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3 motivos para você começar a estudar a imaginação hoje mesmo

Aqui nos Náufragos nós falamos bastante de imaginação.

O tema já foi explorado até em um podcast sobre o novo filme dos Vingadores!

Muita gente torce o nariz quando tocamos no assunto. Por que diabos eu preciso me preocupar com a minha imaginação? Do que esses caras estão falando?

Se esse é o seu caso, este artigo é para você.

Você pode não perceber na maior parte do tempo, mas é só prestar atenção na sua imaginação para constatar quão importante ela é na sua vida e como é fundamental aprender a desenvolvê-la. Eis 3 motivos para tanto:

 

1) A imaginação é essencial para o planejamento do seu futuro

Você faz planos pro seu fim-de-semana ou é do tipo que espera os outros programarem ou convidarem para algo?

Seja como for, perceba como é pela imaginação que você pode e deveria começar a planejar seu futuro, desde o mais próximo fim-de-semana até muito depois da aposentadoria.

 

2) Com a imaginação você define seus sonhos e vence seus medos

O que você mais deseja na vida? Quais são seus sonhos? E o que você mais teme? Quais são seus medos?

Seja qual for a resposta a essas perguntas, saiba que é só a imaginação que pode transformar desejos em sonhos e mover sua vontade para ir atrás de realizá-los.

Quando isso não acontece, a imaginação joga contra, transformando seus medos em algo intransponível, fazendo com que você só viva buscando segurança e mais nada.

 

3) A imaginação te ajuda a encontrar sentido na vida

Você não faz a menor ideia do que quer para sua vida?

Sente-se meio perdido, sem rumo, deixando a vida te levar? Mas gostaria de achar um caminho, dar um sentido maior à sua vida?

Pois, então, sabe por onde você tem de começar?

Sim, também pela imaginação.

É como voltar à infância e se fazer a pergunta que alguém deve ter feito para você quando criança: “o que você quer ser quando crescer?”

Pode não dar mais para querer ser jogador de futebol ou atriz de TV, mas dá para imaginar ser alguém melhor do que você está sendo agora.

 

E como eu posso começar a melhorar a minha imaginação?

O tema é tão importante que o nosso professor Francisco Escorsim criou um curso só para tratar do desenvolvimento da imaginação. Ainda não conhece? Clique aqui e dê uma olhada no nosso vídeo de apresentação!

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You know nothing: o que você não sabe sobre a última temporada de Game of Thrones

A sétima temporada de Game of Thrones acabou nesse domingo. Desde o penúltimo episódio, a série virou assunto controverso. Dizem que perderam a mão. Conhecida por sua trama bastante complexa e episódios surpreendentes, bastou um capítulo “previsível” para vermos uma fúria pior que do Dracarys. 

O que você não sabe é que nesse embate de críticas ferrenhas e defesas acirradas, uma das melhores cenas da série passou em branco: um diálogo entre Beric e Jon Snow. Não se lembra? Deixa que eu te ajudo.   

 

I. A Verdadeira Batalha

Esta cena, se não me falha a memória, é uma das poucas que deixa tudo às claras. Entendo quem goste daquela confusão moral que marca toda a trama. (Eu mesmo ainda acho que o Jamie irá nos surpreender e que a Arya está cada dia mais psicopata). Mas tudo cai por terra nesse diálogo.

No final das contas, o que importa é uma única batalha: Vida x Morte.

Não é óbvio? Mas é muito real. Tão real que nos faz rever todos os acontecimentos por esse prima. E talvez por isso, muitos tenham se frustrado: eles nos deram a régua para medir tudo o que vimos e ainda vamos ver. Porém, essa medida seria inútil se usarmos apenas para o seriado.

Pensando um pouco, também devemos defender a vida. Você pode não ter notado, mas nessa batalha cada um de nós faz sua parte. Quando acordamos cedo, trabalhamos, conversamos com amigos, brincamos com nossos filhos, estamos lutando sem perceber. You know nothing

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O que nos faz seguir em frente é o desejo de que a vida prevaleça sobre a morte.

Jon Snow está certo, não iremos vencer. Porém, aqui não importa o resultado, mas sim a postura diante do inimigo. Frankl já dizia que mesmo nos momentos mais difíceis, nas situação sem saída que temos em nossa vida, ainda assim, nós possuímos a liberdade interior de decidir como iremos enfrentar a realidade.

 

II. Qual o seu papel?

Se lermos esse diálogo com atenção, percebemos que ele nos ensina muito mais. Os dois são soldados. E o que soldados fazem? Lutam e defendem aqueles que não podem se defender. Novamente tudo é apresentado com uma clareza absurda.

