Tag: música

Aprendendo a morrer com Johnny Cash

Escrevi o texto que segue em 2013. Revisitei em 2016, reescrevendo durante o carnaval e republicando na véspera da Quaresma daquele ano em meu perfil pessoal no Medium. Mais tarde transferi o texto para cá, com algumas pequenas modificações. Depois, revisto e aumentado, inaugurou nossa “revista” virtual lá no Medium na sexta-feira da Paixão de 2018. Mudamos de planos e abandonamos a ideia da revista, preferindo reavivar nosso blog por aqui. Não haveria melhor desculpa para revisar de novo este texto e republicá-lo durante a semana pascal de 2019.

Sempre me espanto com o quanto esse texto é lido. Toda semana o Medium me envia as estatísticas de leitura e este sempre está sendo lido, não importa a época ou a versão do texto, e muitas vezes foi mais lido do que outros recém-publicados. Devo ter acertado em alguma coisa para ser assim.

Gosto de relê-lo na Páscoa, por motivo óbvio, e quase sempre acho que poderia dizer mais e melhor. Quer dizer, mostrar mais e melhor. Mas só reescrevo quando algo me diz para fazê-lo. É o que está acontecendo agora.

Continue lendo

O vazio existencial e as canções para náufragos

Que a música tem uma importância tremenda na vida não é novidade para ninguém, mas quando somos náufragos existenciais, aí a música é ainda mais importante: é vital. A ponto de sermos obrigados a concordar com esse aviso iluminado na parede da imagem em destaque aí em cima. 

Sim, você é o que você escuta.

Mas por que a música tem tamanho valor para nós, náufragos?

Um disco para náufragos

Se tem uma coisa que a imensa maioria de nós, náufragos existenciais, temos em comum é o apego à música como uma tabuinha de consolação – quando não de salvação mesmo.

Quando vejo a devoção com que alguém fala ou aprecia alguma música ou banda ou artista, já reconheço um “irmão de braçadas”, mantendo-se à tona com a ajuda de música, muita música.

E não falo aqui de histeria adolescente com bandinhas. Falo de algo bem mais sério e profundo, da música sendo capaz de expressar a tristeza ou o desespero do “estar náufrago”, ao mesmo tempo conseguindo alimentar a fé e a esperança de que há um sentido maior para esse sofrimento. Continue lendo

Quando o pai é pai, o filho é filho

I.

Depois da separação o pai passou a usar camisetas e jeans com o corte da moda, também tênis, tênis cinza e vermelho, daqueles sem cadarço. Começou uma dieta, voltou à academia, correndo no parque nos fins de semana. Fez bronzeamento artificial, comprou um carro esportivo, pintou os cabelos. Saía quase toda noite. Disfarçava não ouvir os comentários maldosos da molecada. Ficou com uma ou duas meninas muito mais jovens, precisou tomar remédios para dar conta. O filho descobriu porque uma delas era amiga da sua namorada. Continue lendo