Como sustentar um casamento: seja uma âncora

Deixa eu contar um pouco da história do meu casamento. 

Quando conheci minha futura esposa eu já tinha naufragado na vida. Tinha entrado na faculdade de Direito em 1994, aos 17 anos (faria 18 naquele ano), e estava ali levado pela maré sócio-cultural que faz os jovens dessa idade prestarem vestibular etc.

Escolhi pragmaticamente: se faculdade é para depois exercer uma profissão, que por sua vez é para ganharmos dinheiro exercendo e daí sim viver a vida, era melhor escolher o curso que mais abria possibilidades profissionais e de grana. Como meu pai era advogado, meu cálculo foi simples e fácil: fazer Direito matava todos os coelhos de uma vez só. Com uma única decisão meu futuro estaria resolvido.

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Nada mais estúpido, eu sei. Mas enfim. Mas se a vida estava assegurada, que mais um jovem de 17 anos poderia fazer? Ora, curtir a vida adoidado. Entrei na faculdade querendo a farra que diziam  existir por lá. E existia, era o que mais tinha. O clube social e de campo a que me associei, a PUC/PR, tinha um rol de botecos em frente. O escolhido da turma era o Kowalski. Cansei de beber Kaiser Bock às 7h da matina, jogando truco entre bocejos, só para matar aula e ter “uma história pra contar depois”, tipo agora. Saía toda noite também, mal parava em casa.

Foi divertido? Foi. Mas enjoou muito mais rápido do que eu suporia se pensasse um mínimo que fosse num plano de vida.

Em meio semestre já me sentia vazio, frustrado e perdido. “Serão 4 anos e meio assim?”, pensei. Por mais que eu quisesse ser Ferris Bueller, não levava jeito para isso. Temia fosse o Cameron, na verdade. E quem não assistiu Curtindo a Vida Adoidado não vai entender nenhuma dessas referências, então, resolva isso daí logo, vai. Hoje é feriado, aliás, pede um filme assim.

Voltando. Eu integrava uma banda nessa época. Um de meus melhores amigos estava nela e participava de um grupo de jovens cristãos que volta e meia fazia retiros dito espirituais, com acampamentos etc. Convidou-me. Já estava naquela de procurar algo sem saber direito o quê, então confiei e fui conferir. Aconteceu em abril de 1995, durante o tríduo pascal. Esse retiro determinou muita coisa da minha vida dali por diante.

Mas antes dele e com muito mais significado aconteceu de eu ficar com minha futura esposa. Já nos conhecíamos. Estávamos num mesmo grupo de amigos no saudoso Aeroanta, casa noturna icônica de Curitiba, rolou um clima e ficamos. Começamos a nos falar mais, claramente interessados um no outro. Nesse ínterim tivemos aquela Páscoa. Eu, no retiro; ela, viajou com as amigas. Dias depois começamos a namorar e estamos juntos desde então, 22 anos e contando.

Vocês não fazem idéia de como bati cabeça para me encontrar comigo mesmo desde então. Dramas vocacionais, profissionais, financeiros, tentativas de fazer isso e aquilo, enfim, uma lista enorme de tentativas de ser feliz que naufragaram. Só uma coisa se manteve, como um chão firme que sempre esteve me sustentando ainda que eu não me desse conta, nem valorizasse como deveria: meu namoro, depois noivado e enfim casamento. 

Repare na foto em destaque. Não é minha, não somos nós, eu e ela. Mas aquelas âncoras ali creio que são, simbolizam demais o que é o casamento, especialmente nos momentos mais difíceis da vida. No caso do meu, estou longe de ser uma âncora, já que fui eu quem mais tornou nossa vida difícil.

Graças a Deus minha esposa é uma âncora por ambos.

Tudo passava, tudo passa, menos ela, segurando as pontas, a família, minha vida. Falando em Deus, tem aquela passagem famosa de São Paulo sobre o amor: “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” Impossível não lembrar da minha esposa lendo isso. Por isso sei que jamais serei amado como sou amado por ela. Espero apenas ser digno desse amor e que um dia ela possa dizer o mesmo de mim, se Deus quiser.

Todo mundo tem seus dias mais felizes da vida. Eu tenho um em especial que me marcou por ser das raras vezes em que você tem confirmação de ter tomado a decisão mais acertada de todas. Eu estava no altar, um tanto ansioso. Quando a vi entrando pela nave da igreja, linda demais, abri um sorrisão e tive essa certeza. Uma paz e serenidade me invadiu como poucas vezes senti. Foi como ensina o provérbio bíblico: “Quem encontra uma esposa encontra algo excelente; recebeu uma bênção do Senhor.”

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A música que marcou nosso dia foi a arqui-conhecida “Can’t Take my Eyes Off You”, originalmente gravada pelo Frankie Valli. Existem centenas de covers, essa que vai abaixo ela gosta particularmente e eu também. Mas tanto faz a versão, é sempre um refrigério para minha alma escutá-la, creio que para a dela também. Aquela paz e serenidade retornam, de repente tudo volta a ficar leve, com sentido, ancorado.  

Durante a cerimônia eu cometi uma gafe daquelas. Na hora de dizer “Eu, Francisco, aceito…”, troquei meu nome pelo dela. Virei piada da família e amigos até hoje, e com razão. Mas me dei conta muito tempo depois de que, na verdade, não foi gafe, não; foi confissão. Eu, sem a Lorena, não sou o Francisco.

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  • Francisco Escorsim naufragou como bacharel em Direito, tornando-se professor de educação da imaginação e formação do imaginário. É escritor e colunista de vários sites e do jornal Gazeta do Povo.

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