Beric define qual é a vocação de um soldado e com certeza te fez pensar: qual é a minha vocação nessa batalha?

Sabemos que devemos lutar contra a morte, o motivo é evidente. Porém, cada um deve também definir qual o seu papel.

Definir nosso lugar no mundo é a maneira mais eficiente de evitar problemas, ajudar ao próximo e sermos felizes. Hoje, todos querem mudar o mundo, mas esquecem do mais óbvio: como você vai fazer isso? Cada um de nós é limitado, por isso, cada um tem um papel específico nessa história.

Enquanto você não descobre o que irá fazer com sua vida, todos seus atos podem carregar a marcar da dúvida, aquela sensação de estar no lugar errado.

 

III. Encontrando a paz de espírito

Até aqui esse simples diálogo nos ajudou em dois pontos essenciais. Porém, a mensagem de Beric parece os White Walkers: não para por aí. Ele também nos deixa uma lição sobre nossa inquietação cotidiana:

Quando definimos nossa vocação, nossas dúvidas caem por terra. Não precisamos mais entender tudo. Viver para realizá-la talvez seja o suficiente.

Se eu sei o que fazer, concentro minhas forças nessa atividade, gasto meus dias com isso e busco cada vez mais ser melhor no que faço. Uma mãe com filhos pequenos passa seu tempo cuidando deles. Sua vocação é essa. Ela não precisa entender tudo, basta saber que seu lugar é ali ao lado deles. Com um professor acontece o mesmo, ele quer ensinar seus alunos e isso basta.

A vocação é sempre o suficiente pois é uma missão digna de uma vida toda.

Pode parece pequeno ter poucas funções durante uma vida inteira. Mas ser simples é sempre mais complexo. Estamos acostumados a um mundo que nos exige sermos muito mais do que podemos ser e não conseguimos ser nada. Saiba, descobrir nosso papel nos acalma. Nos dá um trabalho sem fim, mas ganhamos a paz de espírito.

Ao final, você é uma coisa só. Beric e Jon Snow são soldados. E você, o que é?

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Se você não parar, a vida não para sozinha

Estamos soterrados de coisas. Boleto pra pagar, trabalho pra fazer, horário pra cumprir, coisas pra consertar. Quando você percebe, já acabou a semana, o mês, o ano.

Pior que isso também acontece com nossa vida pessoal. Tudo fica automático: conversar com a namorada, jantar com o marido, brincar com as crianças. Vemos tudo como mais uma tarefa a cumprir. E o mais triste, tudo cansa.

Mas te digo, tem solução e o começo é bem simples. 

A primeira coisa a fazer quando estiver nesse furacão cotidiano é prestar atenção no que você está sentindo. Isso mesmo, olhar para dentro. E principalmente, buscar definir as coisas.

Porque no meio desse turbilhão a gente sente tudo meio vago. Ficamos tristes, irritados e até choramos sem saber o porquê. A alegria também pode passar em branco porque a gente não estava lá de verdade. Enquanto as pessoas ao nosso redor se divertem, nossa cabeça espera apenas tudo acabar para seguir para o próximo compromisso. 

Portanto, pare, respire, e refaça o caminho interno dos seus sentimentos. O que você está sentindo, onde começou e como chegou até aqui? 

Muita gente acaba caindo no meu consultório e mal sabe dizer o que está acontecendo. Quando pergunto, o que te trouxe aqui?, tenho como resposta: nem sei bem, mas acho que preciso de alguma ajuda… 

Dar nome às coisas foi umas das primeiras tarefas que Deus pediu para Adão. Não foi por puro acaso, tenho certeza. 

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A procrastinação está te custando muito mais caro do que você imagina

Você provavelmente tem um enorme defeito: você procrastina tarefas simples, que não está com vontade de fazer.

Fique tranquilo, eu não estou apenas te apontando o dedo e te acusando de algo terrível. Eu mesmo sofro desse mal e, pelo que converso e observo de outras pessoas, todo mundo tem um pouco de procrastinador em sua personalidade.

O que não é muito explorado é o fato de que procrastinar tarefas, na verdade, te custa muita energia. Você já ouviu o ditado que diz que “até um copo d’água se torna insuportavelmente pesado se você segurá-lo por muito tempo”?

Pois ele é a mais pura verdade.

Muitas vezes procrastinamos alguma ação pelo puro desinteresse de fazê-la, ou quando temos a intenção de descansar um pouco e esquecer de nossas tarefas.

