Imagine there’s no imagine

Eleições da OAB. Poucas coisas despertam instintos jihadistas como eleições da OAB. Não sei por que tanto retrocesso, todos os advogados votantes têm lá sua carteirinha digital, seria facílimo fazer a votação pelo site. Mas, não. É preciso ostentar urnas eletrônicas. Até porque, o resultado é de importância tão relevante quanto uma enquete do UOL. Qualquer enquete.

Mas república sindicalista é república sindicalista, então, lá fui eu perder quase duas horas do dia de trabalho para nada, absolutamente nada, pois o trânsito estava caótico nas imediações do Bataclan escolhido para abrigar o circo. Imagine se não houvesse OAB. Você pode me chamar de sonhador, mas eu não sou o único, não.

Na volta, não pude escapar da sensacional idéia das “vias calmas” implantada no centro de Curitiba, limitadas a 40 km/h. Infelizmente, a tentativa de melhorar o fluxo não funcionou; continuamos andando, no máximo, a 20 km/h. Acho importante dividir essa informação com o veloz Prefeito, pois percorri toda a extensão da André de Barros e pude constatar — tive bastante tempo e calma — a inexistência de forças de segurança anti-terrorismo, vulgo agentes multadores de carros, apenas carros. Nenhum, zero, nada. Mas os sinais foram sincronizados, aparentemente. Em todos esperei abrir e fechar por 3x para poder avançar. Imagine se não houvesse carros, só bicicletas e patinetes também. Eu me pergunto se você pode.

E o que isso tem a ver com os atentados terroristas de ontem, hoje e amanhã? Se você não percebeu, então toque Imagine de trás pra frente que escutará Pedro Bial salvando o Ocidente fazendo uso de filtros solares. Mais não direi. De minha parte, além de rezar, vou assistir, pela enésima vez, os filmes do Clouseau. Imagine se os líderes ocidentais fossem todos Clouseau. Pensando bem, é fácil se você tentar.

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  • Francisco Escorsim naufragou como bacharel em Direito, tornando-se professor de educação da imaginação e formação do imaginário. É escritor e colunista de vários sites e do jornal Gazeta do Povo.

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