Receita para encontrar trabalho

No caminho para o estúdio onde gravamos alguns vídeos aqui para o site, lá em São Paulo, chamou minha atenção uma mulher que montou uma padaria na calçada. Parecia jovem, estava sentada e à sua frente uma mesa montada com toalha simples, tendo vários tipos de pães e outras comidas que não consegui identificar, mais três garrafas térmicas (provavelmente café, leite e água quente).

Naquele momento não havia consumidores, ela estava compenetrada com seu celular. Na hora lembrei de uma reportagem recente do UOL sobre desemprego, contando a história de vários desempregados lidando com a situação de forma muito parecida. Dois deles me chamaram mais a atenção.

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A primeira tinha 47 anos e fazia três não conseguia emprego. Sem instrução e com experiência apenas em empregos de faxineira, babá, auxiliar, chorava ao responder as perguntas, por precisar depender dos outros até para comer. Uma fala sua me intrigou: 

“Fico pensando: por que é que eu estou no mundo, então, se eu não posso trabalhar? Não consigo um serviço, tenho que depender dos outros. Você se sente incapaz, esta é a palavra.”

O segundo tinha 24 anos, com mais recursos pessoais do que a primeira, mas com a mesma dificuldade de encontrar emprego e discurso semelhante a respeito disso: “Não era para estar assim. Um país tão rico como o nosso, a gente não vê expectativa de nada para ninguém, para quem é jovem, para quem é idoso. Estão tirando tudo, principalmente do trabalhador. Estão tirando todos os direitos da gente.”

Os demais, acredito, concordariam com ambos. Fiquei imaginando se aquela moça vendendo pão e café na rua pensaria assim também. E cheguei à conclusão que seria impossível. Sim, impossível. Se pensasse, jamais estaria fazendo o que estava fazendo. 

Para aquela moça, não faz o menor sentido se perguntar se ela pode ou não trabalhar, ela simplesmente decidiu trabalhar e pronto. Talvez tenha contado com ajuda, talvez estivesse ajudando alguém naquele momento, mas seja lá quem for que teve a iniciativa de montar aquela padaria na rua, correndo todo tipo de risco, especialmente da prefeitura proibir, decidiu não depender de ninguém e tentar ganhar seu sustento trabalhando como desse e pudesse.

Tampouco creio essa pessoa não veja expectativa. Se não visse, jamais teria se dado o trabalho de montar o que montou. E ainda que estejam tirando todos os “direitos da gente”, ninguém pode tirar sua iniciativa de tentar trabalhar por conta se não há quem lhe dê emprego no momento.

Por que não tentar? Por que não arriscar? E o exemplo da moça serve aqui: nem que seja vendendo cafezinho na rua. Não é preciso talento, estudo, experiência para começar.

E isso não serve apenas para desempregados ou quem não tenha maior qualificação, mas também para todos que se sentem encalhados na vida, sem perspectiva, perdidos por não saber o que fazer ou querer fazer na vida. Para todos que fazem uma faculdade sem qualquer ânimo. Para quem tem um emprego que não lhe dá realização. 

Não importa o muito ou pouco tempo que você tenha para começar algo. Ainda que não tenha tempo algum, aposto algum tempo dentro dessa falta de tempo você tem para imaginar algum negócio, desenhá-lo na sua cabeça, pesquisar meios de colocá-lo em prática. Para tudo isso, basta uma coisa só: iniciativa. A mesma iniciativa daquele moça na calçada vendendo pão e café.

O contrário da iniciativa é o que se vê em todo discurso de fracasso: transferência de responsabilidade, baixa auto-estima, vergonha, revolta e algum anestésico (bebida, novela, videogame etc) para suportar a vida.

Está difícil encontrar um emprego? Por que não se dar um trabalho, então? Qualquer um. Ao menos para começar.

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  • Francisco Escorsim naufragou como bacharel em Direito, tornando-se professor de educação da imaginação e formação do imaginário. É escritor e colunista de vários sites e do jornal Gazeta do Povo.

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