Eu não te amo mais: como terminar um relacionamento

Nem todos os finais são felizes como nas comédias românticas.

O amor pode acabar. Aquele sentimento bom de estar com a pessoa, a vontade de dividir a vida, aquele conforto de saber que você “tem alguém a seu lado”, aquele desejo de se declarar de tempos em tempos, tudo isso pode chegar ao fim. Dos que acreditam que o amor verdadeiro nunca morre aos céticos que defendem que amor é apenas um contrato em busca de benefício mútuo, normalmente quando chegamos neste momento crucial, da certeza de que não amamos mais, há um longo caminho até o término concreto da relação.

Primeiro, temos de deixar claro, ninguém quer passar por isso.

Todo nós – quero crer – começamos um relacionamento para construir durante muitos anos. Até os que acreditam que nossa missão é ajudar o outro por um tempo para depois seguir adiante; mesmo esses ficam tristes quando o amor acaba. Por essa razão, a dificuldade sempre começa com uma batalha interior: algo te diz que as coisas mudaram mas você insiste em tentar não acreditar.

Essa sensação é muito parecida com uma crise – e talvez por isso muitos se separam quando surge qualquer pequena dúvida – mas ela é um pouco mais profunda. É uma certeza que parece que apenas espera a aceitação, e nós lutamos durante um bom tempos tentando não aceitar. Sempre quando me falam sobre términos, me lembro das cinco fases psicológicas de um doente terminal: negação, revolta, barganha, depressão e aceitação. Me parece que na morte de um amor a dinâmica é a mesma, nos debatemos muito antes de chegarmos à última fase.

Por essa razão podemos gerar muita confusão e até mesmo criar um caos em nossa relação. Definitivamente, uma das maiores dificuldades nesse momento é saber por onde começar. Qual o primeiro passo? Para facilitar a nossa vida, nada melhor que um passo a passo:

1. Tenha certeza.

Todo seu tormento interior termina quando você acorda um dia e diz pra si mesmo: acabou! Muitos já passaram por isso, é libertador e ao mesmo tempo triste, mas acima de tudo é necessário. A base de toda sua atitude a seguir é decorrente dessa certeza, ela é o ponto de partida. Não tem como terminar ainda com dúvidas, caso contrário, o tiro pode sair pela culatra. Claro, essa clareza de decisão não é constante – há dias em que ela é mais forte, em outros mais fraca -, mas ela precisa existir. Você precisa se olhar no espelho e dizer “eu não quero mais” e ver que isso é sincero. (Se ainda não tem certeza, procure conversar com sua namorada ou amigos. Pode ser simplesmente uma confusão pessoal ou uma tempestade em copo d’água).

2. Seja Claro.

Depois de ter certeza, seja claro com quem divide a vida contigo. Na cultura das indiretas, ser claro é algo que exige mais esforço do que você imagina. Ser claro não é apenas chegar e dizer “acabou”. É conseguir concluir uma relação sem deixar assuntos mal resolvidos ou questões a serem debatidas. É por um ponto final com decisão. Sabe quando você assiste um filme que não tem um fim claro, não te dá um sensação de ter sido enrolado ou de estar faltando alguma coisa? Então, agora pense num final de relacionamento e evite essa mesma sensação.

3. Seja Sincero.

Essa clareza também advém da sinceridade. Para termos clareza conosco precisamos ser sinceros, o mesmo acontece em relação a outra pessoa: ser sincero é a melhor forma de terminar e evitar complicação futuras. Obviamente, ser sincero não significa ser estúpido. Costumamos achar que a sinceridade é o ato de falar tudo – tudo mesmo – na cara da outra pessoa. Não é disso que estou falando aqui. Ser sincero é conseguir falar a verdade sobre o que houve no relacionamento e qual o motivo do término de forma madura. Se você se apaixonou por outra pessoa, se você não o vê mais como um parceiro, se o desejo de dividir a vida acabou, se os interesses mudaram; ser sincero é ser capaz de dizer isso da melhor maneira possível quando for necessário.

Sinceridade também é ter coragem para aguentar as consequências da sua decisão.

Não minta por medo de magoar a outra pessoa ou por medo de te acharem um idiota. Erga a cabeça, diga a verdade e aguente o tranco. Você estará apenas sendo um adulto e se comportando como tal.    

4. Local e Momento.

Para terminar de forma clara é preciso também pensar onde e quando tudo acontecerá. Por conta da nossa covardia ou insegurança, às vezes escolhemos o pior momento possível para isso. Aquela discussão besta na festa, aquele desentendimento na hora do almoço, aquela queixa de algo cotidiano, tudo vira gota d’água e catalisador para a separação. Esse é um dos maiores erros: algo pequeno parece ser o motivo para o fim. A outra parte então é pega de surpresa, e já alterada pela notícia, complica a derradeira conversa.

Portanto, primeiramente, escolha um local seguro.

