Sacadas na sacada

Da sacada miro a areia, com seres dançando lambada. A recusa metafísica da modernidade nos levou à intrafísica dos biquínis cavadões. Mas nada detém o tempo e a modernidade, mesmo com a física siliconada, entrou em liquidação. O tempo da sunga branca está no fim, desconfio. Com ela a teologia da evolução.

Um carro com som alto passa, um remix tecnopagode de Wonderwall, do Oasis. Suspiro. É, não temos mesmo a menor chance de conter a revanche metafísica que virá usando burca e fazendo a dancinha do estupro.

No calçadão, bolivianos com mestrado em letras tocam na flauta “Tears in Heaven”, expondo à venda suas miçangas. Sim, tenho ímpetos de Mel Gibson na Cúpula do Trovão, mas resisto e evito e abro outra cerveja, tentando focar no infinito onde o mar encontra o céu, fugindo de mãos dadas. Cheers.

Tags:

  • Francisco Escorsim naufragou como bacharel em Direito, tornando-se professor de educação da imaginação e formação do imaginário. É escritor e colunista de vários sites e do jornal Gazeta do Povo.

    • Mostrar Comentários (0)

    Your email address will not be published. Required fields are marked *

    comment *

    • name *

    • email *

    • website *

    You May Also Like

    Até você saber quem é

    O romance de estreia de Diogo Rosas G., Até você saber quem é (Record), é um ...

    Sinceridade conveniente

    “Quero curar meu coração partido sendo biscate e contigo já não dá mais”. Foi ...

    Imagine there’s no imagine

    Eleições da OAB. Poucas coisas despertam instintos jihadistas como eleições da OAB. Não sei por ...