao tamanho de uma banheira.

Tive uma aluna que sofre de depressão que me pediu para assistir esse seriado. O psicólogo dela a proibiu de ver, logo, ela viu e queria saber minha opinião. Ela esperava um debate intenso comigo sobre culpa, justiça, vingança, a maldade alheia, buscava uma justificativa para sua depressão, para o que ela desejava fazer e não ousava dizer em voz alta.

Mas só fiz essa mesma pergunta acima: e se alguém tivesse sido amigo dela? Só então ela se deu conta que não tinha amigos de verdade, só conversava de verdade com o psicólogo (não mais depois dessa, claro) e comigo.

Perguntou-me, então: como se faz amigos?

Se tivesse receita não haveria depressão no mundo, mas dei uma sugestão: interesse-se você pela vida de quem você já conhece e veja o que acontece. Mas se interessar de verdade. Ou seja, tentasse ela ser um remédio para a solidão alheia, quem sabe assim não encontraria algum para a dela?

O fim dessa história? Quem disse que solidão tem fim? Ela mudou de psicólogo, aproximou-se mais de uma prima com quem tem boas chances de criar uma amizade real, tem saído mais de casa, mas continua com depressão. Como disse, é preciso paciência, muita paciência e depois, mais paciência.

Mas o melhor sinal que ela está melhorando é que ela preferiu rever “Anne With an E” a “13 Reasons Why”. Por quê? Segundo ela, porque enjoou de ser Hannah Baker (a suicida de 13…) e Anne lhe dá razões para querer viver, não apenas se lamentar.

6 dicas para começar um relacionamento

O ser humano é um ser relacional. Dependemos do outro para sermos nós mesmos: é primeiramente nossa família, e depois a sociedade, que nos forma e nos ajuda a ser quem somos. Porém, não raro arranjamos encrenca com diversas pessoas e acabamos pensando “o que eu tenho de errado?”. Na nossa realidade amorosa então, nem se fala! Parece que cada vez mais o sonho de um relacionamento saudável fica mais distante: podemos passar a vida numa sequência de relacionamentos parciais e insatisfatórios, ou então mantermos um relacionamento duradouro que perdeu o sentido há tempos.

Uma parte dos problemas pode estar no início.

Quando estamos envolvidos no começo de uma nova relação normalmente não temos clareza necessária para avaliar o que está acontecendo. A experiência de se apaixonar parece nos arrastar. Mexe com a nossa cabeça e nos deixa assim, e faz eu entender que a vida é nada sem você. Ficamos meio perdidos. E o pior, tudo que mais queremos é permanecer assim: perdidos de amor.

Porém, relacionamentos não se sustentam apenas de paixão e desejo.

Com o passar do tempo a intimidade aumenta e o convívio traz à tona diversos defeitos ou incompatibilidades que parecem terem sido propositadamente escondidas. É natural esse processo também, não há relacionamento que siga sem esse “choque de realidade”. É o momento em que você olha para quem está contigo e pensa: cara, como é que eu não vi isso antes? Grande parte dos casais seguem firmes nessa nova fase. É uma fase bem mais real, em que o objetivo deixa de ser aproveitar-se mutuamente mas compartilhar e viver as batalhas da vida juntos. Infelizmente, muitos não chegam a tanto: passada a fase do encantamento, o relacionamento acaba em ruínas. Para quem volta para a vida de solteiro é comum repensar tudo que passou. Frequentemente chega a hora de olhar no espelho e dizer: na próxima vez eu vou escolher melhor!

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Em minha vida tentei sempre prestar atenção nisso – nem sempre fui bem sucedido, confesso. Primeiramente para não me dar mal em minhas relações e depois por trabalhar atendendo pessoas que queriam resolver suas dificuldades. Repensando em tudo isso, listei alguns pontos essenciais para qualquer início de relacionamento amoroso. A idéia é fazer um contraponto a essa paixão que te pegou e você tentou escapar e não conseguiu. Talvez encontrando esse meio termo entre a consciência e o sentimento, é possível encontrar seu Final Feliz:

 

1. O que você quer?

 

O primeiro passo é saber o que você quer. Parece meio besta dizer isso mas a maioria esmagadora dos erros tem sua origem nessa questão. Como já disse, no começo somos enfeitiçados pelo sentimento, nesse momento costumamos esquecer dos nossos objetivos ou deixamos eles de lado. Não raro a gente fala “vamos ver no que vai dar”, esse é um erro clássico. Deixe-me ser claro: você está conhecendo alguém que pode vir a sua companhia pelo resto dos seus dias, você acha mesmo que o melhor a fazer é ver no que vai dar?

