Transcenda o seu umbigo

Buscamos a felicidade incessantemente. Ouvimos pelos quatro cantos do mundo a idéia de que o sentido da vida é a felicidade ou que o homem nasceu pra ser feliz. Outra crença bastante difundida é a de que devemos fazer o que nos deixa feliz. Claro que alguém pode questionar: “mas você quer que sejamos tristes?”. A questão aqui não é essa.

O problema começa com o conceito. Normalmente associado com satisfação, achamos que felicidade é satisfazer nossas vontades. Das mais imprudentes às mais ordinárias.

Se ser feliz fosse apenas isso, seria tão fácil! Mas basta alguns anos de tentativa de satisfação de todos seus desejos pra perceber que a felicidade nunca chega. Parece até mesmo que ela foge. Quanto mais corremos atrás, mais ela faz questão de se distanciar.

Se você já teve essa sensação, sinto em dizer, ela está corretíssima. A felicidade sempre se distancia daqueles que a tem como objetivo primário. Gosto de sempre pensar nela como uma moça tímida e assustada, mas curiosa. Se você se voltar para ela e tentar agarrá-la, será abandonado. Porém, se você fizer algo, ela pode se interessar por sua atividade e se aproximar.

A felicidade é consequência, dizia Frankl. Isso mesmo, ela é consequência. Apenas quando nos dedicamos à alguma atividade é que podemos ser felizes. Se quer a felicidade, esqueça-a por um momento e preste atenção no que você está fazendo.

A chave para ser feliz é fazer algo que lhe interessa, algo de que se gosta, que satisfaça. Mas isso você já fazia, não? Fazia, então, agora faça sem pensar em ser feliz, faça o que quer sem criar essa expectativa. Aí você descobrirá outro erro que cometemos quando descobrimos que a felicidade é consequência: buscar repetir tudo que fazia, mas dessa vez sem muita esperança, é apenas outra forma do problema continuar existindo, com a única diferença de que dessa vez você está tentando se enganar.

A felicidade pode ser tímida, assustada e curiosa, mas não é burra.

Podemos dizer que ela já tem bastante experiência em acompanhar o ser humano, ao ponto de, com facilidade, saber quem realmente está preocupado em fazer algo e quem está apenas tentando armar uma arapuca para prendê-la. A felicidade frequentemente não aparece porque em nossas atividades falta-nos algo essencial, e a repetição – com ou sem expectativa – não aumenta nossa chance de obtê-la.

O que precisamos é encher nossa vida de significado.

É este fator que faz toda diferença. De nada adianta você continuar fazendo o que sempre fez, sem esperar nada de ninguém, se suas ações não têm significado algum. Nossos atos têm de ter um sentido para além de nós mesmos. Se eles se encerram na satisfação de um pequeno desejo, proporcionalmente pequena será nossa felicidade. Teremos aquela sensação de experimentar apenas faíscas de luz em meio à escuridão.

Por essa mesma razão ouvimos milhares de pessoas dizerem que o dia mais feliz de suas vidas foi o casamento ou o nascimento dos filhos. Dificilmente alguém afirma que encontrou a verdadeira felicidade no dia em que bebeu até cair, em que comeu uma torta de chocolate durante a dieta, em que comprou uma roupa em promoção, em que transou a noite toda.

Pare de buscar a felicidade. Faça por merecê-la. Transcenda o seu umbigo e procure por sentido – até rimou. Eu te garanto que a felicidade virá.

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