Algum lugar onde ninguém irá atrapalhar e vocês terão liberdade para conversar – e quem sabe até chorar ou gritar. Talvez conversar na casa dos pais dela onde vocês podem ser interrompidos ou discutir no fumódromo de uma festa não seja uma boa idéia.

Depois, pense no momento. Vocês têm uma hora de almoço durante a semana ou se encontram rapidinho depois do expediente antes de irem para a faculdade? Talvez é melhor conversar outra hora. Quem sabe no final de semana ou no final do dia não seja melhor. A ansiedade a respeito dessa resolução pode te atrapalhar e antecipar as coisas, mas tenha paciência e escolha bem esse local e momento. Mas falando em paciência… 

5. Tenha Paciência.

As reações diante de um término tendem a ser bastante diferentes. Quem termina, costuma não perceber, mas tem uma imensa vantagem: já vem pensando e maturando a idéia há tempos. Enquanto de um lado temos alguém que está vivendo um relacionamento, fazendo planos e pensando no futuro; do outro lado temos aquele que só observa os erros, pensa no momento e no que vai dizer e já não vê mais futuro algum senão sozinho. Portanto, se você irá terminar, saiba que deve ter muita paciência.

Quando passamos por alguma situação difícil, precisamos repassar algumas vezes em nossa mente o fato ocorrido, para enfim absorvermos toda a realidade: com términos é a mesma coisa. Quem é deixado costuma voltar para rediscutir o término. Muitas vezes até mesmo utilizando-se dos mesmo argumentos. Parece que a pessoa não se lembra do que já foi discutido ou se faz de louca, mas na verdade é apenas um processo de absorção da informação. É como reler a mesma página várias vezes para tentar entender o que o autor está dizendo. 

Também as reações podem ser bastante intensas: gritos, choros, atos desesperados, ofensas pessoais, barracos.

Num momento de fraqueza, a pessoa deixada pode cometer esses desvios de conduta. Claro que nenhuma dessas situações são agradáveis ou justificáveis, mas aqui também cabe ser paciente. Busque não expor ou humilhar a pessoa – mais do que ela pode já estar fazendo consigo mesmo.

6. Corta e Separa.

Último passo para um término é algo que minha mãe sempre diz: corta e separa. Hoje tendemos a manter os antigos relacionamentos de forma residual, não é mais uma relação afetiva mas também não é uma amizade. O que é então? É apenas uma falsa sensação de relação distante que nos faz crer que somos muito adultos e bem resolvidos. O problema é que essas relações podem se tornar bastante confusas.

A possível amizade entre ex namorados ou maridos não é uma continuidade da relação afetiva anterior. Ela deve ser uma nova relação. Portanto, o melhor a se fazer é cortar e separar. Encerre essa relação e depois veja se é possível construir outra. Terminou? Então bloqueia a outra pessoa e se recomponha! Fique um tempo sem ter notícias e se contenha: nada de stalkear ou sair perguntando para todo mundo que destino a pessoa levou.

Entrar em contato, ficar de conversinha, visitar a casa do outro, tomar um café, rever a família dela, reencontrar os amigos dele, relembrar os bons tempos. Tudo isso é muito perigoso nesse período pós término. Querem ser amigos? Fiquem ao menos três meses sem se ver. Se depois disso vocês conseguirem se olhar e nenhum dos dois ficar balançado, talvez – eu disse talvez – exista uma pequena chance de criar uma amizade.    

7. Não Seja Covarde!

Por fim, aqui vai uma dica do que não fazer: não seja covarde. Se quer terminar, termine de forma digna! Tem muita gente que se utiliza de modos bastante infantis – para não dizer cruéis – de término: termina por whatszapp, bloqueia a pessoa, tira o status de relacionamento do facebook, avisa todo mundo menos o interessado, trai e espera o assunto chegar, vai ficando indiferente até criar o clima, provoca a pessoa até ela querer terminar, pede para os amigos contarem a verdade, finge de louco, se faz de maluca. Não preciso dar mais exemplos, já que eles são tantos. Acho que você me entendeu, né?

Bem, aqui estão sete passos bastante objetivos, creio que são suficientes. Se ainda resta alguma dúvida, eu posso te ajudar mais. Porém, lembre-se, terminar é difícil mas não é impossível. É o fim mas também pode ser o começo. Saiba que vezes, graças a essa relação que se encerrou, você pode enfim ser feliz como sempre sonhou.    

Tags:

  • João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

    • Show Comments (0)

    Your email address will not be published. Required fields are marked *

    comment *

    • name *

    • email *

    • website *

    You May Also Like

    Masterchef e o amor que transforma a vida

    Cozinhar é definitivamente uma arte. Para nossa sorte, recentemente vemos uma avalanche de novos artistas. ...

    Melhor assim (conto)

    Ricardo namorava há dois anos mas não estava feliz. Há poucos meses se deu ...

    Sacadas na sacada

    Da sacada miro a areia, com seres dançando lambada. A recusa metafísica da modernidade ...