Portanto, antes de qualquer coisa, pense bem que tipo de pessoa você quer, quais afinidades são essenciais, quais características são insuportáveis, trace imaginativamente na sua cabeça essa pessoa. Volto a dizer, parece besta, mas te dará ao menos um rumo. Até porque, caso você deixe a vida te levar, há estudos (principalmente do psiquiatra Szondi) que comprovam que se você não prestar atenção, acaba sempre escolhendo o mesmo perfil trágico pra te fazer companhia.

Sabe “dedo podre”? Então, sinto te dizer, é má escolha.

 

2. Avalie a outra pessoa

Se o primeiro passo é saber o que você quer, o segundo é avaliar a outra pessoa. Esquece esse mantra moderno de “respeitar as diferença”, você não está aqui querendo entender o mundo ou resolver um problema social. Você está procurando alguém para dividir a vida. Lembro de um amigo que a única exigência que não abria mão era a menina ser fã do Senhor dos Anéis. Quando perguntaram o que aconteceria se ele encontrasse alguém que não curtisse tanto a obra de Tolkein, ele respondeu: “eu não quero que todas as mulheres sejam fãs, apenas quero que a minha seja. É pedir demais?”.

Bingo! Ele traçou um perfil e estava procurando na outra pessoa o que achava necessário, para tanto, avaliava todas as pretendentes que apareciam na frente. Eu sei que esse negócio de julgar os outros pode te deixar um pouco desconfortável, afinal de contas estamos na era da tolerância. Mas, sinceramente, todos nós julgamos o tempo todo. Parece mentira mas é verdade. Até mesmo para você aprender a tolerar os diferentes você antes teve de julgar os outros e então perceber que eram diferentes. Na vida afetiva esse mecanismo é automático, um exemplo moderno é o Facebook: antes de adicionar alguém ou continuar uma conversa todos nós vasculhamos o perfil e damos aquela olhadinha. Essa dinâmica também é a base principal para o Tinder.

Mas se eu já faço isso sempre, alguém pode perguntar, por que ainda erro na hora da decisão? O problema aqui é fazer um trabalho mal feito. É comum avaliarmos algum pretendente muito superficialmente, apenas pensando nas categorias básicas e visíveis: beleza, educação mínima, conversa, bom humor. Posso dizer que nos satisfazemos com o que o o facebook mostra. E uma vez que esses pontos foram minimamente satisfeitos a gente passa para fase “vamos ver no que vai dar”. Percebe o erro? É preciso realmente prestar atenção na outra pessoa, lembrar o que você quer e comparar esses dois perfis.

Um exemplo que sempre dou é em relação à Filosofia de Vida: todos temos algum repertório de crenças nas quais pautamos a nossa vida. Alguns são bem claros, principalmente aqueles baseados em uma religião específica, outros são mais nebulosos. Normalmente esse repertório pode passar desapercebido ou ser até mesmo camuflado no início de uma relação. É possível você ser ateu e nunca tocar nesse assunto ao sair com uma moça evangélica. Também é possível você não desejar ser pai e só contar isso depois de vários meses de relação. Porém, se você inicia um relacionamento sem se atinar a essas questões, pode acabar dormindo com o inimigo. Como vários casos que já vi: sou católica e meu marido é ateu, sou petista e minha esposa é coxinha, sou contra o aborto e minha namorada é a favor, queria educar meus filhos mais soltos mas minhas esposa é tradicional.

Avaliar a outra pessoa não é apenas sair julgando tudo o que ela faz, mas parar um pouco e olhar com atenção.

Leva tempo e dá trabalho. Mas quem disse que encontrar alguém para resto da vida seria fácil?

 

3. Converse tudo o que pode

Uma forma de facilitar essa avaliação do outro é a conversa. Parece clichê, eu sei, mas quando digo conversar é conversar de verdade sobre assuntos realmente relevantes.

Em todo começo de relação não queremos causar nenhum constrangimento. Usamos a nossa melhor roupa, passamos o melhor perfume, somos o mais educado possível, contamos as nossas melhores histórias, ou seja, vendemos o nosso peixe. Nesse início é muito difícil falarmos de assunto um pouco mais “pesados”. Nunca vi num primeiro encontro alguém sentar e dizer: antes de mais nada, você é a favor da pena de morte? Porém, se não conversamos sobre questões mais sérias no começo, corremos o risco de não fazer isso nunca. “A relação aumentou em intimidade, se eu não queria causar nenhuma estranheza nos primeiros encontros, agora que estamos há um mês juntos é que não vou causar” – e esse processo segue ad infinitum.

Conversar é a melhor forma de tirar dúvidas.