Fazemos isso, na verdade, desde a escola: você tem aquele trabalho de biologia para entregar daqui a dois meses. Ele é bem simples, pode ser feito em uma ou duas horas.

Quando você faz? Pouco antes de ir para a aula de entrega.

E na faculdade, então? Você precisa estudar para aquela prova complicada que acontecerá na semana que vem e, se você separar direitinho um pedacinho da matéria para cada dia, poderá estudar com calma.

Quando você acaba estudando? Na véspera da prova. Aí batem aquelas dúvidas que você não tem mais tempo de tirar, você acaba ficando desesperado e desmotivado, e o estudo não rende. Dá tudo errado.

Não consigo nem contar quantas vezes isso já aconteceu comigo.

Muitas vezes, por deixar para depois alguma coisa que você precisa (mas não quer) fazer, você perde a qualidade do seu sono, das suas horas de lazer, dos seus estudos e do seu trabalho.

Você pensa na tarefa enquanto está se divertindo. Sonha com ela quando dorme. Acha que deveria estar fazendo aquilo ao invés de ler o livro que está lendo. Se sente culpado por adiantar algum trabalho, quando tem esse se aproximando da data de entrega.

Sua vida inteira perde qualidade.

Procrastinar acaba sendo muito mais danoso do que você acredita.

O melhor que você faz é tomar logo a água desse copo, ou deixá-lo na mesa.

Ou você faz logo o que tem que fazer, ou larga a tarefa e parte para a próxima.

Não se engane: desistir de algo, com muito mais frequência do que você acredita, pode ser algo positivo.

Qual o remédio para a solidão?

Desde que iniciamos esse projeto para náufragos fiquei com a tarefa de escrever algo sobre solidão. A idéia era fazer algo no estilo “10 coisas que você precisa…” etc. Sinto muito, não consegui.

Por mais que sejamos bem sucedidos em evitar a solidão, nos distrair dela, no fim das contas ela sempre vence. Refiro-me à solidão inescapável, aquela que a morte de um ente querido nos deixa por herança.

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Outra coisa que era para eu fazer nesse projeto: deixar para falar da morte mais à frente. Sinto muito, não consigo. Porque se é para falar de solidão, não dá para deixar a morte para depois.

Ainda mais quando é justamente a memória da morte o remédio da solidão. Quer ver?

Peço um favor, contudo. Este post exige trilha sonora. Então, clica aí no play e segue lendo. Depois explico por que esta música.

Eu tinha 15 anos, era madrugada de verão, em janeiro. Ainda dormindo escutava as batidas em janelas, paredes e portas da casa de madeira da praia. Era uma de minhas tias anunciando. Lembro bem, muito mesmo, de despertar sem despertar.

Eu a escutava, mas me sentia paralisado, como se algo impedisse de ser eu a receber a notícia. Não sei quem levantou, quem abriu a porta, quem escutou primeiro, provavelmente meu pai. Para descobrir que o pai dele tinha falecido havia pouco, em Curitiba.

Lembro da estrada, eu sentado atrás dele, dirigindo, cabeça colada à janela, mirando as estrelas e o silêncio, calado por dentro. Lembro do caixão, das mãos cruzadas do meu avô. Lembro do beijo do meu pai no pai dele, inédito para mim.

Lembro de voltar à vida, sem saber como lidar com a morte. Eu tinha 16 anos.

No ano seguinte um colega de classe escalava uma montanha. Um menino que estava junto se desequilibrou e cairia, não fosse o Fabio. No repuxo, foi ele a morrer. Lembro da segunda-feira no colégio. Lembro do psicólogo da escola dando a notícia, a professora de inglês chorando, nós todos estupefatos. Lembro do ônibus, na ida e na volta do cemitério. Lembro de voltar à vida, tentando e conseguindo não pensar sobre a morte.

Um ano depois foi a vez da minha avó materna. Eu já estava na faculdade. Chegando em casa meu pai me contou. Fui com ele buscar meus irmãos na escola e dali para a casa dela. Tias e minha mãe rezavam dentro do quarto. Ela na cama, amparada no colo de meu avô, que só fazia chorar e lhe dar carinho no rosto e cabelos. Lembro do rumor das rezas, do desespero de meu avô, da cena tão bela quanto meu pai beijando seu pai. Lembro da poltrona vazia na sala de ver TV, lembro do meu avô seguindo em frente, menos coronel, mais avô. Lembro de voltar à vida de novo.

Outras tantas mortes se seguiram, avós e tia de minha esposa, primos queridos, pais de amigos, conhecidos etc., nem sei em que ordem, data, essas coisas, mas lembro. Chegou a vez do meu avô materno. Lembro da comoção de minha mãe, lembro do cemitério cheio, lembro de já não achar nada demais na morte, tinha meu filho.

