Masterchef e o amor que transforma a vida

Cozinhar é definitivamente uma arte. Para nossa sorte, recentemente vemos uma avalanche de novos artistas. Juro, se pudesse gastaria bem mais com minha alimentação. Como não posso, me resta imitar um cachorro na vitrine de uma churrascaria. Porém, nessa busca por saciar minha curiosidade gourmet, minha noiva me apresentou o Masterchef. Foi amor ao primeiro prato!

Como você deve saber, o programa é um reality show em que todo episódio um cozinheiro é eliminado. Ao final resta apenas um. Porém, depois de acompanhar umas três edições, parei de me preocupar com quem venceria. Tinha algo mais interessante e que sempre passava em branco: o depoimento dos perdedores.

Se deixarmos de lado as frases motivacionais da Ana Paula Padrão, veremos que há uma pergunta muito interessante que ela sempre faz na entrevista final:

O que você vai fazer a partir de agora?

Abaixo segue a reposta de seis competidores do último programa. Como bom psicólogo, volto em seguida para analisarmos tudo isso.

Percebe que todas respostas têm algo em comum? Apesar de serem sete pessoas diferentes, a conclusão que tiveram traz a mesma marca da vontade de seguir em frente, da mudança de vida de ter conquistado algo que não querem mais perder. Todos ali foram impactados pela experiência e nada será como antes. Isso se dá por uma questão até óbvia:

Fazer o que ama transforma a vida.

O que precisamos entender é que amar é muito diferente de gostar. Gostamos de milhares de coisas, mas amamos poucas. Porque o amor é uma escolha. Amar exige dedicação, esforço, persistência e principalmente vontade para manter essa decisão. O que os motivou não foi apenas um interesse morno pela cozinha, algo que faziam quando não tinha mais nada a fazer. Foi amor!

Note, todos esses competidores têm suas histórias entrelaçadas por panelas, receitas, esforço e comida. A experiência do programas apenas deu lhes deu a chance de colocar isso em prática. Botaram o amor à prova.

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Vendo essas histórias é impossível não pensarmos em nós. Quando ouvimos relatos de experiência que mudaram a vida, em nosso peito também vem esse desejo (não vai negar agora que sente o mesmo, né?). É nessas horas que ouvimos aquela voz interior nos questionar:

O que eu amo e pode mudar minha vida?

Você consegue responder essa pergunta? É complicado, porque dizemos muitas vezes amar mas não nos dedicamos a esse amor. Então, que amor é esse afinal?

Aqui nos Náufragos falamos muito sobre sentido da vida e vocação, porque resolver isso é a tarefa mais importante que você tem. E todo o seu caminho começa em saber o que você ama. 

Nada do que eu disse aqui é muita novidade. Erramos de rota diversas vezes, esquecemos nossa identidade, nos perdemos em distrações.

Tenho certeza que você já teve a nítida impressão de que gasta seu tempo com a coisa errada.

Muito desse sentimento que você continua carregando no peito vem do medo de errar. Medo que todos os competidores tiveram, medo que paralisa e faz com que seu sonho não passe de uma ilusão.

Mas aqui também a experiência dos nossos chefs nos ajuda. Nas respostas que deram, há mais uma frase que se repete:

Eu nunca imaginei que fosse tão longe

Quando vencemos o medo, encaramos o desafio e buscamos fazer o que queremos, sempre – sempre mesmo – vamos mais longe do que imaginamos. (E veja que essa é a declaração dos perdedores, hein!) Entenda de uma vez por todas: nosso mundo mental é muito limitado, nossa imaginação é curta, somos mais capazes do que achamos ser.

Então, como diria o Valter, vai atrás, corre e realiza. Ficar com a bunda no sofá não resolve porcaria nenhuma! Não espere criarem um programa com aquilo que você ama. Bote seu amor à prova e verá que ele ainda te levará bem longe.

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  • João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

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