Crie situações para falar sobre assuntos que você acha importante. Pergunte sobre aspectos da vida que você acredita serem necessários ter clareza. Não tenha medo de magoar o outro: perguntar não ofende. Converse sobre política, educação de filhos, planejamento financeiro, perspectiva de vida, religião, crise na Europa, sexo, Dilmãe x Fora Temer. Obviamente há modos de conversar sobre essas coisas mas não deixe assuntos de lado.

Você precisa saber com quem está se relacionando.

Aqui vale lembrar de um mito muito prejudicial em relacionamentos: a ideia de naturalidade. Deixa acontecer naturalmente não existe. Quando você se interessa por uma pessoa, automaticamente começa a moldar seu comportamento. Sabe aquele encontro casual no parque, pode ter certeza, foi muito bem planejado. Porém, esse mito também cria a ilusão de que se as coisas estão dando certo agora, tudo vai seguir naturalmente nessa ordem. “Se esse mês foi bom, não tem porque os outros não serem. Por que então eu vou conversar sobre algum assunto mais sério se eu sei que vai dar tudo certo no final?” E é aqui que começa a Highway to Hell.

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4. Conviva tempo suficiente

Outro componente necessário é o convívio. Passar o máximo de tempo junto é sempre uma ótima forma de conhecer a outra pessoa e também descobrir certas características ainda não reveladas. Sempre costumo dizer que existem dois tipos de discursos: das palavras e dos atos. O item anterior era sobre as palavras, este sobre os atos.

Conviver com alguém é poder escutar esse discurso dos atos. É entender como funciona a rotina e as dificuldades de alguém. Perceber que talvez aquele sujeito sempre bem humorado no sábado seja bastante tenso durante a semana. Descobrir que a moça que parecia tímida se transforma quando precisa resolver problemas. Se surpreender com a sensibilidade daquele cara que parecia ser bastante ogro.

Convivência também serve para tirar a atenção constante que temos no outro.

Nos focamos muito na outra pessoa quando estamos nessa fase de conhecimento. Quando saímos costumamos fazer programas de casais, eventos que não nos dispersem. Por outro lado, a convivência pode trazer situações em que vocês fiquem apenas calados um do lado do outro, interagindo com terceiros, assistindo algo juntos, conhecendo algo que era novo para os dois. Esse convívio muitas vezes é o que desencadeia conversas que poderiam ser difíceis de começar.

Tem certas questões que só aprendemos acompanhando alguém. Eu costumo dizer que cada pessoa tem um “clima próprio”: é a união da personalidade, educação, gosto musical, presença corporal, interesses, expectativas, frustrações, cheiro, história, sonhos. Só pela convivência é que captamos esse clima, facilitando a nossa decisão a respeito de um possível relacionamento.

 

5. Brigue

Esse ponto parece polêmico mas não é. Todos tentamos evitar brigas e discussões com quem vivemos, mas muitas vezes não dá. O pau tora! Nessas horas costumamos pensar apenas em nós e na treta do momento, e acabamos perdendo uma oportunidade de ouro: é preciso saber como a pessoa reage diante de uma dificuldade ou diante de uma tensão. Não estou aqui falando para você provocar alguma situação – afinal de contas, elas aparecem sozinhas -, antes, preste muita atenção como funciona a dinâmica afetiva de quem você se interessou nesses momentos de tensão.

Na teoria todos somos tolerantes, respeitamos as pessoas, sabemos escutar, somos humildes e temos muita #gratidão. Mas às vezes basta um congestionamento, uma discussão, um olhar torto para irmos desse paraíso perfeito de nossas crenças para o desejo assassino de destruir tudo e todos. Exageros à parte, todos sabemos que um bom jogador é aquele que aguenta o tranco da pressão na final, o bom profissional é aquele que suporta as adversidades no fim do projeto, o bom músico é aquele que dá conta de tocar e cantar sem gaguejar. Nos relacionamentos não pode ser diferente. Na trincheira da guerra cotidiana você quer alguém que pode até brigar contigo mas vai te dar suporte quando precisar ou aquele que senta em posição fetal e, enquanto chora, diz “eu não queria estar aqui, eu não queria estar aqui”? Então brigue, discuta, discorde, fique de mal, vire a cara mas busque entender como funciona com o outro.

Enfim, se você é daquelas que explode mas tudo passa em cinco minutos, procure alguém parecido.

Se você precisa de um tempo para pensar e depois conversar direitinho, procure alguém parecido. Agora uma pequena dica: se você é daqueles que fica magoado por uma semana por conta de algo mínimo, na boa, pare de ser infantil e mude. Se você encontrar alguém parecido, vocês vão se matar.