Minha avó paterna resistiu bastante tempo, sofreu com o câncer. Lembro de fazer questão que meu filho visse o caixão. Lembro de passear com ele pelo cemitério, tentando explicar, inútil. Lembro dele comendo pipoca doce, aquela do pacote rosa, dele colocando sorrisos em rostos nublados. Lembro do fim, da hora de ir embora, lembro de não querer pensar na hipótese de meu filho morrer antes de mim. Lembro de ter certeza de que não suportaria.

Poucos anos depois a morte mais próxima. Entre adoecer e morrer, uma quaresma. A morte vem inteira, depois aos poucos. Lembro de termos conseguido levantá-lo da cama, ao menos para ver os netos. Lembro do meu caçula ser o primeiro a dar um abraço, sem estranhar o cheiro da morte, tão assustador para as crianças. Lembro de ouvir o sussurro do meu pai: “obrigado”.

Lembro dos médicos alertando, diversas vezes, “difícil passar dessa noite”, lembro de ter me despedido algumas vezes, lembro dele seguidamente passar daquelas noites. Lembro do absurdo da negativa do plano de saúde, dos trezentos e sei lá quantos mais mil reais, impagáveis, juntados em poucas horas para garantir internamento no Sírio Libanês. Conseguimos, e ele, que a tudo assistia, impotente, conseguiu dizer: “obrigado”.

Lembro de trabalhar no chão da UTI, lembro da picanha em plena UTI no dia do aniversário. Lembro que nunca vi minha mãe tão frágil e tão forte, tão mãe, e ela nem desconfiava. Lembro de Santa Luzia, da novena que tantos fizeram e que se não trouxe a cura o deixou forte suficiente para voltar a Curitiba, onde teve forças para, em meio ao calor insuportável, pedir cerveja, do que rimos, apenas rimos.

Lembro que só o vi chorar uma vez, quando na primeira UTI, mãos dadas comigo e minha mãe, ela lhe perguntou: “você tem medo por que não sabe como ficarão seus filhos, não é?”.

Ele ajudava demais, porque ele era assim, porque nós precisávamos demais. Lembro do telefonema, da mãe acordando assustada às 3h, lembro de não precisar dizer nada, lembro de só abraçá-la. Lembro de beijá-lo, como um dia ele fizera com seu pai. Lembro de enterrá-lo, como se isso fosse possível.

Lembro que quando sepultamos o pai do meu pai a árvore próxima ao túmulo me chamou a atenção, bem frondosa. Sim, essa que aparece desfolhada atrás do meu caçula na foto em destaque. Lembro que escrevi a maior parte deste texto num dia de finados, dia de lembrar e deixar doer a solidão da perda. Lembro do céu tão ou mais cinza que no dia daquela foto. Lembro que não fui ao cemitério no dia dos mortos, antecipando-me, como a morte fez com meu pai.

Lembro de ter ido com meus meninos, minha esposa, minha mãe. Lembro que chovia, lembro que faltavam as flores encomendadas, lembro da minha mãe preocupada se seriam colocadas para o dia “certo”. Lembro que, na saída, minha esposa me disse: “quando você se for trarei chocolates”. Lembro que rimos, o combinado é eu ir antes. Pelo histórico familiar, é provável.

Lembro que semanas depois da morte do meu pai soube da história de Warren Zevon, o cara da música que estamos escutando. Quando descobriu que tinha um câncer incurável decidiu gravar um último disco, The Wind. Ele morreu duas semanas depois de lançá-lo, em 2003. Descobri a história por conta da última música do disco, cujo clipe – esse mesmo – assisti sem querer.

Nela ele pede para que os seus se lembrem dele um pouco mais depois que ele se fosse.

Não sei por que associei essa música a meu pai, mas sempre que vou ao cemitério a escuto de novo. Gosto de imaginá-lo pedindo algo assim, acho que pede.

Lembro que dias depois daquela ida minha mãe foi ao cemitério sozinha. Acertou as contas com quem cuidava da lápide, floristas etc. Na saída, o rapaz que sempre cuidou de tudo, mesmo não recebendo, veio correndo lhe dar um vaso com duas orquídeas lindas. De presente. É claro que foi meu pai.

Eis o remédio para a solidão.

