Superando as marcas do passado: como reconstruir um coração em ruínas

O futuro de todo relacionamento tem apenas duas alternativas: seguir em frente e tornar-se cada vez mais sólido ou, infelizmente, acabar e cada um seguir seu rumo. A primeira opção é o objetivo que todos procuramos – quem não quer ser feliz, não é mesmo? Mas é sobre o segundo caminho que precisamos conversar. 

Términos não são fáceis. Você pode ter passado por vários e sempre que se encontra nessa situação passa pelo mesmo drama. Toda vez que descubro que um relacionamento terminou, sempre sinto certo pesar. Porque tenho certeza que não foi algo suave e agradável.

Posso parecer pessimista, mas sempre alguém sofre com o fim de um relacionamento.

Pode ser apenas uma das partes ou as duas, mas todo fim tem sua cota de dor. Cortar um vínculo que fazia parte de sua vida é como se de repente alguém tirasse uma das colunas de sua casa: o prédio começa a ter rachaduras, tudo fica incerto e parece poder ruir a qualquer momento. E assim como evitar um desmoronamento é custoso, o mesmo ocorre aqui: você logo corre para segurar a estrutura toda com vigas de madeiras improvisadas e tudo o mais que tiver à mão.

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Pior, às vezes até deixamos tudo desmoronar. Já que fulano não me quis, que se dane. Se ciclana me deixou eu também vou me deixar. Em pouco tempo o caos está completo: a casa perde a forma, tudo se torna um monte de entulho.

O coração machucado se quebra e a esperança se esvai como água em meio aos cacos de um vaso no chão.

Apesar disso, nem tudo está perdido. Tudo passa. Do meio dos escombros podemos ver alguns móveis que se mantêm de pé, uma parede que não caiu, a fachada ainda intacta. Então, como pedreiros dedicados resolvemos salvar essa casa em frangalhos: refazemos a planta, compramos novos materiais e aos poucos vamos acertando cada detalhe.

Substituímos a fase depressiva, triste e de auto piedade pela vontade de ser feliz de novo. Ligamos para amigos, saímos de casa, conhecemos gente nova, gastamos energia, voltamos a nos permitir conhecer alguém que valha a pena. Mas muita calma nessa hora: no desejo de recomeçar, podemos não notar questões de suma importância.

Todo o trabalho pode ser perdido se reconstruirmos nossa casa sobre uma estrutura condenada: não há fim sem sofrimento e todo sofrimento deixa marcas.

Não podemos ser inocentes e acreditar que uma ferida não deixará nenhuma cicatriz. Às vezes mentimos para nós mesmo dizendo que somos fortes e superamos tudo. Passado é passado. Mas em grande parte somos feitos do que passou, principalmente dos momentos mais sofridos: esses se agarram em nossa memória feito adesivo.

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Estudar o terreno é essencial antes de reconstruir nossa morada interior.

Olhar para tudo que passou, lembrar dos detalhes mais difíceis, passar nossas dores a limpo e organizar nosso interior são os primeiros passos a serem dados. Entre a tristeza e o desejo por novidade, parar e repensar todo o trajeto é sempre a melhor opção.

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  • João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

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