 

6. Tenha Disposição

Para finalizar, a última dica é ter disposição. Vivemos numa época que prega pelos quatro cantos que você deve fazer aquilo que deseja e correr atrás dos seus sonhos. Dificilmente alguém te aconselha a aguentar o tranco e seguir firme mesmo na adversidade. Essa cultura acabou criando uma busca imediata pela satisfação pois ao mesmo tempo que você consegue criar relações rápidas e superficiais, as opções aumentaram de forma inimaginável. Você pode ficar brincando de se saciar até o dia que morrer.

O problema é que, faça chuva ou faça sol, relacionamentos serão sempre inseparáveis do esforço.

Você nunca vai ter um amor maior, amor maior que eu evitando as dificuldades e querendo ficar só com a parte boa. Relacionamentos exigem disposição. Isso mesmo, se relacionar dá trabalho pra cacete. Sei que você já sabe disso, mas não custava dizer de novo, não é mesmo?

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Porém, quando pensamos em esforço sempre nos vem a mente o conceito da troca ou da parceria. Hoje também ouvimos muito sobre dividir tarefas, compreender o outro e ajudar-nos. Aquele clássico “se cada um fizer a sua parte todos saímos ganhando”. Acontece que aqui temos outro problema. Essa filosofia da partilha é perigosa pois podemos em certos momentos começarmos a fazer o que chamo de Economia Afetiva: calculamos cada ato realizado e tentamos ver se os benefícios equivalem aos investimentos. “Eu paguei hoje a janta, levei o cachorro para passear e amanhã vou com ela no shopping, acho que isso equivale a um cinema seguido de motel”. Não é difícil perceber que esse cálculo pode soterrar o amor.

Na verdade, quando falo em disposição, falo sobre a disposição para o sacrifício.

Amar alguém é estar preparado para se sacrificar. Por isso fica muito estranho quando eu digo que quero a felicidade do outro mas fico fazendo conta pra ver se está valendo a pena. Você quer fazer quem ama feliz ou quer apenas não sair perdendo num negócio? Disse aqui que você deve pensar no que deseja e depois avaliar a outra pessoa de acordo com esse critérios. Porém, essa avaliação não pode tirar do seu horizonte a capacidade de se sacrificar. Estar disposto no começo do namoro é parar de pensar só em você e tentar se doar em busca da melhor felicidade existente: a felicidade de fazer o outro feliz.

Portanto, se depois desses seis ponto anteriores você percebeu que vale a pena ficar com a pessoa, esteja disposto a matar e morrer por ela. Disposto desde o primeiro dia. Se ela também assim o desejar, temos uma grande possibilidade de nunca mais nenhum dos dois precisar pensar em como começar um relacionamento.

Poderia escrever muito mais sobre esses e outros tantos pontos, porém, creio que o essencial está aqui: saiba o que quer; avalie e conheça a outra pessoa; converse, conviva e até brigue com ela; mas se perceber que encontrou o que queria, não perca de vista a capacidade de se sacrificar. Toda essa realidade é difícil. Tanto que dou até um curso sobre o tema. Mas se não valesse a pena não teríamos esse desejo tão profundo de ter outra pessoa para dividir a vida. Viveríamos cada um na sua: poderia ser até mais fácil mas com certeza teria bem menos graça.

Eu não te amo mais: como terminar um relacionamento

O amor pode acabar. Aquele sentimento bom de estar com a pessoa, a vontade de dividir a vida, aquele conforto de saber que você “tem alguém a seu lado”, aquele desejo de se declarar de tempos em tempos, tudo isso pode chegar ao fim. Dos que acreditam que o amor verdadeiro nunca morre aos céticos que defendem que amor é apenas um contrato em busca de benefício mútuo, normalmente quando chegamos neste momento crucial, da certeza de que não amamos mais, há um longo caminho até o término concreto da relação.

Primeiro, temos de deixar claro, ninguém quer passar por isso.

Todo nós – quero crer – começamos um relacionamento para construir durante muitos anos. Até os que acreditam que nossa missão é ajudar o outro por um tempo para depois seguir adiante; mesmo esses ficam tristes quando o amor acaba. Por essa razão, a dificuldade sempre começa com uma batalha interior: algo te diz que as coisas mudaram mas você insiste em tentar não acreditar.

Essa sensação é muito parecida com uma crise – e talvez por isso muitos se separam quando surge qualquer pequena dúvida – mas ela é um pouco mais profunda. É uma certeza que parece que apenas espera a aceitação, e nós lutamos durante um bom tempos tentando não aceitar. Sempre quando me falam sobre términos, me lembro das cinco fases psicológicas de um doente terminal: negação, revolta, barganha, depressão e aceitação. Me parece que na morte de um amor a dinâmica é a mesma, nos debatemos muito antes de chegarmos à última fase.