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Eu não te amo mais: como terminar um relacionamento

O amor pode acabar. Aquele sentimento bom de estar com a pessoa, a vontade de dividir a vida, aquele conforto de saber que você “tem alguém a seu lado”, aquele desejo de se declarar de tempos em tempos, tudo isso pode chegar ao fim. Dos que acreditam que o amor verdadeiro nunca morre aos céticos que defendem que amor é apenas um contrato em busca de benefício mútuo, normalmente quando chegamos neste momento crucial, da certeza de que não amamos mais, há um longo caminho até o término concreto da relação.

Primeiro, temos de deixar claro, ninguém quer passar por isso.

Todo nós – quero crer – começamos um relacionamento para construir durante muitos anos. Até os que acreditam que nossa missão é ajudar o outro por um tempo para depois seguir adiante; mesmo esses ficam tristes quando o amor acaba. Por essa razão, a dificuldade sempre começa com uma batalha interior: algo te diz que as coisas mudaram mas você insiste em tentar não acreditar.

Essa sensação é muito parecida com uma crise – e talvez por isso muitos se separam quando surge qualquer pequena dúvida – mas ela é um pouco mais profunda. É uma certeza que parece que apenas espera a aceitação, e nós lutamos durante um bom tempos tentando não aceitar. Sempre quando me falam sobre términos, me lembro das cinco fases psicológicas de um doente terminal: negação, revolta, barganha, depressão e aceitação. Me parece que na morte de um amor a dinâmica é a mesma, nos debatemos muito antes de chegarmos à última fase.

Por essa razão podemos gerar muita confusão e até mesmo criar um caos em nossa relação. Definitivamente, uma das maiores dificuldades nesse momento é saber por onde começar. Qual o primeiro passo? Para facilitar a nossa vida, nada melhor que um passo a passo:

1. Tenha certeza.

Todo seu tormento interior termina quando você acorda um dia e diz pra si mesmo: acabou! Muitos já passaram por isso, é libertador e ao mesmo tempo triste, mas acima de tudo é necessário. A base de toda sua atitude a seguir é decorrente dessa certeza, ela é o ponto de partida. Não tem como terminar ainda com dúvidas, caso contrário, o tiro pode sair pela culatra. Claro, essa clareza de decisão não é constante – há dias em que ela é mais forte, em outros mais fraca -, mas ela precisa existir. Você precisa se olhar no espelho e dizer “eu não quero mais” e ver que isso é sincero. (Se ainda não tem certeza, procure conversar com sua namorada ou amigos. Pode ser simplesmente uma confusão pessoal ou uma tempestade em copo d’água).

2. Seja Claro.

Depois de ter certeza, seja claro com quem divide a vida contigo. Na cultura das indiretas, ser claro é algo que exige mais esforço do que você imagina. Ser claro não é apenas chegar e dizer “acabou”. É conseguir concluir uma relação sem deixar assuntos mal resolvidos ou questões a serem debatidas. É por um ponto final com decisão. Sabe quando você assiste um filme que não tem um fim claro, não te dá um sensação de ter sido enrolado ou de estar faltando alguma coisa? Então, agora pense num final de relacionamento e evite essa mesma sensação.

3. Seja Sincero.

Essa clareza também advém da sinceridade. Para termos clareza conosco precisamos ser sinceros, o mesmo acontece em relação a outra pessoa: ser sincero é a melhor forma de terminar e evitar complicação futuras. Obviamente, ser sincero não significa ser estúpido. Costumamos achar que a sinceridade é o ato de falar tudo – tudo mesmo – na cara da outra pessoa. Não é disso que estou falando aqui. Ser sincero é conseguir falar a verdade sobre o que houve no relacionamento e qual o motivo do término de forma madura. Se você se apaixonou por outra pessoa, se você não o vê mais como um parceiro, se o desejo de dividir a vida acabou, se os interesses mudaram; ser sincero é ser capaz de dizer isso da melhor maneira possível quando for necessário.

Sinceridade também é ter coragem para aguentar as consequências da sua decisão.

Não minta por medo de magoar a outra pessoa ou por medo de te acharem um idiota. Erga a cabeça, diga a verdade e aguente o tranco. Você estará apenas sendo um adulto e se comportando como tal.    

4. Local e Momento.

Para terminar de forma clara é preciso também pensar onde e quando tudo acontecerá. Por conta da nossa covardia ou insegurança, às vezes escolhemos o pior momento possível para isso. Aquela discussão besta na festa, aquele desentendimento na hora do almoço, aquela queixa de algo cotidiano, tudo vira gota d’água e catalisador para a separação. Esse é um dos maiores erros: algo pequeno parece ser o motivo para o fim. A outra parte então é pega de surpresa, e já alterada pela notícia, complica a derradeira conversa.

