Autor: Francisco Escorsim

Aprendendo a morrer com Johnny Cash

Escrevi o texto que segue em 2013. Revisitei em 2016, reescrevendo durante o carnaval e republicando na véspera da Quaresma daquele ano em meu perfil pessoal no Medium. Mais tarde transferi o texto para cá, com algumas pequenas modificações. Depois, revisto e aumentado, inaugurou nossa “revista” virtual lá no Medium na sexta-feira da Paixão de 2018. Mudamos de planos e abandonamos a ideia da revista, preferindo reavivar nosso blog por aqui. Não haveria melhor desculpa para revisar de novo este texto e republicá-lo durante a semana pascal de 2019.

Sempre me espanto com o quanto esse texto é lido. Toda semana o Medium me envia as estatísticas de leitura e este sempre está sendo lido, não importa a época ou a versão do texto, e muitas vezes foi mais lido do que outros recém-publicados. Devo ter acertado em alguma coisa para ser assim.

Gosto de relê-lo na Páscoa, por motivo óbvio, e quase sempre acho que poderia dizer mais e melhor. Quer dizer, mostrar mais e melhor. Mas só reescrevo quando algo me diz para fazê-lo. É o que está acontecendo agora.

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Naufrágio dos Relacionamentos

Nesta altura você já deve ter escutado nosso podcast especial sobre o naufrágio de relacionamentos. Se não, clica no play e só depois segue na leitura:

Para acompanhar esse podcast montamos uma playlist com músicas selecionadas sobre isso. E a ordem que as colocamos importa.

As 4 primeiras são sobre perguntas que nunca sabemos responder direito: afinal, o que é o amor? Como eu sei estou amando? Como eu sei que ele(a) me ama?

Mesmo sem saber responder, uma hora nos damos conta que estamos amando. E tudo mudou. E só resta tentar fazer esse amor acontecer. Mas aí descobrimos que não podemos apressar as coisas. É disso que trata as 4 músicas seguintes.

Até que, enfim, dá certo! Aí é o paraíso na terra. As 4 músicas seguintes cantam isso.

Mas aí…

Pois é, vem o naufrágio. As próximas 5 músicas falam sobre a dificuldade de dizer adeus, o sofrimento que não queremos nem falar sobre, a raiva, a marca profunda que a desilusão deixa e o afogar das mágoas que acabamos fazendo de um jeito ou outro.

Até que o destino sorri de novo… E desta vez tentamos fazer dar certo com mais conhecimento de causa. O que seria preciso agora? Um pé no chão com um pouco mais de ternura, não paixão desbragada, voltando a escutar aquelas “silly love songs”, sem vergonha, mas com maturidade. São as 6 músicas seguintes.

E nesse carrossel podemos ir vivendo, de relacionamento em relacionamento, até que um dia vem o definitivo, o que é para ser, cujo amor nos colocará no nosso devido lugar, “lá em cima”, e entenderemos o verdadeiro poder do amor. São as duas penúltimas músicas.

E a última? Esta é para quando estiver naqueles dias de desesperança total, sentindo-se incrivelmente para baixo e achando que o relacionamento não tem mais conserto. 😉

Qual a música ideal para o Dia dos Namorados?

Já reparou que na maioria das canções românticas que têm letras falando de amor “para sempre” a parte musical é de uma tristeza como se tudo já tivesse acabado?
 
Por exemplo, a música romântica nº 1 nas paradas de todos os tempos, segundo a Billboards. É Endless Love, dueto de Lionel Richie com Diana Ross. Se o nome não foi suficiente para sua memória musical recordá-la, aposto que basta escutar 3 segundos para você lembrar que não só conhece como a escutou mais do que gostaria:

O vazio existencial e as canções para náufragos

Que a música tem uma importância tremenda na vida não é novidade para ninguém, mas quando somos náufragos existenciais, aí a música é ainda mais importante: é vital. A ponto de sermos obrigados a concordar com esse aviso iluminado na parede da imagem em destaque aí em cima. 

Sim, você é o que você escuta.

Mas por que a música tem tamanho valor para nós, náufragos?

Você precisa de férias na volta das férias?

Cristiano cresceu escutando os pais falarem, na volta das férias, que agora sim é que precisavam de descanso. Sempre aproveitavam as férias para viajar, fazer programas de todo tipo, não paravam nunca, mesmo quando passavam um mês inteiro na praia, indo da casa para a areia e desta para casa. Adoravam o tempo de férias, parecia que a vida só valia a pena nesse tempo, quando estavam em férias, eram sempre mais felizes.

Mas o retorno era sempre difícil, ele via a tristeza na expressão dos pais, a vida murchando. Continue lendo

Como sustentar um casamento: seja uma âncora

Deixa eu contar um pouco da história do meu casamento. 

Quando conheci minha futura esposa eu já tinha naufragado na vida. Tinha entrado na faculdade de Direito em 1994, aos 17 anos (faria 18 naquele ano), e estava ali levado pela maré sócio-cultural que faz os jovens dessa idade prestarem vestibular etc. Continue lendo

A crise dos 30 anos e a receita de Keith Richards: Amor, Família e Rock’n Roll

“A vida é engraçada, sabe? Sempre achei fosse viver até os 30 anos. Mais do que isso seria horrível viver. Até que fiz 31 e pensei: até que não é tão ruim.” 

Quem disse isso foi Keith Richards, do alto dos seus mais de 70 anos. Seria a cura para a crise dos 30 anos simplesmente deixar passar, fazer 31 e pronto? Bastaria suportar a sensação de que tudo parece meio que definido e o futuro será mais do mesmo que daí essa sensação passaria como veio e a vida voltaria a se abrir em possibilidades? Continue lendo

Um disco para náufragos

Se tem uma coisa que a imensa maioria de nós, náufragos existenciais, temos em comum é o apego à música como uma tabuinha de consolação – quando não de salvação mesmo.

Quando vejo a devoção com que alguém fala ou aprecia alguma música ou banda ou artista, já reconheço um “irmão de braçadas”, mantendo-se à tona com a ajuda de música, muita música.

E não falo aqui de histeria adolescente com bandinhas. Falo de algo bem mais sério e profundo, da música sendo capaz de expressar a tristeza ou o desespero do “estar náufrago”, ao mesmo tempo conseguindo alimentar a fé e a esperança de que há um sentido maior para esse sofrimento. Continue lendo

Dois remédios para dar sentido à vida

Li uma reportagem bem interessante de Emma Young, da revista Mosaic Science e publicada em português pelo El Pais, sobre o uso de drogas por adolescentes. Harvey Milkman, professor de psicologia da Universidade de Reykjavik, na Islândia, fazia residência num hospital de Nova Iorque na década de 70 quando começou a se interessar pela razão que leva as pessoas a consumirem drogas. Acredita ter encontrado a resposta. Continue lendo

Você não tem tempo para nada?

Você não tem tempo para nada, eu sei. O que você gostaria de fazer não cabe no seu dia. É o emprego que consome as energias ou os estudos que te impedem de fazer mais ou a família que toma seu tempo livre. Afazeres demais, compromissos diários, hábitos difíceis de mudar, cansaço, irritação, stress. E a vida parece que passa como um trem que nunca pára para você entrar. Continue lendo