Por essa razão podemos gerar muita confusão e até mesmo criar um caos em nossa relação. Definitivamente, uma das maiores dificuldades nesse momento é saber por onde começar. Qual o primeiro passo? Para facilitar a nossa vida, nada melhor que um passo a passo:

1. Tenha certeza.

Todo seu tormento interior termina quando você acorda um dia e diz pra si mesmo: acabou! Muitos já passaram por isso, é libertador e ao mesmo tempo triste, mas acima de tudo é necessário. A base de toda sua atitude a seguir é decorrente dessa certeza, ela é o ponto de partida. Não tem como terminar ainda com dúvidas, caso contrário, o tiro pode sair pela culatra. Claro, essa clareza de decisão não é constante – há dias em que ela é mais forte, em outros mais fraca -, mas ela precisa existir. Você precisa se olhar no espelho e dizer “eu não quero mais” e ver que isso é sincero. (Se ainda não tem certeza, procure conversar com sua namorada ou amigos. Pode ser simplesmente uma confusão pessoal ou uma tempestade em copo d’água).

2. Seja Claro.

Depois de ter certeza, seja claro com quem divide a vida contigo. Na cultura das indiretas, ser claro é algo que exige mais esforço do que você imagina. Ser claro não é apenas chegar e dizer “acabou”. É conseguir concluir uma relação sem deixar assuntos mal resolvidos ou questões a serem debatidas. É por um ponto final com decisão. Sabe quando você assiste um filme que não tem um fim claro, não te dá um sensação de ter sido enrolado ou de estar faltando alguma coisa? Então, agora pense num final de relacionamento e evite essa mesma sensação.

3. Seja Sincero.

Essa clareza também advém da sinceridade. Para termos clareza conosco precisamos ser sinceros, o mesmo acontece em relação a outra pessoa: ser sincero é a melhor forma de terminar e evitar complicação futuras. Obviamente, ser sincero não significa ser estúpido. Costumamos achar que a sinceridade é o ato de falar tudo – tudo mesmo – na cara da outra pessoa. Não é disso que estou falando aqui. Ser sincero é conseguir falar a verdade sobre o que houve no relacionamento e qual o motivo do término de forma madura. Se você se apaixonou por outra pessoa, se você não o vê mais como um parceiro, se o desejo de dividir a vida acabou, se os interesses mudaram; ser sincero é ser capaz de dizer isso da melhor maneira possível quando for necessário.

Sinceridade também é ter coragem para aguentar as consequências da sua decisão.

Não minta por medo de magoar a outra pessoa ou por medo de te acharem um idiota. Erga a cabeça, diga a verdade e aguente o tranco. Você estará apenas sendo um adulto e se comportando como tal.    

4. Local e Momento.

Para terminar de forma clara é preciso também pensar onde e quando tudo acontecerá. Por conta da nossa covardia ou insegurança, às vezes escolhemos o pior momento possível para isso. Aquela discussão besta na festa, aquele desentendimento na hora do almoço, aquela queixa de algo cotidiano, tudo vira gota d’água e catalisador para a separação. Esse é um dos maiores erros: algo pequeno parece ser o motivo para o fim. A outra parte então é pega de surpresa, e já alterada pela notícia, complica a derradeira conversa.

Portanto, primeiramente, escolha um local seguro.

Algum lugar onde ninguém irá atrapalhar e vocês terão liberdade para conversar – e quem sabe até chorar ou gritar. Talvez conversar na casa dos pais dela onde vocês podem ser interrompidos ou discutir no fumódromo de uma festa não seja uma boa idéia.

Depois, pense no momento. Vocês têm uma hora de almoço durante a semana ou se encontram rapidinho depois do expediente antes de irem para a faculdade? Talvez é melhor conversar outra hora. Quem sabe no final de semana ou no final do dia não seja melhor. A ansiedade a respeito dessa resolução pode te atrapalhar e antecipar as coisas, mas tenha paciência e escolha bem esse local e momento. Mas falando em paciência… 

5. Tenha Paciência.

As reações diante de um término tendem a ser bastante diferentes. Quem termina, costuma não perceber, mas tem uma imensa vantagem: já vem pensando e maturando a idéia há tempos. Enquanto de um lado temos alguém que está vivendo um relacionamento, fazendo planos e pensando no futuro; do outro lado temos aquele que só observa os erros, pensa no momento e no que vai dizer e já não vê mais futuro algum senão sozinho. Portanto, se você irá terminar, saiba que deve ter muita paciência.

