Quem não sofre com Síndrome da Abertura do Fantástico?

Fim do expediente de sexta. Você publica uma foto de copo de cerveja com a legenda “iniciando os trabalhos”. Curte outras sete em que se repete a palavra “sextou” e cai de cabeça no final de semana. Durante esse pequeno momento de libertação, você pensa “graça à Deus acabou tudo, vamo aproveita!”

Sexta passa rápido, sábado também. Quando você se dá conta é fim de tarde de domingo. Está sentado no sofá, finalmente descansando. Largado consigo mesmo, não presta atenção em nada. Mas domingos são assim mesmo, né? Você cochila (coisa boa!) e acorda já de noite. Então olha para tv e ouve a aquela música:

Eu sei, possivelmente você nem deu play no vídeo. Mas tenho certeza que a sequência de “Ah, Uh Uh Ah, Uh Uh Ah, Uh Uh Ah” soou nitidamente em sua cabeça.

Também não é difícil de saber qual o sentimento que essa música te remete: um leve tédio bastante familiar, como se a vida te lembrasse de que o sonho acabou e amanhã é segunda.

“Ah, mas eu não assisto mais a Globo!”. Não adianta, meu caro, você sofre igual. Domingo à noite parece ser o momento preferido para a tristeza aparecer. Casados sofrem por se verem esgotados e não ter conseguido descansar, solteiros por se sentirem sozinhos, empregados por saber que tudo vai recomeçar, desempregados por se lembrarem que não têm um trabalho.

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Domingo a noite é nosso deserto interior, um limbo entre a alegria do final de semana e a rotina que está por vir.

Sempre acreditei que esse momento deveria ser bom. Há quem tente utilizá-lo para propósitos mais nobres: amanhã eu começo a dieta, segunda eu resolve aquele problema, não passa dessa semana aquela pendência. Eu acho perfeito para um retrospectiva do que fizemos nos dias anteriores e ideal para sentarmos, olharmos tudo que temos pela frente e nos programarmos.

Talvez o problema seja bem esse: olhamos para trás e não encontramos muito para nos orgulhar; daí pensamos no futuro e, vixi!, mais do mesmo.

A Síndrome da Abertura do Fantástico nada mais é que a certeza de que algo está errado. Na grade de programas da tv aberta? Não, há algo de errado dentro de você.

Olhar 43 de quem sabe que está te deixando deprimido

Nosso grande inspirador, Viktor Frankl, fala um pouco sobre isso* também: “o vazio existencial se manifesta principalmente num estado de tédio. Por exemplo, na “depressão dominical”, aquela espécie de tristeza que acomete pessoas que se dão conta da falta de sentido de suas vidas quando passa o corre-corre da semana atarefada e o vazio dentro delas se torna manifesto”

Cara, que paulada! “Pô Jota, mas assim você me deixa mais triste ainda!”. Confesso, eu também sinto o mesmo lendo essa passagem. Mas deixemos de lado um pouco esse sentimento e vamos aproveitar para entender o que o Frankl quis dizer.

Quando estamos em um estado de tédio, comum aos domingos, se manifesta o que não percebemos durante as tarefas da semana.

Paramos de nos gastar com o que é externo. Então, vem à tona o que estava escondido no fundo do nosso peito. Não há nada que prenda nossa atenção, assim, há um caminho livre para esse vazio ser notado.

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É como ver o mar em maré cheia e depois em baixa. Na primeira, temos apenas a areia da praia, a àgua e as ondas. Mas quando vem a maré baixa, o mar se recolhe. Podemos ver as conchas que estavam escondidas, pedra antes submersas e até mesmo um recife desconhecido.

Domingo é nossa maré baixa. O que está submerso aí dentro e você nem sabia?

Aproveite esse momento e pense em você, nas suas escolhas. Caso contrário, a Síndrome da Abertura do Fantástico te mostrará algo escondido por debaixo de suas águas interiores – e tenho certeza, não será um linda mulher (ou um cara sarado) dançando com roupas futuristas.

* Livro “Em Busca de Sentido”, por sinal, o melhor livro para lidar com questões sobre o sentido da vida. 

 

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  • João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

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