Perdi a vida que eu tinha, e agora?

Tragédias acontecem, é da vida. Uma doença incurável que você descobre sem querer. A morte repentina de quem te sustenta. Um acidente que te deixa inválido.

Mas nem precisa ser tão grave assim para parecer que arrancaram a vida que estava aqui. Por exemplo, uma demissão quando você tinha um plano bem estruturado de futuro condicionado ao emprego. O fim de um relacionamento que era “para sempre”. A traição de um amigo que torna impossível continuar amigo.

Ainda que você não tenha passado por nada disso – ainda bem! – e nem conheça alguém que tenha sofrido uma tragédia na vida, certamente sente medo de passar por uma situação dessas, ainda que você seja daqueles que acha que nunca aconteceria com você.

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Como lidar com uma tragédia?

Bem, comecemos pelo medo dela acontecer. Melhor remédio não há para isso do que se alimentar de arte. Por que será que em filmes, seriados, novelas, os dramas e tragédias costumam nos atrair tanto?

Mesmo nas comédias, repare, elas só têm “final feliz” porque houve superação de algum drama ou tragédia que aconteceu antes. Se não tem uma dificuldade a ser enfrentada não tem a mesma graça.

Uma das razões da nossa atração é que assistir uma tragédia tem potencial catártico para nossos medos inconfessáveis. Ou seja, materializa-se em imagens o que não conseguimos sequer pensar de tanto medo daquilo. Com isso pode vir a tal da catarse, que nada mais é do que “expulsar” esse medo pela vivência imaginativa da tragédia.

E isso também é educativo, claro, afinal, caso aconteça na vida algo que já vimos num filme, é como se já soubéssemos como é, temos uma noção do que irá acontecer dali por diante, às vezes até sabemos o que fazer.

Como tememos o desconhecido, quando ele passa a ser conhecido naturalmente o medo se torna menor. Faz sentido, não?

Então, quanto mais você se entupir de boa arte narrativa, ou seja, cinema, seriados, literatura, mais preparado estará para as adversidades da vida, para as tragédias que podem acontecer ou, no mínimo, para enfrentar o medo que elas aconteçam.

Mas é claro que “preparado” não significa garantido, seguro. Quando a tragédia acontece o sofrimento é tão avassalador que por mais “preparado” que se esteja sempre será algo novo, e único. O sentimento é de que a vida foi arrancada mesmo e tudo que se tinha antes, toda essa preparação, pouco parecerá adiantar num primeiro momento. É só depois, às vezes muito depois, que o sujeito consegue enxergar que ajudou, sim, mas não como ele esperava ou gostaria.

Eu falei em boa arte narrativa, mas até as ruins também podem ajudar. Darei um exemplo. No primeiro episódio da fraca série Os Defensores, da Netflix, tem uma cena que parece que quem escreveu foi um de nossos salva-vidas mais queridos aqui nos Náufragos: Viktor Frankl, o criador da logoterapia.

Acontece logo depois do Matthew Murdock – o Demolidor, mas aqui como advogado – vencer uma ação judicial que deu 11 milhões para seu cliente, um jovem que se tornou paralítico. Todos saem felizes do tribunal, mas Matthew percebe que o rapaz não está comemorando, pelo contrário, e pede para falar com ele: 

– Posso te dizer uma coisa? Aquele dinheiro vai realmente ajudar seus pais. Mas para você, daqui pra frente, só ficará mais difícil, Aaron. Você sabe que está no começo de uma maratona, certo? Todos vão lhe dizer como se sentir, pra ficar positivo, para não sentir pena de si mesmo, para não ficar com raiva…

– Já estou com raiva.

– De quem?

– De todo mundo. Só quero minha vida de volta

– Eles não têm como te dar isso. Talvez você volte a andar. Espero que sim. Mas talvez não ande. Mas a sua capacidade de superar isso enquanto fica cada vez mais difícil é 100x mais poderosa do que sorrir e fingir que está tudo bem. Entendeu? Ei, escute, ninguém pode devolver tua vida, Aaron, você tem de tomá-la de volta.

Ninguém pode devolver sua vida, você tem de tomá-la de volta.

É ou não é inspirador? Então, tenha você medo de perder a vida que leva, tenha você perdido a vida que levava, pare para pensar nisso que o personagem disse.

Além disso, quantos de nós não estamos paralisados na vida por medo de sermos derrotados por ela? Pois é. Mas aí já é assunto para outro texto… 😉

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About Francisco Escorsim

Francisco Escorsim naufragou como bacharel em Direito, tornando-se professor de educação da imaginação e formação do imaginário. É escritor e colunista de vários sites e do jornal Gazeta do Povo.

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