Quando passamos por alguma situação difícil, precisamos repassar algumas vezes em nossa mente o fato ocorrido, para enfim absorvermos toda a realidade: com términos é a mesma coisa. Quem é deixado costuma voltar para rediscutir o término. Muitas vezes até mesmo utilizando-se dos mesmo argumentos. Parece que a pessoa não se lembra do que já foi discutido ou se faz de louca, mas na verdade é apenas um processo de absorção da informação. É como reler a mesma página várias vezes para tentar entender o que o autor está dizendo. 

Também as reações podem ser bastante intensas: gritos, choros, atos desesperados, ofensas pessoais, barracos.

Num momento de fraqueza, a pessoa deixada pode cometer esses desvios de conduta. Claro que nenhuma dessas situações são agradáveis ou justificáveis, mas aqui também cabe ser paciente. Busque não expor ou humilhar a pessoa – mais do que ela pode já estar fazendo consigo mesmo.

6. Corta e Separa.

Último passo para um término é algo que minha mãe sempre diz: corta e separa. Hoje tendemos a manter os antigos relacionamentos de forma residual, não é mais uma relação afetiva mas também não é uma amizade. O que é então? É apenas uma falsa sensação de relação distante que nos faz crer que somos muito adultos e bem resolvidos. O problema é que essas relações podem se tornar bastante confusas.

A possível amizade entre ex namorados ou maridos não é uma continuidade da relação afetiva anterior. Ela deve ser uma nova relação. Portanto, o melhor a se fazer é cortar e separar. Encerre essa relação e depois veja se é possível construir outra. Terminou? Então bloqueia a outra pessoa e se recomponha! Fique um tempo sem ter notícias e se contenha: nada de stalkear ou sair perguntando para todo mundo que destino a pessoa levou.

Entrar em contato, ficar de conversinha, visitar a casa do outro, tomar um café, rever a família dela, reencontrar os amigos dele, relembrar os bons tempos. Tudo isso é muito perigoso nesse período pós término. Querem ser amigos? Fiquem ao menos três meses sem se ver. Se depois disso vocês conseguirem se olhar e nenhum dos dois ficar balançado, talvez – eu disse talvez – exista uma pequena chance de criar uma amizade.    

7. Não Seja Covarde!

Por fim, aqui vai uma dica do que não fazer: não seja covarde. Se quer terminar, termine de forma digna! Tem muita gente que se utiliza de modos bastante infantis – para não dizer cruéis – de término: termina por whatszapp, bloqueia a pessoa, tira o status de relacionamento do facebook, avisa todo mundo menos o interessado, trai e espera o assunto chegar, vai ficando indiferente até criar o clima, provoca a pessoa até ela querer terminar, pede para os amigos contarem a verdade, finge de louco, se faz de maluca. Não preciso dar mais exemplos, já que eles são tantos. Acho que você me entendeu, né?

Bem, aqui estão sete passos bastante objetivos, creio que são suficientes. Se ainda resta alguma dúvida, eu posso te ajudar mais. Porém, lembre-se, terminar é difícil mas não é impossível. É o fim mas também pode ser o começo. Saiba que vezes, graças a essa relação que se encerrou, você pode enfim ser feliz como sempre sonhou.    

Somos todos Frodo

Escrever sobre O Senhor do Anéis é um pouco ingrato. Esta obra já foi tão analisada e discutida que todas as vezes que penso em algo novo tenho a sensação que alguém já o fez. Mesmo assim, é também inevitável tirar novas conclusões, afinal de contas, toda vez que lemos ou assistimos a obra de Tolkien somos novamente despertados.

Esses dias, pela milionésima vez, eu assisti a trilogia inteira. Estou numa fase meio órfão de séries e todos os filmes que selecionei anteriormente me pareceram pouco atrativos. Então, o negócio é partir pro Vale a Pena Ver de Novo.

Revendo toda a obra, lembrei de uma idéia que sempre tive a respeito dos inimigos daqueles que desejam a destruir o o anel. Quando ainda lecionava, costumava perguntar aos alunos: Qual é o maior inimigo do Frodo? Alguns diziam Sauron, outros Gollum – teve até um aluno que disse ser o Sam (?). Por minha vez, sempre acreditei que o maior inimigo de Frodo é ele mesmo.

Revendo a obra, tive mais algumas confirmações da minha teoria:

O pequeno hobbit, desde o momento em que assume a missão de levar o anel, é tentado a ceder, a se deixar levar. Algumas vezes até mesmo tem de ser impedido por outros, pois perde por um momento a consciência de sua missão. Além de ter de suportar a luta interna, Frodo também é tentado por todos a sua volta.

Fico sempre imaginando como deveria ser o peso dessa missão. Fica bem claro, em certa altura da trama, que o destino de todos está nas mão do hobbit. Como seria carregar o destino da humanidade em suas mãos mesmo tendo consciência que a missão é praticamente impossível? Quase no final do terceiro filme, uma cena que nunca me chamou muita atenção, dessa vez, me fez refletir um pouco mais sobre essa questão.

