Somos todos Frodo

Escrever sobre O Senhor do Anéis é um pouco ingrato. Esta obra já foi tão analisada e discutida que todas as vezes que penso em algo novo tenho a sensação que alguém já o fez. Mesmo assim, é também inevitável tirar novas conclusões, afinal de contas, toda vez que lemos ou assistimos a obra de Tolkien somos novamente despertados.

Esses dias, pela milionésima vez, eu assisti a trilogia inteira. Estou numa fase meio órfão de séries e todos os filmes que selecionei anteriormente me pareceram pouco atrativos. Então, o negócio é partir pro Vale a Pena Ver de Novo.

Revendo toda a obra, lembrei de uma idéia que sempre tive a respeito dos inimigos daqueles que desejam a destruir o o anel. Quando ainda lecionava, costumava perguntar aos alunos: Qual é o maior inimigo do Frodo? Alguns diziam Sauron, outros Gollum – teve até um aluno que disse ser o Sam (?). Por minha vez, sempre acreditei que o maior inimigo de Frodo é ele mesmo.

Revendo a obra, tive mais algumas confirmações da minha teoria:

O pequeno hobbit, desde o momento em que assume a missão de levar o anel, é tentado a ceder, a se deixar levar. Algumas vezes até mesmo tem de ser impedido por outros, pois perde por um momento a consciência de sua missão. Além de ter de suportar a luta interna, Frodo também é tentado por todos a sua volta.

Fico sempre imaginando como deveria ser o peso dessa missão. Fica bem claro, em certa altura da trama, que o destino de todos está nas mão do hobbit. Como seria carregar o destino da humanidade em suas mãos mesmo tendo consciência que a missão é praticamente impossível? Quase no final do terceiro filme, uma cena que nunca me chamou muita atenção, dessa vez, me fez refletir um pouco mais sobre essa questão.

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Antes de entrarem na Montanha da Perdição, Frodo cai (vai ter spoiler sim, porque se você não viu os filmes já deveria ter visto). A única forma que Sam encontra pra reanimá-lo é relembrar o Condado. O fiel escudeiro relembra as comidas, cheiros e festas; ao perguntar para o portador do anel se ele também se recorda, este diz que não. A única coisa que Frodo vê é a escuridão que o cerca e ele se sente nu diante de toda maldade. Nesse momento fica claro o desespero de ter de cumprir uma missão necessária mas quase suicida. Em outro momento anterior alguém diz que a solidão é a marca daquele que possui o Um Anel. Portanto, assumir essa missão é comprometer-se a andar sozinho diante do Mal.

Pensando em tudo isso, pensei em minha vida também.

Afinal de contas, O Senhor dos Anéis não é apenas uma obra de ficção bem feita, mas é daquelas obras que te transforma. Como disse, Frodo carrega o destino dos todos nas mãos. O Mal vencerá caso derrote o hobbit e seu maior inimigo é ele mesmo.

Portanto, o Mal prevalecerá sobre a terra se o homem permitir. Sendo assim, Frodo é cada um de nós. Se o homem ceder aos seus instintos, medos ou ganância, o Mal fatalmente reinará. Tolkien, com maestria, nos mostra essa realidade: devemos permanecer firmes em nossos propósitos, devemos cumprir a nossa tarefa. Terá momentos em que não lembraremos mais o gosto da felicidade, do descanso, da tranquilidade. Em outros, nos sentiremos sozinho e nus diante do que há de pior no mundo. Nossa luta diária parecerá em vão. Mesmo assim, é preciso manter nosso compromisso e arcar com as consequências.

Quando Frodo sai da montanha, recém destruído o anel, ele se deita e diz lembrar de tudo de novo. Enfim, respira aliviado. “Ele se foi”, diz também.

É a sensação do dever cumprindo, quando nos deitamos na nossa cama e temos o sono dos justos.

Mas Jota, o Frodo não faz tudo isso sozinho!?, você pode indagar. Não, obviamente que não. Mas sobre amizade, Sociedade do Anel e principalmente o Sam, eu falo mais outro dia.

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  • João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

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