Portanto, primeiramente, escolha um local seguro.

Algum lugar onde ninguém irá atrapalhar e vocês terão liberdade para conversar – e quem sabe até chorar ou gritar. Talvez conversar na casa dos pais dela onde vocês podem ser interrompidos ou discutir no fumódromo de uma festa não seja uma boa idéia.

Depois, pense no momento. Vocês têm uma hora de almoço durante a semana ou se encontram rapidinho depois do expediente antes de irem para a faculdade? Talvez é melhor conversar outra hora. Quem sabe no final de semana ou no final do dia não seja melhor. A ansiedade a respeito dessa resolução pode te atrapalhar e antecipar as coisas, mas tenha paciência e escolha bem esse local e momento. Mas falando em paciência… 

5. Tenha Paciência.

As reações diante de um término tendem a ser bastante diferentes. Quem termina, costuma não perceber, mas tem uma imensa vantagem: já vem pensando e maturando a idéia há tempos. Enquanto de um lado temos alguém que está vivendo um relacionamento, fazendo planos e pensando no futuro; do outro lado temos aquele que só observa os erros, pensa no momento e no que vai dizer e já não vê mais futuro algum senão sozinho. Portanto, se você irá terminar, saiba que deve ter muita paciência.

Quando passamos por alguma situação difícil, precisamos repassar algumas vezes em nossa mente o fato ocorrido, para enfim absorvermos toda a realidade: com términos é a mesma coisa. Quem é deixado costuma voltar para rediscutir o término. Muitas vezes até mesmo utilizando-se dos mesmo argumentos. Parece que a pessoa não se lembra do que já foi discutido ou se faz de louca, mas na verdade é apenas um processo de absorção da informação. É como reler a mesma página várias vezes para tentar entender o que o autor está dizendo. 

Também as reações podem ser bastante intensas: gritos, choros, atos desesperados, ofensas pessoais, barracos.

Num momento de fraqueza, a pessoa deixada pode cometer esses desvios de conduta. Claro que nenhuma dessas situações são agradáveis ou justificáveis, mas aqui também cabe ser paciente. Busque não expor ou humilhar a pessoa – mais do que ela pode já estar fazendo consigo mesmo.

6. Corta e Separa.

Último passo para um término é algo que minha mãe sempre diz: corta e separa. Hoje tendemos a manter os antigos relacionamentos de forma residual, não é mais uma relação afetiva mas também não é uma amizade. O que é então? É apenas uma falsa sensação de relação distante que nos faz crer que somos muito adultos e bem resolvidos. O problema é que essas relações podem se tornar bastante confusas.

A possível amizade entre ex namorados ou maridos não é uma continuidade da relação afetiva anterior. Ela deve ser uma nova relação. Portanto, o melhor a se fazer é cortar e separar. Encerre essa relação e depois veja se é possível construir outra. Terminou? Então bloqueia a outra pessoa e se recomponha! Fique um tempo sem ter notícias e se contenha: nada de stalkear ou sair perguntando para todo mundo que destino a pessoa levou.

Entrar em contato, ficar de conversinha, visitar a casa do outro, tomar um café, rever a família dela, reencontrar os amigos dele, relembrar os bons tempos. Tudo isso é muito perigoso nesse período pós término. Querem ser amigos? Fiquem ao menos três meses sem se ver. Se depois disso vocês conseguirem se olhar e nenhum dos dois ficar balançado, talvez – eu disse talvez – exista uma pequena chance de criar uma amizade.    

7. Não Seja Covarde!

Por fim, aqui vai uma dica do que não fazer: não seja covarde. Se quer terminar, termine de forma digna! Tem muita gente que se utiliza de modos bastante infantis – para não dizer cruéis – de término: termina por whatszapp, bloqueia a pessoa, tira o status de relacionamento do facebook, avisa todo mundo menos o interessado, trai e espera o assunto chegar, vai ficando indiferente até criar o clima, provoca a pessoa até ela querer terminar, pede para os amigos contarem a verdade, finge de louco, se faz de maluca. Não preciso dar mais exemplos, já que eles são tantos. Acho que você me entendeu, né?

Bem, aqui estão sete passos bastante objetivos, creio que são suficientes. Se ainda resta alguma dúvida, eu posso te ajudar mais. Porém, lembre-se, terminar é difícil mas não é impossível. É o fim mas também pode ser o começo. Saiba que vezes, graças a essa relação que se encerrou, você pode enfim ser feliz como sempre sonhou.    

O que é o sentido da vida?