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Antes de entrarem na Montanha da Perdição, Frodo cai (vai ter spoiler sim, porque se você não viu os filmes já deveria ter visto). A única forma que Sam encontra pra reanimá-lo é relembrar o Condado. O fiel escudeiro relembra as comidas, cheiros e festas; ao perguntar para o portador do anel se ele também se recorda, este diz que não. A única coisa que Frodo vê é a escuridão que o cerca e ele se sente nu diante de toda maldade. Nesse momento fica claro o desespero de ter de cumprir uma missão necessária mas quase suicida. Em outro momento anterior alguém diz que a solidão é a marca daquele que possui o Um Anel. Portanto, assumir essa missão é comprometer-se a andar sozinho diante do Mal.

Pensando em tudo isso, pensei em minha vida também.

Afinal de contas, O Senhor dos Anéis não é apenas uma obra de ficção bem feita, mas é daquelas obras que te transforma. Como disse, Frodo carrega o destino dos todos nas mãos. O Mal vencerá caso derrote o hobbit e seu maior inimigo é ele mesmo.

Portanto, o Mal prevalecerá sobre a terra se o homem permitir. Sendo assim, Frodo é cada um de nós. Se o homem ceder aos seus instintos, medos ou ganância, o Mal fatalmente reinará. Tolkien, com maestria, nos mostra essa realidade: devemos permanecer firmes em nossos propósitos, devemos cumprir a nossa tarefa. Terá momentos em que não lembraremos mais o gosto da felicidade, do descanso, da tranquilidade. Em outros, nos sentiremos sozinho e nus diante do que há de pior no mundo. Nossa luta diária parecerá em vão. Mesmo assim, é preciso manter nosso compromisso e arcar com as consequências.

Quando Frodo sai da montanha, recém destruído o anel, ele se deita e diz lembrar de tudo de novo. Enfim, respira aliviado. “Ele se foi”, diz também.

É a sensação do dever cumprindo, quando nos deitamos na nossa cama e temos o sono dos justos.

Mas Jota, o Frodo não faz tudo isso sozinho!?, você pode indagar. Não, obviamente que não. Mas sobre amizade, Sociedade do Anel e principalmente o Sam, eu falo mais outro dia.

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Professor de academia

Relacionamentos são sempre complexos. Simples é conversar de passagem com o porteiro, dar bom dia pro caixa da padaria, cumprimentar a vizinha. Isso não é novidade.

Por isso mesmo, terminar qualquer relação é sempre difícil. Não fomos criados para os términos. Aprendemos desde cedo a conquistar nossos objetivos. Histórias de grandes homens povoam nossa mente e sempre nos servem de motivação para seguir conquistando. Em filmes e livros, sempre esperamos pelo Happy End ao final – e se não fosse por Game of Thrones, ficaríamos ainda muito surpresos quando algum personagem morre.

Normalmente, quando chegamos no limiar do “não dá mais pra mim”, passa-se um bom tempo até concluirmos a questão. Sempre dentro de nós há aquela parcela de esperança – que é dura de matar – e que ainda quer manter a relação. Quem já terminou um namoro ou casamento sabe que sempre sustentamos um diálogo infindável dentro de nós com prós versus contras. Sabe também que essa parte esperançosa, mesmo quando derrotada, ainda levanta uma pergunta que mais parece uma cilada:

Por que não manter o vínculo?

Essa dúvida – com suas variações – é unânime em todos os finais. Parece que mesmo depois de termos sofrido e encerrado um relacionamento ainda é preciso manter a porta aberta, deixar as migalhas de pão traçando o caminho de volta pra casa. Temos a sensação de que todo aquele esforço não pode ter sido em vão. Então, imbuídos de um espírito acolhedor, seguimos em contato com aqueles que deixamos pra trás.

Uma imagem recentemente me ajudou a entender um pouco essa dinâmica: Aqui em frente de casa passa uma ciclovia, nela vejo todos os dias – nos que não chovem ou fazem frio, coisa rara nessa cidade – um grupo de pessoas correndo. Frequentemente elas estão identificadas com camisetas bregas de cores vibrantes ostentando alguma logo de academia. Acompanhando-as, sempre temos o professor: homem em forma, sempre bem disposto, um misto de líder e amigo. Este homem é o único que tem aval para reunir todos em roda na pracinha para novos exercícios, alongamentos e ao final puxar palmas como recompansa pelo esforço de seus alunos. Mas o que mais me chama atenção é a corrida. Ele é capaz de conduzir os que estão a frente, incentivar os que estão no meio do pelotão e ainda dar conselhos bem humorados para os retardatários. O papel dele é não deixar ninguém se sentir desacompanhado, desmotivado.

