Fidelidade e Dieta Afetiva

Deborah Secco traiu um, dois, três, todos os namorados que já teve. Mas todos mesmo? Sim, é verdade. Fui ver a lista dos ex da celebridade, encontrei vários famosos. Todos homens bem afeiçoados que devem ser o sonho de consumo de muita moça por aí. Tem dos mais variados gostos, mas com uma coisa em comum: todos cornos.

Porém, diz ela, que a única exceção é seu atual marido. Aposto que, assim como eu, todos que leram esse trecho sorriram. Tenho certeza que você pensou: ela traiu todos mas diz que agora não trai mais, coitado do rapaz… Por que pensamos assim? Não pode ser verdade que a atriz tomou jeito? Poder, pode – mas não parece provável.

Temos essa sensação de que o atual marido está prestes a ganhar um par de chifres se baseia em um conceito:

Fidelidade é honrar uma promessa. É se manter digno da confiança que o outro depositou e continua depositando em você.

Você emprestaria dinheiro para um sujeito que tem fama de mal pagador? Então, quando lemos a matéria, temos essa impressão: Deborah é uma pessoa sem palavra.

Talvez o que ela não saiba é que fidelidade é uma atitude que deve ser tomada de forma consciente. Vivemos em tempos que todos pregam a naturalidade: nada pode ser forçado, tudo tem de fluir naturalmente. Entretanto, basta alguns meses em um relacionamento, para você entender que ninguém fica naturalmente por toda a vida ao lado do ser amado. Relacionamentos são feitos de esforço e dedicação. 

Ser fiel, então, é uma escolha que você faz. Se você busca essa virtude, sabe que deve evitar certos locais, cortar algumas conversas, contornar situações, não retribuir aquele olhar.

Sem erro podemos dizer: fidelidade é um exercício. E assim como todos exercícios, você deve se dedicar e ter disciplina.

Certa vez conversei com um rapaz que tinha uma dificuldade imensa de ser fiel. Superando a atriz renomada, confessou que traiu todas namoradas e inclusive a atual. “Quando eu vejo, comecei a puxar papo, menti que sou solteiro e tudo que quero é ficar com aquela moça. É quase involuntário, eu não consigo me controlar”.

Disse que ele tinha de fazer uma Dieta Afetiva.

Propus que parasse de se portar como um macho alfa e que buscasse honrar o que havia prometido. Diante do olhar dele de cachorro sem rumo, tive de ser mais claro: já ouviu a expressão pensar gordo? Então, você precisa parar de pensar como um solteiro. Comece a praticar a fidelidade. Corte as possibilidades de trair pela raiz. Você sabe muito bem quando há segundas intenções, basta apenas não promovê-las.

Final da história: ele sempre ria ao lembrar da minha dieta mas não conseguiu controlar sua fome por novidades.

Assim como a Deborah Secco, ele tinha um ego obeso.

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  • João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

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