Desde o momento em que tomamos consciência de nossa necessidade por sentido, buscamos sempre algo mais significativo para gastarmos o tempo da nossa vida. Esse desejo começa muitas vezes quando a criança brinca de ser super-herói, ali está a semente desse Sentido da Vida ainda sem forma. Na adolescência essa busca está mais voltada para si, e é interessante de ser notada. Quando o jovem começa a se distanciar da família – evita os pais, não quer nenhum sinal de carinho público, diz que eles não o entendem – podemos dizer que ele está em busca de desenvolver sua personalidade independente de um grupo que o absorva.

Ele quer ser ele mesmo, não o “filho de fulano”.

Converse com um adolescente e verá que normalmente a questão de “quem sou eu” é bastante urgente. Porém, passados alguns anos, essa questão parece perder o importância ou já foi superada, o problema agora é outro: o que fazer e como se posicionar na sociedade.

Essas questões acabam sempre desembocando nesse tal Sentido da Vida. Confesse, seu sonho é encontrar algo que te complete, te faça feliz, te deixe motivado e te ajude a construir uma imagem ou legado para as próximas gerações. Porém, infelizmente tenho más notícias: esse sonho é falso. Com a modernidade criamos toda uma cultura de inflação de ilusões: todos nós podemos mudar o mundo, atingir pessoas ao redor do globo, ser lembrado pela posteridade, transformar a humanidade. Essa idéia megalomaníaca acaba afastando cada vez mais as pessoas do que é realmente encontrar um Sentido da Vida. Pois não é difícil imaginar que se todos temos de mudar o mundo, de duas, uma: ou a maioria da população vai se frustrar, ou o mundo será mudado tantas vezes que não fará mais nenhuma diferença qualquer nova mudança.

Tirando essa fantasia do horizonte, o que sobra então? Para responder essa questão precisamos colocar os pés na realidade.

Quando falamos em Sentido da Vida precisamos pensar em atividades que podem ser realizadas ordinariamente, atividade comuns – deixemos os atos extraordinários para depois. Devemos pensar em um certo tipo de papel que eu, você, minha avó, seu colega, minha professora, sua madrinha podem realizar. Esse Sentido da Vida não pode ser inalcançável, caso contrário teríamos desde o início dos tempos uma epidemia depressiva que há tempos já teria engolido a humanidade. Para deixar tudo mais claro, há três conceitos chaves que podem facilitar nosso entendimento: Sentido da Vida é uma Missão Pessoal Intransferível.

Missão:

Quando falamos em missão normalmente pensamos em algum tipo de herói ou religioso. O herói costuma ter a missão de combater o crime, lutar contra as forças do mal. A missão do religioso é associada à evangelização, talvez ir até um terra distante e pregar o evangelho. O que temos em comum é a idéia de uma atividade que não tem fim. Tanto o herói quanto o religioso têm diante de si algo que pode ocupar suas vidas até o fim dos dias.

Além desse aspecto, quando falamos em missão também falamos de uma função que precisa ser feita. Toda missão tem em si essa idéia de urgência e necessidade: alguém precisa fazer isso pra ontem, pois é de suma importância para todos. Além dessas duas características, podemos dizer também que missão é algo que uma vez assumida não pode ser deixada de lado. Melhor dizendo, se você vai realizar essa atividade é pra fazer de verdade. Missão dada é missão cumprida. (Perceba que só de eu falar sobre missão você já deve ter desejado ter uma para chamar de sua. Essa é – como chamava o psiquiatra e filósofo Viktor Frankl – a Sede de Sentido).

Todos nós temos uma vontade íntima de ter sentido, por isso histórias de homens comuns ou extraordinários que superaram suas dificuldades nos atraem.

Se o Sentido da Vida possui esse aspecto missionário significa que o homem tem em si essa disposição. Porém, pensemos mais um pouco no conceito de missão para que nada nos escape. Se não pararmos um pouco para prestarmos atenção, algo bastante evidente costuma passam em branco: missões não tem nenhuma relação com dinheiro, trabalho ou necessidade de reconhecimento.

Aqui a casa cai!

Missões, como dito antes, são atividades que devem ser realizadas em prol de algum bem, mas de forma alguma precisam te conferir algum benefício. Um exemplo, que tanto eu quanto o Francisco utilizamos, é o da maternidade. Não vou me delongar aqui mas mães ao redor do mundo tem na criação de seus filho o Sentido da Vida e não é por isso que são super reconhecidas, ganham dinheiro ou possuem algum cargo.

Elas são simplesmente mães.