De tanto vê-lo da janela da minha casa, esse perfil acabou se tornando um arquétipo pessoal. Mas se o trabalho dele é esse, o meu é escutar pessoas. Volte e meia me chegam certas frases: terminei com ela mas ainda estamos nos falando, não quero deixá-la sozinha nesse momento. Nos separamos mas vamos manter o contato, acho maduro da nossa parte. Não estamos mais juntos mas acho que não preciso cortar todo o vínculo, a gente se conhece tão bem que não vejo porque não ficarmos próximos. Todas às vezes que ouço algo parecido, lembro daquele homem correndo em torno da quadra, não deixando ninguém desanimar, não querendo ninguém triste. Logo penso comigo, aqui temos mais um professor de academia.

Melhor assim (conto)

Ricardo namorava há dois anos mas não estava feliz. Há poucos meses se deu conta de que não nutria mais o mesmo sentimento por sua namorada. Seu modo de falar e sua forma de lidar com os conflitos do casal aumentaram a certeza do rapaz, que agora só pensava no que poderia fazer quando estivesse solteiro. Pensando nisso, ou melhor, remoendo, chegou a conclusão de que iria conversar com a moça o mais breve possível. Lá se foram mais três meses. Mas um dia bebeu demais e num rompante disse tudo. Não poupou palavras. Em meia hora tinha sido expulso da casa de Suzana apenas com a roupa do corpo. Respirou fundo, equilibrou-se segurando na grade do portão, olhou para a janela dela no terceiro andar e gritou:

“Melhor assim mesmo!”

Dia seguinte chega e com ele o arrependimento. Liga uma, duas, três, dez, vinte vezes e nada de Suzana. “Ela nem desliga na minha cara, deixa tocar..”. Corroído pela ressaca moral, mas ainda decidido a reparar o malefício, corre até a porta da namorada. “Ou ex namorada…?”, pergunta-se, confuso. Toca o interfone, grita seu nome, senta na calçada, choraminga, bate na própria cabeça, xinga-se de burro. Repete todo o processo algumas vezes. Quando já conformado e tentando dar ordem para as lembranças esparsas de ontem, um carro conhecido dobra a esquina. Ele se levanta, arruma a camiseta, passa a mão no cabelo e inconscientemente faz sua cara de culpado; olhos arregalados, boca fechada com os lábios pra dentro e cabeça levemente abaixada.

Suzana o reconhece. Desliga a seta do carro, desiste da garagem e, contra a vontade de Ricardo, acelera seguindo reto. Num rompante de indignação ele ergue as mãos pra cima e grita “Porra!, sério isso?”. Ele então pega o celular e manda diversas mensagens para ela; várias em caixa alta, outras irônicas, algumas se passando por vítima. Escreve num frenesi, estado semelhante da noite anterior. Quando se dá por conta nenhuma mensagem chegou ao destino:  bloqueado. Desliga o celular, arremessando na calçada. Chora de nervoso, pega o aparelho e a blusa do chão, e volta pra casa.

Os meses se seguem estranhos. Suzana até voltou a  entrar em contato, mas apenas para falar de coisas práticas. Todas as respostas dele foram ignoradas.

Sua última mensagem até já decorou: “Tá bom, pode deixar as sacolas na portaria que eu passo pegar. Mas e você tudo bem?” Com um misto de vergonha e uma pitada de revolta ele lembra daqueles dois risquinhos azuis ao lado da mensagem. Mas ele agora não pensa mais nela com tanta frequência. Repassou mil vezes os motivos que o desagradava no namoro, e na maioria reconfirmou serem legítimos. Porém, ainda assim sente algo em seu peito que pesa.

Três anos se passaram desde daquele fatídico dia da confissão embriagada. Ele lembra da data pois a bebedeira daquela noite era em homenagem aos vinte e oito anos de seu melhor amigo. Não será diferente hoje. A festa não é mais em baladas – estão cada vez mais caras e o Pedro está namorando – mas não tem como beber pouco: todos temos certas companhias que nunca nos deixam ir embora cedo. Em casa, pega uma camisa a esmo e se arruma diante do espelho e, de repente, pára:

“Melhor assim mesmo!”, lembra daquelas palavras.

Refaz na sua cabeça a sequência de atos anteriores a esse grito do portão. Ri sozinho, como rimos complacentes ao vermos adolescentes fazendo besteiras. Se olha nos olhos e diz pra si mesmo: – Olha lá, hein?, não vai me fazer outro vexame! Não temos mais saúde pra isso.