You know nothing: o que você não sabe sobre a última temporada de Game of Thrones

A sétima temporada de Game of Thrones acabou nesse domingo. Desde o penúltimo episódio, a série virou assunto controverso. Dizem que perderam a mão. Conhecida por sua trama bastante complexa e episódios surpreendentes, bastou um capítulo “previsível” para vermos uma fúria pior que do Dracarys. 

O que você não sabe é que nesse embate de críticas ferrenhas e defesas acirradas, uma das melhores cenas da série passou em branco: um diálogo entre Beric e Jon Snow. Não se lembra? Deixa que eu te ajudo.   

 

I. A Verdadeira Batalha

Esta cena, se não me falha a memória, é uma das poucas que deixa tudo às claras. Entendo quem goste daquela confusão moral que marca toda a trama. (Eu mesmo ainda acho que o Jamie irá nos surpreender e que a Arya está cada dia mais psicopata). Mas tudo cai por terra nesse diálogo.

No final das contas, o que importa é uma única batalha: Vida x Morte.

Não é óbvio? Mas é muito real. Tão real que nos faz rever todos os acontecimentos por esse prima. E talvez por isso, muitos tenham se frustrado: eles nos deram a régua para medir tudo o que vimos e ainda vamos ver. Porém, essa medida seria inútil se usarmos apenas para o seriado.

Pensando um pouco, também devemos defender a vida. Você pode não ter notado, mas nessa batalha cada um de nós faz sua parte. Quando acordamos cedo, trabalhamos, conversamos com amigos, brincamos com nossos filhos, estamos lutando sem perceber. You know nothing

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O que nos faz seguir em frente é o desejo de que a vida prevaleça sobre a morte.

Jon Snow está certo, não iremos vencer. Porém, aqui não importa o resultado, mas sim a postura diante do inimigo. Frankl já dizia que mesmo nos momentos mais difíceis, nas situação sem saída que temos em nossa vida, ainda assim, nós possuímos a liberdade interior de decidir como iremos enfrentar a realidade.

 

II. Qual o seu papel?

Se lermos esse diálogo com atenção, percebemos que ele nos ensina muito mais. Os dois são soldados. E o que soldados fazem? Lutam e defendem aqueles que não podem se defender. Novamente tudo é apresentado com uma clareza absurda.

Beric define qual é a vocação de um soldado e com certeza te fez pensar: qual é a minha vocação nessa batalha?

Sabemos que devemos lutar contra a morte, o motivo é evidente. Porém, cada um deve também definir qual o seu papel.

Definir nosso lugar no mundo é a maneira mais eficiente de evitar problemas, ajudar ao próximo e sermos felizes. Hoje, todos querem mudar o mundo, mas esquecem do mais óbvio: como você vai fazer isso? Cada um de nós é limitado, por isso, cada um tem um papel específico nessa história.

Enquanto você não descobre o que irá fazer com sua vida, todos seus atos podem carregar a marcar da dúvida, aquela sensação de estar no lugar errado.

 

III. Encontrando a paz de espírito

Até aqui esse simples diálogo nos ajudou em dois pontos essenciais. Porém, a mensagem de Beric parece os White Walkers: não para por aí. Ele também nos deixa uma lição sobre nossa inquietação cotidiana:

Quando definimos nossa vocação, nossas dúvidas caem por terra. Não precisamos mais entender tudo. Viver para realizá-la talvez seja o suficiente.

Se eu sei o que fazer, concentro minhas forças nessa atividade, gasto meus dias com isso e busco cada vez mais ser melhor no que faço. Uma mãe com filhos pequenos passa seu tempo cuidando deles. Sua vocação é essa. Ela não precisa entender tudo, basta saber que seu lugar é ali ao lado deles. Com um professor acontece o mesmo, ele quer ensinar seus alunos e isso basta.

A vocação é sempre o suficiente pois é uma missão digna de uma vida toda.

Pode parece pequeno ter poucas funções durante uma vida inteira. Mas ser simples é sempre mais complexo. Estamos acostumados a um mundo que nos exige sermos muito mais do que podemos ser e não conseguimos ser nada. Saiba, descobrir nosso papel nos acalma. Nos dá um trabalho sem fim, mas ganhamos a paz de espírito.

Ao final, você é uma coisa só. Beric e Jon Snow são soldados. E você, o que é?

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  • João Paulo Borgonhoni, mais conhecido por Jota, sempre se interessou por pessoas e relacionamentos. Quase se afogou algumas vezes na vida mas sobreviveu. Hoje é professor e psicólogo (crp 08/17582).

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