Vivemos nossa vida inteira atrás de um significado maior em nossas vidas e podemos nem reparar que milhares de mulheres ao nosso redor são exemplo de pessoas que encontraram seu sentido. Mães são tudo e mais um pouco – enfermeiras, psicólogas, professoras -, perdem muito dinheiro, pensam pouco em si mesmas e se preocupam muito com seus filhos. É desse tipo de missão que eu estou falando.

Pessoal:

Sentido da Vida é um missão mas deve ser também pessoal. Falei anteriormente da maternidade, mas vou me utilizar de outro exemplo aqui: vamos pensar em um professor. Digamos que ele é um homem que vê na educação uma atividade que enche seus dias de significado, logo, ele tem uma missão educadora em sua vida. Quando pensamos dessa forma, podemos chegar a conclusão de que essa missão não é exclusiva desse professor. Várias pessoas ocupam sua vida com atividades educacionais. Sim, este pensamento está correto.

Para entendermos melhor, deixe-me ser mais claro: esse professor encarna em sua vida pessoal essa missão ampla da educação.

O professor não educa a humanidade, ele educa os alunos que estão diante dele na sala de aula. Portanto, o Sentido da Vida dele não é a educação mas a educação específica daqueles que lhe são confiados por meio do seu trabalho. Entende que essa missão perde esse aspecto genérico e ganha em concretude e objetividade pessoais? Podemos pensar também em um cozinheiro: o seu sentido será realizado todo dia quanto estiver fazendo um prato para um cliente em seu restaurante. Com um músico é a mesma coisa: seu sentido será tocar aquela música específica naquele local específico para aquele público específico. Acho que me fiz entender, né? Portanto: todo Sentido da Vida deve ser realizado em sua vida concreta sob sua responsabilidade.

Intransferível:

Esse aspecto é uma dedução lógica dos dois anteriores: se Sentido da Vida é uma missão e deve ser pessoal, logo, eu não posso transferi-lá para ninguém. Exatamente. Mas cabe aqui mais algumas palavras. Uma idéia que sempre gira em torno desse tema é a questão da realização de sua personalidade. O Sentido da Vida não é apenas um missão pessoal que você escolhe ao léu dentre as milhares de missões possíveis no mundo. Caso fosse, qualquer atividade com significado acalmaria essa angústia que você carrega no peito.

Sabemos por intuição, e nem precisamos de explicações de especialistas, que de certa forma “cada um tem uma missão”.

Essa idéia já foi muito trabalhada por religiões ou correntes filosóficas, mas apesar disso, a gente sente que cada um tem um papel. E digo mais, também sabemos que cada um tem uma personalidade ou uma aptidão para certas coisas. Dessa idéia é derivado este terceiro aspecto: o Sentido da Vida é intransferível pois é uma atividade que você deve realizar pois ela foi feita para você.

O Sentido da Vida é intransferível pois mesmo se outra pessoa fizesse aquela atividade no seu lugar, você teria a sensação de estar deixando de lado uma parte de você.

Você estaria negando algo que lhe foi confiado desde que o mundo é mundo. Palavras bonitas, eu sei, mas que carregam uma verdade imensa: o Sentido da Vida é algo próximo a você pois é a atualização do seu ser de forma plena na realidade. Quem diz isso é o filósofo francês Loius Lavelle. Para ele o Sentido da Vida é a realização de quem você é. Por essa razão, ao realizá-lo, terá enfim a serenidade interior pois está fazendo algo que de certa forma é natural para você.

Procure exemplos de pessoas que encontraram seu Sentido da Vida, você invariavelmente encontrará algumas histórias que parecem mentira: cada episódio da vida daquele sujeito parece um degrau para ele chegar onde está, tudo o direcionou para chegar naquele papel – o famoso “nasceu para isso”. Além desses, você também encontrará alguns casos em que uma história de vida muito confusa ou sofrida acaba sendo redimida por uma atividade que dá sentido, não só para os dias atuais, mas resolve todas as questões anteriores. (Um exemplo que gosto muito é a série Chef’s Table no Netflix, são histórias variadas que foram resolvidas por meio de um mesmo sentido).

Bem, basicamente tudo isso é o Sentido da Vida. Talvez essa procura e realização de um sentido seja a maior conquista para um ser humano.

O assunto não se esgota aqui, eu sei que muitos devem estar se perguntando qual a via mais fácil para encontrar o seu sentido ou o que fazer enquanto não encontra esse papel no mundo, eu mesmo dou curso a esse respeito. Mas acima de tudo, o importante é saber que, sim, a vida pode ter sentido – e não é por não ter encontrado ainda que ele não existe. Enfim, ao menos agora você sabe o que ele é.